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08 de agosto de 2022 - 18H 10m

PERSONAGENS DE FEIRA: conheça a história da feirense que roda o Brasil cantando o hino nacional vestida de Maria Quitéria

Por João Guilherme Dias

Se tem algum evento importante em Feira de Santana, ela está sempre lá. Vestida de Maria Quitéria. Pronta para interpretar o Hino Nacional Brasileiro e o Hino à Feira. Trata-se de Juscelia Figueiredo da Silva, graduada em Música pela Universidade Federal da Bahia. Mas, você deve conhecê-la por um outro nome: Celiah Zaiin.

Ela é filha de Feira, mas os pais são de Serrinha e Biritinga. O pai, seu Olegário, foi um famoso professor de português e inglês. A mãe era diretora do educandário 2 de Julho. Aos 12 anos, sob forte influência da família, Celiah fez um seminário de música no Cuca. Tempos depois, já graduada pela UFBA, ela se tornou professora de teoria e percepção do Centro Universitário de Cultura e Arte.

PALESTRAS EM ESCOLAS

Celiah já passou por inúmeras escolas de Feira cantando e contando a história do Hino da nossa cidade. Foram mais de 20 mil estudantes. Depois de uma década levando cultura pelas escolas, uma professora questionou o motivo da cantora não se vestir de Maria Quitéria para interpretar o Hino. No primeiro momento, a reação de Celiah foi se assustar, mas foi aí que tudo começou. “Me lembro como hoje, fui sozinha na costureira, levei a foto dela [Maria Quitéria], estudei tudo sobre ela”, contou Zaiin.

A partir daí, Celiah começou a levar para os estudantes também a história de Maria Quitéria. A primeira escola que ela foi vestida da heroína feirense, foi o Municipal, contou ao Blog que jamais foi tão bem recebida, quanto naquele dia. “A maior mensagem que Maria Quitéria deixou pra mim, foi o fato de ela ser uma pessoa pronta. Conhecia plantas, sabia se virar no mato, sabia direção. Ela, hoje, é tudo que a gente precisa saber”, disse.

FALTA DE APOIO EM FEIRA

No início da sua jornada, cantando os Hinos vestida de Maria Quitéria, Celiah sofreu alguns ataques de pessoas da cidade, criticando a sua escolha. Então, ela passou a visitar outros municípios contando a história da heroína baiana. A cantora de Feira assumiu a imagem de Maria Quitéria no desfile do 2 de julho, em Salvador. Só que para ser confirmada, a feirense precisou ser sabatinada por alguns estudiosos. “Um deles falou pra mim, que eu, de fato, conhecia a história de Maria Quitéria e que eu amava o meu chão, você respeita muito a sua cidade”, revelou a cantora.

A RELAÇÃO COM MARIA QUITÉRIA

Celliah Zaiin já recebeu mais de 20 titulações de Academias do país. Ela recebe convites de diversos estados para cantar os Hinos e contar a história de Maria Quitéria. Na próxima semana, estará na quarta cidade mais antiga do Brasil, São Cristóvão, em Sergipe, para interpretar o Hino Nacional no I Simpósio de Confrarias e Academias de Letras. Em novembro, viaja para palestrar na Câmara de São Paulo. Inclusive, Celiah foi citada no livro ‘JN no ar’, pelo jornalista Ernesto Paglia, há alguns anos, como “a arara do sertão”. “É uma maneira de agradecer àquela geração [de Maria Quitéria] por ter feito o que eles fizeram por causa da gente”, finalizou Celiah Zaiin.

 

PERSONAGENS DE FEIRA / 23 de julho de 2022 - 19H 19m

PERSONAGENS DE FEIRA: Conheça a história do filme feirense que teve mais de 100 mil cópias distribuídas

Texto: João Guilherme Dias

Vida Louca – a vingança do motoboy. Se você é de Feira de Santana, é muito difícil que não tenha assistido ou ouvido falar nesse filme genuinamente feirense. Dez anos depois da estreia desse clássico de Feira, o Blog do Velame conversou com Alvenir Mamona, um dos diretores da obra que foi vista em países como Bolívia e Itália.

“Muitos não acreditavam, muitos me chamavam de doido”. Com essas palavras Alvenir Mamona resumiu a sua relação com o cinema. Ele tinha 50 anos quando deu vida a Pablo nas telonas, um homem pacato que teve a rotina completamente modificada depois de reagir a um assalto enquanto trabalhava como mototaxista nas ruas de Feira.

O primeiro filme da trilogia foi lançado em dezembro de 2011, e contou com a participação especial de ilustres moradores de Feira, como Zé Coió e Dionorina. Três anos depois, em 2014, o segundo filme da “franquia” foi divulgado. E, para alegria dos feirenses,em breve, o ‘Vida Louca 3’ deve estrear. Além de Mamona, o cineasta Chico Oliveira também faz a direção do longa.

O personagem principal dos filmes é um mototaxista, ou como os feirenses chamam, motoboy. “O motoboy ‘tá’ sempre levando uma pessoa, então ele se envolve em várias situações”, explicou Mamona, ressaltando que o objetivo do ‘Vida Louca’ é gerar discussões sobre o uso de drogas.

O filme fez tanto sucesso, que logo depois de seu lançamento, era possível encontrá-lo com facilidade em qualquer lugar do Centro de Feira. Segundo o diretor, cerca de 100 mil cópias do primeiro filme foram distribuídas.

Acontece que, diferente do que muita gente acha, as atuações cinematográficas de Alvenir, não começaram com ‘Vida Louca’. Há 14 anos, ele foi convidado para protagonizar um filme chamado ‘Doce Fel’, contudo, alguns problemas fizeram com o que o longa jamais fosse lançado.

PRODUÇÃO INDEPENDENTE

É sabido o quão desafiador é colocar no mercado uma produção cinematográfica. E Alvenir com os seus parceiros conseguiu estrear, até agora, dois filmes. “Mesmo sem recurso, sem condição financeira, sem ser um empresário, podemos sim, buscar e realizar projetos. O primeiro filme que ‘teve’ mais de 100 mil cópias em Feira, foi o nosso. E isso foi com muita luta”, contou.

Alvenir até tentou entrar na política, mas não teve êxito. Agora, ele disse que quer se dedicar somente à arte, não quer mais saber de política. “Vou me dedicar aos meus projetos, aos meus filmes. ‘Tô’ com três histórias [de novos filmes] aí. Vamos fazer oficinas de teatro, treinando novos atores”, finalizou.

COMO ASSISTIR?

Se você ainda não viu nenhum dos dois ‘Vida Louca’, ambos estão disponíveis no YouTube. Alvenir Mamona prometeu ainda criar um canal para disponibilizar entrevistas, cenas exclusivas e novos conteúdos

Personagens de Feira / 10 de fevereiro de 2021 - 07H 00m

PERSONAGENS DE FEIRA: O escritor feirense que descobriu o talento no WhatsApp

Por Rafael Velame

As crônicas dele deveriam ser leitura obrigatória para quem quer entender Feira de Santana de verdade. Alan de Sá, feirense formado em jornalismo, é uma promessa da literatura. Criado no Parque Lagoa Subaé, bairro pobre onde a realidade bateu na porta logo cedo, viu conhecidos morrendo por causa do tráfico. Uma realidade que moldou a sua visão de mundo. Talvez por isso, seus textos sejam marcados por excessos – de palavrão, de sarcasmo e de duras verdades. Do primeiro livro lido, somente aos 15 anos, até se descobrir escritor, por conta de um grupo de WhatsApp, aos 18, Alan sabe que seu destino poderia ter sido diferente. Viveu as dificuldades de ajudar a mãe que foi ambulante na Salles Barbosa e lá passou a conhecer pessoas, perceber trejeitos e ver como era o que ele chama de “feirense médio”. Vivências que virariam crônicas publicadas e muito compartilhadas no Facebook. Atualmente Alan trabalha em uma grande agência de publicidade em São Paulo e, apesar das dificuldades, já publicou “Marani”, seu primeiro romance e a obra de suspense e terror “Lago Aruá“. Paralelamente ele defende o movimento literário Sertão Punk, que você vai conhecer melhor na entrevista abaixo onde assuntos como racismo no meio literário e afrofuturismo também são abordados. 

Quando surgiu o desejo de ser escritor? Como você se descobriu escritor?

Foi um processo meio estranho e demorado. Eu comecei lendo tarde, li meu primeiro livro na vida aos 15 anos, ainda no ECASSA. Me apaixonei pela leitura nessa época, mas a escrita em si veio anos depois, já com 19 pra 20 anos. Nessa época eu já tinha terminado o ensino médio e não estava arrumando emprego, então passava muito tempo em casa. Acabei entrando em um grupo de Whatsapp junto com uma galera de vários estados do Brasil e todo mundo curtia as mesmas coisas que eu: filmes, séries, animes, livros, etc. Resolvemos fazer uma brincadeira de criar personagens pra cada um do grupo. A galera curtiu e decidimos criar uma história com todos. Eu era um dos responsáveis por juntar todas as histórias em uma só. Acho que foi mais ou menos por aí.

Onde foi criado em Feira, como foi a infância?

Eu nasci em Feira de Santana, mas passei uma parte da minha infância em São Paulo, até os oito anos. Meus pais já tinham uma vida estabelecida na cidade. Minha mãe era costureira e meu pai, pintor. Eles usavam as economias, dinheiro de FGTS, férias, essas coisas, pra construir a casa em Feira. Quando voltamos, em 2003, já tava tudo mais ou menos pronto. Daí em diante vivi a maior parte da minha vida no Parque Lagoa Subaé. 

A gente sempre foi pobre. Um pouco menos do que a grande maioria das pessoas pobres do Brasil, porque tínhamos nossa própria casa, minha mãe trabalhava com carteira assinada, meu pai tinha o emprego dele, mas nada nunca foi realmente fácil. Já passamos por vários apertos na vida, mas sempre estávamos ali um pelo outro, todo mundo se ajudava como podia e até hoje é assim. Por um tempo, o Parque Lagoa foi um bairro mais perigoso do que é hoje. Vi muitos pivetes morrerem cedo demais por causa de droga, facção, crime. Gente de 12, 15 anos, que nem tiveram tempo de mudar de caminho e ter alguma oportunidade, como eu tive. Isso moldou muito da minha visão de mundo, porque o pensamento coletivo ficou ainda mais forte na minha mente. 

Eu sempre curti desenhar e isso era um passatempo massa pra mim. Depois de um tempo trabalhando como costureira, minha mãe comprou uma barraca na Salles Barbosa em 2007, que existia até o dito cujo do prefeito resolveu derrubar pra favorecer empresário mineiro e acabar com o sustento e a história de milhares de pessoas na cidade. Lá foi que comecei a aprender os caminhos do centro, conhecer pessoas, perceber trejeitos das pessoas e ver como era o “feirense médio”. Sempre que ficava com a coroa, e quando a gente conseguia vender alguma coisa, pegava uma parte da grana e juntava pra comprar materiais de desenho na Maskat e na banquinha de jornal em frente a Prefeitura. Isso me fez querer trabalhar com design por muitos anos. Acabei fazendo Jornalismo na FAT. Coisas da vida, né. Mas não me arrependo de maneira alguma. 

Fiz o final do fundamental 1 no Luciano Ribeiro Santos, uma escola municipal lá no Parque Lagoa mesmo. Depois, fui pro ECASSA, onde fiquei até o fim do ensino médio. Quando entrei, Artemízia ainda era a diretora, botava medo até na galera do terceirão. Foi lá também que fiz meus melhores amigos, que estão comigo há anos e já são parte da família, verdadeiros irmãos que ganhei com a vida, mesmo tendo, também, meus irmãos de família. Bati muito de frente com Lúcia Branco, diretora da escola, por conta de várias e várias situações de descaso da gestão da escola com o próprio patrimônio e a educação. Já fiz abaixo assinado pra tirar ela de lá, brigamos muito e, até a última vez que fui lá (em 2018, não lembro), ela sequer olhava na minha cara direito. Ainda bem. 

Por que foi pra São Paulo?

Eu trabalhava com publicidade numa agência de Feira, tinha acabado de terminar a faculdade. Não tinha muitas pretensões de sair, porque, bem ou mal, eu gosto de Feira. Mas aí uma vizinha viu uma publicação de um processo seletivo pra jovens criativos de uma agência de São Paulo, a Wieden+Kennedy. Até então, não conhecia nada da agência, mas depois descobri que se tratava de uma das maiores e mais relevantes do mundo, responsável por várias campanhas icônicas pra Nike. Resolvi tentar. Depois de um mês de processo seletivo, fui um dos selecionados pro programa. Além de mim, mais duas pessoas da Bahia entraram: Caíque, fotógrafo de Madre de Deus; e Larissa, estudante de jornalismo da UFBA, mas que é natural de Uruçuca. No total foram seis: tinham mais duas pessoas de Brasília (Lara, publicitária; Luiz, fotógrafo e diretor de arte) e Taís, ilustradora de São Luiz, no Maranhão. 

A gente passou nove meses trabalhando na Wieden+Kennedy, aprendendo sobre publicidade e fazendo projetos internos, enquanto morávamos num hostel. Foi um período bem intenso, com vários altos e baixos pelo caminho. Foi durante esse período que vi o quanto o mercado aqui era mais organizado que Feira, além das oportunidades de crescimento serem maiores. Resolvi ficar pra ter uma grana a mais e poder ajudar meus pais. Hoje, trabalho em outra agência, FCB Brasil, que também é uma empresa global e bem grande na área. No fim das contas, deu tudo certo. 

O que é o Sertãopunk?

O sertãopunk é uma ideia. É mais fácil começar por aí. Uma ideia de como o Nordeste pode ser no futuro a partir de um ponto de vista nordestino. O sertãopunk começou depois de mim e mais dois amigos, Alec Silva e Gabriele Diniz, que também são escritores negros e nordestinos, levantarmos alguns questionamentos sobre como o a cultura da região era representada nas produções de ficção, fossem elas livros, filmes, séries, artes visuais, etc. Porque sempre o nordestino como, ou cangaceiro, ou matuto? Por que a estética da seca sempre atrelada ao Nordeste? Foi a partir de questionamentos assim que a gente começou a pensar no sertãopunk. 

A gente tem uma região rica em biodiversidade, produção de energia limpa, com polos de tecnologia e geração de renda bem estabelecidos, a única baía inteiramente navegável do mundo (a Baía de Todos os Santos), alguns dos maiores portos do Brasil, fora toda a diversidade cultural, mais de 1900 territórios quilombolas, centenas de tribos indígenas e presença constante nas maiores e mais relevantes revoltas populares da história do Brasil. O Nordeste não é só o carnaval de Salvador, seca e Lampião. 

Foi pra isso que pensamos o sertãopunk, pra ser uma ideia pra todo mundo que quer se expressar contra esses estereótipos e xenofobia construídos historicamente. Através de qualquer tipo de arte: música, grafite, literatura, o que for. A partir daí, dar uma nova cara pras possibilidades de Nordeste no futuro. 

Quais livros já publicou?

Publiquei Marani, meu primeiro e único romance, até então, em 2017. Em 2019 lancei O Lago Aruá via financiamento coletivo pelo Catarse, mas esse é menor, entre um conto e uma novela. Entre esses dois eu participei de alguns projetos coletivos com autores de vários estados do Brasil, além de colocar coisas avulsas na Amazon, no total. No total, são umas 10, 12 publicações. Meu último lançamento foi Abrakadabra, em 2020, direto na Amazon e já dentro da estética do sertãopunk. Além, é claro, da coletânea Sertãopunk: histórias de um Nordeste do amanhã, que traz o manifesto do movimento, além de artigos sobre pontos relevantes sobre o que a gente pensou e dois contos, um meu (Schinzophrenia) e o outro de Gabriele Diniz (Os olhos dos cajueiros), co-criadora do sertãopunk. 

É difícil chegar até uma editora e publicar seu primeiro livro?

Existem diversos formatos de editoras por aí. Muitas usam um sistema de “pague pra publicar”, em que o autor paga por todo o processo editorial mais uma quantidade de livros, os caras fazem um trabalho meia-boca e depois somem, colocam o livro no site deles, nunca trabalham publicitariamente a obra, te fazem assinar um contrato criminoso e tu nunca vê a cor do dinheiro pelo teu trampo. 

E tem as editoras tradicionais. Essas, sim, são difíceis de acessar, porque elas possuem um processo editorial mais sério e não costumam apostar em autores iniciantes de cara, justamente por ser dela todos os custos de produção e divulgação da obra, além de bancarem um adiantamento dos direitos autorais pro autor. Pra chegar nessas, das duas uma: ou tu é branco (se for do Sul ou de São Paulo, melhor ainda); ou é muito, muito bom. 

Como foi o processo de criação do Lago Aruá?

O Lago veio depois de uma viagem que fiz com minha ex-namorada. Ela é de Salvador e a gente nunca tinha feito uma viagem junto. Uns amigos dela resolveram passar um final de semana numa casa na Lagoa do Aruá, na Reserva de Sapiranga, em Mata de São João. Resolvi ir com eles. Durante uns dois dias, algumas coisas meio bizarras aconteceram. Vi alí uma oportunidade de fazer uma história de terror a partir de um ponto de vista mais cru, que era o meu. Daí nasceu O Lago Aruá. 

Você se define um escritor de que tipo?

Eu gosto de escrever tipos diferentes de literatura. Tem minhas crônicas, que geralmente tem um formato mais engraçado e que eu falo mais da cidade e das pessoas. E meus contos, que quase sempre são de terror e suspense. 

Pro primeiro tipo de texto, eu sempre tento pensar “o que as pessoas fazem que ninguém percebe, mas que pode ser bom o suficiente pra virar um texto?” antes de escrever. Feira tem gente de todo tipo e isso é ótimo. Quanto mais diferente são as pessoas, mais fácil é de dar uma exagerada nas coisas e criar uma veia bem-humorada. Eu já fiz crônicas sobre o BRT, o velho do licuri e por aí vai. 

Com os contos eu já tenho outra pegada. Acho que a literatura de terror tem um poder de sintetizar coisas muito relevantes e gerar um outro tipo de impacto sobre as pessoas. Por exemplo: O Lago Aruá fala de uma viagem de fim de semana, mas também fala sobre preconceito religioso, racismo, relacionamentos conturbados, descaso com o meio ambiente e por aí vai. Abrakadabra é sobre uma experiência em realidade virtual, mas também fala sobre as dores que corpos negros carregam, a criação do estereótipo de incapacidade sobre pessoas com deficiências e outras coisas. Então eu tento pegar todas as porcarias que rodeiam a gente e mostrar isso de uma forma que vai impactar a galera, nem que seja pelo susto ou pelo medo. 

Feira de Santana te inspira de alguma forma em suas obras? Seja positiva ou negativa….

Sim, com certeza. Pra ambas. Eu gosto de Feira de Santana, por ser uma cidade com gente de todo o canto, em que a cultura popular tem uma força enorme na fundação do tipo feirense e por aí vai. O que eu não gosto é de quem gere a cidade, desses coronéis de meia-tigela que tratam Feira como se fossem a casa deles. Você sabe de quem eu tô falando. A experiência negativa vem daí: da violência que desgraça a cidade, a falta de estrutura social, saúde e educação públicas de qualidade, entre outros vários problemas. Isso também me inspira porque não posso deixar os problemas da cidade alheios ao que eu faço. 

Quando a gente, que produz algum tipo de arte, seja literatura, música, artes visuais, o que for, não aponta as doenças sociais, estamos negando que elas existem. Não tem essa de “arte sem politicagem”, a arte é política e o ser humano é um ser político. Política não é só partidária. Se não contextualizamos as coisas e mostramos os erros da sociedade, somos coniventes. Isso legitima que isso continue acontecendo. 

Existe racismo na literatura brasileira? Você já sentiu isso na pele?

O racismo brasileiro é estrutural. Ele sempre vai estar presente em qualquer lugar porque a nossa sociedade foi fundamentada assim, com racismo. O meio literário não é diferente. No meu caso, principalmente depois que começamos a trabalhar no sertãopunk, houveram situações que não só minhas falas, quanto as de Alec e Gabriele, que são também negros, foram desvalorizadas e apagadas por pessoas brancas. De forma intencional. 

Uma das bases pro sertãopunk é o afrofuturismo, justamente porque a gente entende o peso que a cultura africana teve na história do Nordeste, não só por sermos negros, também. O fato de três negros e nordestinos questionarem várias atitudes do próprio mercado editorial, como nós fizemos – mercado esse que é inundado de pessoas brancas, bem de vida e, na grande maioria, do Sul e do Sudeste – gerou um incômodo no mercado e algumas inimizades que nos perseguem até hoje. 

Mas é aquela coisa, né: se gente ruim não gosta do que eu falo ou faço, eu fico feliz. 

É mais difícil ser reconhecido como escritor de sucesso sendo nordestino, de Feira de Santana?

É difícil ser escritor num todo, porque o mercado é uma bagunça daquelas. Quando a gente vai colocando as camadas minoritárias e sociais no jogo, vai ficando pior. Ser escritor, do interior do nordeste, pobre e negro é complicado. Mas se for uma mina nas mesmas condições, é ainda mais. Se for indígena, quilombola, ribeirinho, também. Por aí vai. Pra quem tá de fora pode até pensar que é “lacração” desnecessária ou exagero. Obviamente que existem, sim, grandes escritores nordestinos, negros e mulheres, também. Mas nessas horas, a gente tem que pensar no todo: qual a cor das pessoas que comandam as editoras, que editam as histórias, que trabalham com a divulgação delas e que fazem resenhas, reviews e por aí vai? Como funciona esses processos até chegar em uma editora ou no mercado? 

Quando tu tá no jogo, vê que muita gente (muita gente mesmo) entra no mercado sem qualquer mérito. Escrevendo mal, com posicionamentos questionáveis, mas que tá ali porque é amigo de não sei quem, parente de fulano, estudou na mesma faculdade que sicrano, etc. A a paleta de cores dessa brincadeira aí é branca. Hoje, não sinto tanto isso porque já tô mais estabelecido (e, curiosamente, a maior parte dos meus leitores são de fora do Nordeste). Mas, pra quem tá começando, é, sim, complicado. 

Acho que Feira de Santana tem um potencial de contação de histórias enorme. A gente tem história e tradição na literatura de cordel. Uma das primeiras coisas que li, antes do meu primeiro livro, foi um cordel, sobre Lucas da Feira, escrito por Franklin Machado, que tá em minha casa em Feira até hoje. O que falta é a própria cidade começar a olhar com mais atenção pra quem produz cultura em casa.

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11 de setembro de 2020 - 12H 25m

PERSONAGENS DE FEIRA: Conheça a história de Virna Jandiroba

PERSONAGENS DE FEIRA: Conheça a história de Virna Jandiroba
Foto: Getty Images

Por João Guilherme Dias

Tenho certeza que você já ouviu esse nome: Virna Jandiroba. Pois é, a história dela que a gente vai conhecer nessa semana na série de reportagens do Blog do Velame sobre personagens de Feira de Santana. Virna nasceu em Serrinha, mas, disse que é uma feirense do coração, que nasceu em 1988.

A sua infância foi tranquila, marcada por timidez, Virna contou que na escola até chegaram a pensar que ela tinha dificuldade para falar, mas, a explicação era outra, “eu vivia no meu mundo”. Contudo, ao chegar na adolescência isso mudou um pouco, a lutadora brinca que, “aprontei um bocadinho”.

Virna explica que foi criada dentro das artes marciais, a primeira experiência foi aos 12 anos, no Kung Fu, mas, ela não demorou muito por lá, a turma era toda formada por meninos e o machismo, fez com que a jovem atleta saísse do Kung Fu. Foi para o Judô, também não ficou muito tempo, logo foi convencida por um professor de Jiu Jitsu que ela tinha jeito pra coisa. Aceitou, o professor foi certeiro, a adolescente exclamou que o novo desafio, “foi amor à primeira vista”.

Já na fase adulta, mais uma migração, a serrinhense foi pra o MMA, com só dois meses já estava competindo. A partir daí, as dificuldades que a maioria das mulheres, nordestinas e atletas, enfrentam: desvalorização. Virna não encontrava adversárias no Norte e Nordeste, e a grana era pouca para competir no eixo Sul-Sudeste.

Entre os anos de 2014 e 2015, Jandiroba se mudou definitivamente para Feira de Santana – antes ela ia e voltava todos os dias de Serrinha, para treinar e para fazer a graduação na UEFS – a mudança era pra aumentar ainda mais a sua performance profissional.

Em março de 2018, lutando nos Estados Unidos, a serrinhense venceu o cinturão peso-palha do Invicta FC, “a passagem pelo Invicta foi determinante para o meu amadurecimento”. Mal sabia Virna que pouco mais que um ano depois de ganhar o cinturão, ela iria estrear no Ultimate Fight Championship.

Foto: Reprodução

Falando em UFC, o convite veio só com 20 dias de antecedência para a luta, Virna não titubeou e aceitou o desafio. Infelizmente, a estreia veio com derrota, “fiz uma boa luta, mas, foi definida no detalhe”, conta a lutadora. No final daquele ano, mais um combate no UFC, esse, Virna venceu.

Já durante a pandemia do novo coronavírus, mais uma luta, desta vez, a feirense do coração estava realizando um sonho: lutar em Las Vegas, nos Estados Unidos. Mas, não foi só isso, Virna deu show e finalizou com tranquilidade a americana, Felice Herrig, e mais, ganhou o bônus como a performance da noite.

E ainda tem mais, Jandiroba entrou para o ranking do UFC, ela disse que “entrei pro jogo, nos mostramos para o mundo”. Só que Virna quer mais, muito mais, “nunca escondi a minha ambição de estar entre as melhores e disputar o cinturão”, afirmou.

Você deve ter reparado que não citei uma vez sequer o famoso apelido de Virna, ‘carcará’, pois é, a história desse apelido merecia um parágrafo específico. Ela explica que pensou muito em qual apelido utilizar, “eu queria algo que representasse o sertão”, um amigo sugeriu: ‘carcará’. Caiu como uma luva, “a ave tem características muito fortes, imponente, usa a adversidade para o desenvolvimento”, disse Virna ‘Carcará’ Jandiroba.

A Virna dos octógonos, a gente já conhece, mas e a Virna fora deles? “Gosto de estar com os meus amigos, de ler, assistir filmes, eu gosto de fazer coisas que me desafiem, tô sempre buscando coisas novas, agora mesmo, estou aprendendo a tocar teclado”. Nessa pandemia, a ‘carcará’ disse que está sentindo falta de jogar boliche com os amigos.

Ao ser questionada sobre o que mudaria em Feira, Virna respondeu que não só aqui, mas, em todo o Brasil, “o incentivo ao esporte, sobretudo, na base, as pessoas têm direito de praticar o esporte”, finalizou. Valeu, Virna! Como você disse em Las Vegas, “deixem o carcará voar!”.

Personagens de Feira / 07 de agosto de 2020 - 17H 00m

PERSONAGENS DE FEIRA: Conheça a história do maior incentivador da astronomia em Feira

PERSONAGENS DE FEIRA: Conheça a história do maior incentivador da astronomia em Feira
(Foto: Arquivo Pessoal)

Por João Guilherme Dias
e-mail: [email protected]

Você sabe como o Observatório Antares foi criado? Sabia que o seu idealizador também ajudou a fundar o Museu Parque do Saber? E que essa mesma pessoa já foi à NASA e até à Antártida? E que ele é um feirense? Pois é, a história que a gente vai conhecer nessa semana na série de reportagens do Blog do Velame sobre personagens de Feira de Santana, é de Augusto Cezar Pinheiro Orrico, nascido em 1952. Falando em história, esse feirense tem é história pra contar.

A sua infância e adolescência foi tranquila, estudou no Colégio Santanópolis, se formou em Matemática na Universidade Estadual de Feira de Santana, mas queria mesmo era estudar Física, para depois, conseguir eliminar algumas disciplinas no tão sonhado curso de Astronomia. “Mas, a UEFS ainda não ofertava esse curso. Física só veio aparecer uns 20 anos após matemática, então, foi o curso mais ligado a minha área”, conta.

Mesmo com as dificuldades naturais de quem vive em uma cidade do interior, o sonho de Cezar de trabalhar com Astronomia jamais foi deixado de lado. O sonho começou a virar realidade quando ele criou uma Fundação para arrecadar recursos para a construção do Observatório Astronômico Antares. Deu tudo certo e em setembro de 1971, o equipamento foi inaugurado. O feirense explica que contou com doações de muitas pessoas – durante a entrevista  Cezar não se arriscou a citar nominalmente cada colaborador, pra não esquecer de ninguém, mas ressaltou que “as pessoas deram muito de si”.

Observatório Astronômico Antares (Foto: Arquivo Pessoal)

A jornada para a construção do Observatório Antares não foi nada fácil, Orrico e outros entusiastas bateram em diversas portas de empresários de Feira de Santana pra tentar algum apoio na construção. “Nós passamos 22, 23 anos pra chegar ao ponto que ele chegou, foi um processo muito lento”. Em março de 1992, o Observatório foi doado para a Universidade Estadual de Feira de Santana. Esse era o desejo de Cezar, construir o equipamento e cedê-lo à UEFS. “O interesse era observar as estrelas muito mais próximas, através do telescópio e compreender o universo”, revela.

Entretanto, Orrico ainda não estava satisfeito. Ele foi além e idealizou o Museu Parque do Saber. Construído pela Prefeitura de Feira de Santana e inaugurado em 2008,  o equipamento conta com um dos planetários mais avançados do mundo e o primeiro a ser instalado na América do Sul.

Para um apaixonado por astronomia, a NASA é o paraíso. E ele já perdeu as contas de quantas vezes esteve por lá. “Quatro ou cinco vezes”, diz.  Na primeira vez, foi convidado por um funcionário brasileiro para visitar o local. A visita rendeu tanto, que o feirense chegou a ver Neil Armstrong – o primeiro homem a pisar na Lua. “Não cheguei a cumprimentá-lo porque estava com capacete e em treinamento, mas o vi sim, conheci muitos astronautas e funcionários de alto escalão”, revela Cezar.

(Foto: Arquivo Pessoal)

O feirense já morou nos Estados Unidos, passou pela Europa, foi na China e até em Dubai. “Andei meio mundo para me inteirar, descobrir como tudo funcionava”.

Por duas vezes, o feirense foi à Antártida, em uma dessas viagens ao continente gelado, foi convidado por um cosmonauta russo para visitar as instalações do país. “Eu aceitei, e fui, na primeira vez pela Marinha e na segunda com a FAB”.

O feirense na Antártida (Foto: Arquivo Pessoal)

Orrico além de diretor do Observatório, fundou a antiga rádio Antares FM, foi presidente da Fundação Egberto Costa e trabalhou na Superintendência de Estudos Econômicos. Ao ser questionado sobre o seu sentimento ao ver o que o Observatório Antares representa hoje para a astronomia baiana, Cezar se emocionou. “A minha passagem pela terra não foi inútil, eu plantei uma semente”. Obrigado pelo seu entusiamo com a Astronomia, Cezar. Feira agradece!

 

Personagens de Feira / 31 de julho de 2020 - 16H 04m

PERSONAGENS DE FEIRA: O feirense da seleção brasileira que virou a voz do Joia da Princesa

PERSONAGENS DE FEIRA: O feirense da seleção brasileira que virou a voz do Joia da Princesa
(Facebook/Arquivo Pessoal)

Por João Guilherme Dias
e-mail: [email protected]

O nome dele é Kleber Costa Vitória, mas, ele é bem mais conhecido como Klebão. Nascido no ano de 1961, esse feirense tem muita história pra contar. Viajou o mundo jogando basquete, virou a voz do estádio Joia da Princesa, deu aula de recreação, foi treinador e DJ. Nesta semana, na série de reportagens do Blog do Velame sobre personagens de Feira de Santana vamos conhecer mais sobre a história desse craque da vida.

A sua infância foi tranquila, sempre muito ligado em esportes. Aos 13 anos ostentava seus 1m81cm de altura pelas ruas de Feira quando chamou a atenção de um treinador de basquete. “Menino, você quer jogar basquete?”.  Assim começou sua história jogando pelo Feira Tênis Clube.

Um ano depois, e já com mais de dois metros de altura, o promissor jogador feirense estava em São Paulo, jogando na equipe do Corinthians. Ao longo da carreira, Klebão jogou em clubes da Bahia, São Paulo e Pará. Além disso, disputou partidas em países como, Estados Unidos, Argentina, Kuwait, Equador e orgulhou Feira ao ser convocado para as seleções brasileira juvenil, adulta e master. Foi vice-campeão mundial juvenil representando o Brasil.

Mundial Master, Orlando/EUA (Arquivo Pessoal)

Depois de longos anos fora de sua cidade natal, Klebão voltou para Feira. Parou com o basquete profissional, mas não abandonou os estádios. Quem frequenta o Joia da Princesa certamente já teve ter escutado o famoso bordão, ‘segura galera’. Klebão é o novo da voz do serviço de auto-falante do estádio. “A Voz da Princesa foi fundada pelo meu pai, Antônio Alves Vitória. Com o falecimento dele assumi o lugar, o ‘segura galera’ é para entre uma publicidade e outra chamar atenção do torcedor. Costumo falar também ‘segura que quero ver’ e ‘tem gol’, tudo isso surgiu naturalmente”, conta.

Há alguns anos, o eclético Klebão virou o cobiçado DJ Klebão. “Sempre joguei basquete, depois comecei a fazer eventos completos não só com DJ, mas também fazendo a festa completa”, revela. Sobre o período de paralisação nas suas atividades profissionais por conta da pandemia, o DJ afirma que tem tentado se reinventar e ressalta que o segmento deve ser um dos últimos a retornar.

(Arquivo Pessoal/Facebook)

Klebão é um personagem de Feira. Atleta, artista, apaixonado pela Princesa do Sertão. Conheceu o mundo, mas Feira é o seu lugar. “Sentia muita saudade nos anos que passei fora da cidade. O que mais gosto em Feira é o centro, porque se encontra tudo por lá”.  O que mudaria em Feira? “A valorização do esporte em todas as categorias com competições promovidas pelos poderes públicos”. Obrigado, Klebão.

Personagens de Feira / 24 de julho de 2020 - 09H 57m

PERSONAGENS DE FEIRA: A digital influencer que tem conquistado os jovens feirenses

Por João Guilherme Dias
e-mail: [email protected]

Para ela, lembrar do passado – que nem é tão distante assim – é ver que tudo valeu a pena. Ela? Júlia Mel Sena Lopes de Santana ou simplesmente Júlia Mel, uma digital influencer feirense de 18 anos, que já conta com quase 13 mil seguidores no Instagram.

Julia estreia uma série de reportagens do Blog do Velame com o tema “personagens de Feira”,  onde a cada semana, um convidado será entrevistado  esclarecendo dúvidas, dando dicas, contribuindo com o seu conhecimento acerca dos temas propostos.

Os influenciadores são um fenômeno na internet porque tem capacidade de lançar tendências, mudar opiniões e comportamentos. A influenciadora feirense faz parte de um grupo chamado de microinfluenciadores, que são os influenciadores digitais que têm entre 10 mil e 100 mil seguidores em seus canais ou redes sociais.

A feirense começou nas redes sociais bem cedo, aos 13 anos já tinha um blog com algumas amigas, era só uma brincadeira, mas hoje, as redes sociais de Júlia viraram coisa séria, e Instagram ela já conta com muitos fãs. No perfil, Júlia produz conteúdo sobre moda, maquiagem, beleza e dá dicas de séries e filmes. Ela conta que tenta diversificar ao máximo as coisas que diariamente posta. “Eu tento manter uma plataforma bem diversa pra agradar vários públicos e de diferentes idades”.

Estudante de direito da UEFS, ela ainda não vive exclusivamente do que posta. “Eu moro com meus pais ainda, porém as minhas despesas pessoais sou eu que arco. Estou deixando as coisas acontecerem.  Vou para faculdade de direito, estou aguardando a Uefs voltar, pretendo no futuro conciliar as duas áreas”, contou.

Julia acredita que o caminho para se tornar uma influencer com sucesso financeiro é lento. “E é aquela coisa não é da noite por dia que você vai conseguir uma renda “perfeita”, é uma caminhada bem lenta pra isso”. Para ela, os amigos e seguidores são parte importante desse processo.  “É uma rede de apoio muito significante, eles são simplesmente incríveis”, explica a ruiva.

Durante a entrevista, Júlia se mostrou muito agradecida a quem separa um tempo pra consumir o conteúdo que ela produz. “A maioria do meu público está entre os jovens, eles são bem fiéis, uma galera que dá muita opinião, eu faço conteúdo pensado no que eles querem ver, não tenho o que reclamar dos meus seguidores”, comemora.

Reinventar. Com essa palavra, é possível descrever o perfil de Júlia Mel no Instagram durante a pandemia do novo coronavírus, a feirense conta que com mais tempo livre, ela conseguiu colocar em prática algumas mudanças que ela pretendia realizar em suas redes sociais. Júlia ressalta que tem estudado bastante para apresentar um conteúdo de qualidade, passou a produzir vídeos e, claro, deu aquela organizada no feed.

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[segue o texto cheio de emoção do dia que virou e eu quase morro, obrigadaaaaa lindosss❤️] Hoje é um dia muito louco, eu to sentindo uma sensação tão estranha, um que de felicidade, dever cumprido, um aviso de Deus que tá só comecando… Mas ao mesmo tempo medo: de quebrar a cara, de decepcionar, de não ser isso. Hoje eu analiso e vejo o quanto que Deus é perfeito em todos os detalhes, ele prepara tudo de uma forma tão deslumbrante, que eu nunca poderia imaginar. Eu realmente não sei meu dia de amanhã, n sei como vou estar, n sei os planos Dele, mas sei que tem algo grandioso pela frente, talvez em outro sentido tb, porém ,independente, Ele tá aqui comigo e tem um plano. Não são 10mil seguidores, são conexões, sonhos, dedicação… se falam tanto da minha luz tenho certeza que tem um propósito nisso.

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Como o seu público é na maioria jovem, a digital influencer destaca que tem ciência da responsabilidade nos conteúdos compartilhados. “Sei que eu tenho um papel social com 5, 10 ou 100 mil seguidores, eu sei da minha responsabilidade, por isso, tento produzir conteúdo que as pessoas possam levar para a vida toda”, disse.

Sobre o cenário para as “influencers de Feira”, Julia acredita que muitas não são valorizadas como deveriam. “É um cenário bacana, tem muita gente boa que cria conteúdo, mas, eu acho que as pessoas daqui mesmo não dão tanta relevância, sabe? Tem muitas pessoas produzindo conteúdos muito, muito bons. Feira tem muita gente boa, só falta as pessoas conhecerem, buscarem mais, valorizarem mais”.

Apesar de gostar do que faz, ela reconhece desafios. “Por trás dos rostos bonitos e felizes nos stories tem um bastidor bem cansativo, não é só colocar e tirar roupa, tem que ser criativo pra ter ideias diferentes, roteirizar, gravar, editar, na hora de postar tem a preocupação com a estética… são muitas coisas que depois do resultado passa batidos”, revela.

O que Julia mais gosta de em Feira? “Acho que a melhor coisa de Feira é o aconchego, de se juntar com os amigos na casa de um deles, tomar um açaí na São Domingos, sair à noite pra jantar. Feira tem aquele aconchego de interior, mas com um boa infraestrutura. Pra feira ser perfeita só faltou uma praia, seria meu sonho”.

Se você ainda não seguiu, pode acompanhá-la através do seu perfil no Instagram, @julia.mel

Feira de Santana / 15 de dezembro de 2022 - 07H 30m

Uefs realiza colóquio de Estudos Literários até sexta-feira (16)

A Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) realiza até esta sexta-feira (16) o 14º Colóquio do Grupo de Estudos Literários Contemporâneos (Gelc), o 9º Colóquio do GPLR e a 7ª Jornada do GpbiOH. Os eventos que têm como tema “Sertão e Literatura: memória, história, identidade, etnia, economia, desigualdade” está sendo realizado no formato híbrido e transmitido através do canal no YouTube do Programa de Estudos Literários (Progel) https://www.youtube.com/@pos-graduacaoemestudoslite8342.

A mesa de abertura ocorreu na manhã desta segunda-feira (12) no Campo do Gado Novo, em Feira de Santana. “”Nós estamos em um espaço que representa o tema que é sertão e literatura e que homenageia também o livro que foi estudado este ano ‘Fidalgo e vaqueiros’, de Eurico Alves Boaventura”, afirmou o coordenador do Gelc, Adeítalo Manoel Pinho. A cerimônia ainda contou com a presença do coordenador do Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários (Progel), Idmar Boaventura Moreira. A atividade pode ser assistida no endereço https://www.youtube.com/watch?v=YDJMVjezCUU.

A programação dos eventos conta com palestras sobre a banalização da violência sobre o corpo negro feminino no conto “Maria”, de Cnceição Evaristo, as personagens femininas em “Torto arado”, de Itamar Vieira Junior, e considerações sobre a coletância “Escritoras brasileiras do século XIX”. Os encontros ainda incluem o lançamento de diversos livros. Todas as atividades estão disponíveis no site gelcuefs.blogspot.com.

DICAS DO BLOG / 28 de outubro de 2022 - 18H 30m

5 restaurantes temáticos para conhecer em Feira de Santana

Todo mundo tem um bar, um restaurante e um espetinho preferido, mas sempre é bom experimentar lugares diferentes – principalmente aqueles descolados e que têm um ambiente único. Por isso, o Blog do Velame elaborou uma lista com 5 opções temáticas. Do country ao havaiano, tudo com show no cardápio e na decoração.  Confira:

TACO BURGUER  (@TacoBurgueer)
Localizado na avenida Artemia Pires, o Taco Burguer é um espaço que homenageia a série mexicana Chaves, um dos maiores sucessos da TV aberta brasileira. O local é todo decorado com imagens dos personagens da série. No cardapio, há pratos e petiscos com nomes inspirados nos personagens do seriado, como o sanduiche mexicano Chapolin e o hamburguer artesanal Seu Madruga. Tacos, nachos, burritos e outras iguarias da culinária mexicana são encontrados no variado cardápio.

MAYLI POKE HOUSE (@MayliPokeHouse)
Localizado na rua Itapema, no Sim, o Mayli oferece o conceito de comida havaiana, que tradicionalmente é um tipo de comida saudável, leve e fresca. O ambiente é aconchegante, praiano, que remete ao Havaí.  No cardápio, destaque para o poke Aloha que leva salmão maçaricado em cubos acompanhado de abacaxi, brócolis e finalizado com cream cheese e alga nora.

SÃO JOGUE (@SaoJogueFeira)
Jogue comendo, coma jogando. Esse é o lema do bar dedicado aos jogos de tabuleiro. Localizado na rua Marechal Castelo Branco, o cardápio oferece jogos clássicos, como Banco Imobiliário, War e Uno e delicias como burguers artesanais, hot dogs gourmet, wafles e milk shakes.  A taxa de jogos custa R$ 15 por pessoa  e você pode curtir quantos títulos quiser.

O RANCHO (@ORanchodaLoja)
Bar com a temática country localizado na avenida Fraga Maia, O Rancho oferece além, de um espaço que remete a época do Velho Oeste, muita música. No cardapio, os dinks chamam atenção. Destaque para o Texas Boot, que é servido dentro de uma bota. O local ofecere também um menu variado de petiscos e espetinhos, uma das paixões do feirense. Funciona sexta e sábado das 18h às 3h e segunda das 18h às 00h30.

A PRAINHA (@Aprainhafsa)
Quem disse que Feira não tem praia? Localizado na avenida Fraga Maia e aberto todos os dias, o bar funciona com música ao vivo e tem como diferencial a decoração que simula uma praia na Princesa do Sertão. Sombreiros, areia, pranchas de surf e coqueiros ajudam a dar o ar praiano do local. O cardápio conta com camarão, caldo de sururu e queijo coalho para fazer você se sentir de férias no litoral.

Feira de Santana / 09 de setembro de 2022 - 08H 05m

Belgo Bekaert promove noite com exposição de retratos e exibição de filme com histórias dos moradores de Feira de Santana

Uma noite onde os moradores de Feira de Santana, ao mesmo tempo, serão homenageados e artistas. Essa é a proposta do evento que acontecerá no sábado (10), às 18h30, no Mercado de Arte Popular, com patrocínio da Belgo Bekaert Arames, por meio da Fundação ArcelorMittal. Trata-se da abertura da exposição “Moradores | Feira de Santana”. Além de serem os protagonistas dos retratos – em grande formato – que compõem a exposição na Praça João Pedreira, na Avenida Getúlio Vargas, os moradores também são personagens do filme curta-metragem que trará histórias da cidade contadas por eles próprios.

Essa será a continuidade da edição do Projeto Moradores – A Humanidade do Patrimônio, que vem sendo realizado na cidade e visa valorizar as memórias afetivas e as histórias dos moradores de Feira de Santana como o maior patrimônio que a cidade pode ter. No início do mês de agosto foi montada uma tenda na Rua Sales Barbosa, quando cerca de 120 pessoas foram fotografadas e puderam contar uma trecho de sua história com Feira de Santana.

 É exatamente a partir desse material registrado que foi possível montar a exposição, que contará com retratos dos moradores em grande formato (12 painéis de 4m x 2 m) e que ficará montada na Praça João Pedreira, na Avenida Getúlio Vargas (no trecho em frente ao Mercado de Arte Popular), até o dia 16/09.

Além da exposição, também será exibido o filme documentário “Moradores | Feira de Santana”, com aproximadamente 30 minutos de duração. Um varal fotográfico também será montado, onde todas as pessoas que participaram das gravações poderão retirar gratuitamente uma cópia de seu retrato, como sendo um singelo gesto de agradecimento por terem participado. Essas ações também farão parte do encerramento do primeiro dia de programação da Mostra da Diversidade Cultural, promovida pela Belgo Bekaert e pelo Favela É Isso Aí.

“Como uma ‘moradora’ de Feira de Santana, há tantos anos, a Belgo Bekaert tem muito orgulho em contribuir para a valorização da cultura e de personalidades que engrandecem a nossa cidade. Ouvir as histórias dessas pessoas e transformar isso numa grande exposição e um filme documentário, é uma maneira de contribuir com a valorização do amor das pessoas por Feira de Santana”, disse Tamylla Rosa, analista de Responsabilidade Social da Belgo Bekaert.

O projeto |

Moradores (www.projetomoradores.com.br) é uma produção da NITRO Histórias Visuais, de Belo Horizonte/MG. Criado em 2012, já passou por 5 estados brasileiros e 25 territórios. Fotografou e registrou a história de aproximadamente 4.000 pessoas. Foi reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como uma ação de sucesso em Educação Patrimonial.

A edição do Projeto Moradores em Feira de Santana tem o patrocínio da Belgo Bekaert da Fundação ArcelorMittal, via Lei Federal de Incentivo à Cultura.

Junto com a Mostra da Diversidade Cultural, o Projeto Moradores integra o programa Forma e Transforma, que atua em prol do desenvolvimento da cultura local, promovendo a formação artística e empreendedora, além de valorizar o patrimônio das localidades e estimular o desenvolvimento local por meio da arte e da cultura.

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