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(80) registro(s) encontrado(s) para a busca: Personagens de FeiraPERSONAGENS DE FEIRA: conheça a história da feirense que roda o Brasil cantando o hino nacional vestida de Maria Quitéria
Por João Guilherme Dias
Se tem algum evento importante em Feira de Santana, ela está sempre lá. Vestida de Maria Quitéria. Pronta para interpretar o Hino Nacional Brasileiro e o Hino à Feira. Trata-se de Juscelia Figueiredo da Silva, graduada em Música pela Universidade Federal da Bahia. Mas, você deve conhecê-la por um outro nome: Celiah Zaiin.
Ela é filha de Feira, mas os pais são de Serrinha e Biritinga. O pai, seu Olegário, foi um famoso professor de português e inglês. A mãe era diretora do educandário 2 de Julho. Aos 12 anos, sob forte influência da família, Celiah fez um seminário de música no Cuca. Tempos depois, já graduada pela UFBA, ela se tornou professora de teoria e percepção do Centro Universitário de Cultura e Arte.
PALESTRAS EM ESCOLAS
Celiah já passou por inúmeras escolas de Feira cantando e contando a história do Hino da nossa cidade. Foram mais de 20 mil estudantes. Depois de uma década levando cultura pelas escolas, uma professora questionou o motivo da cantora não se vestir de Maria Quitéria para interpretar o Hino. No primeiro momento, a reação de Celiah foi se assustar, mas foi aí que tudo começou. “Me lembro como hoje, fui sozinha na costureira, levei a foto dela [Maria Quitéria], estudei tudo sobre ela”, contou Zaiin.
A partir daí, Celiah começou a levar para os estudantes também a história de Maria Quitéria. A primeira escola que ela foi vestida da heroína feirense, foi o Municipal, contou ao Blog que jamais foi tão bem recebida, quanto naquele dia. “A maior mensagem que Maria Quitéria deixou pra mim, foi o fato de ela ser uma pessoa pronta. Conhecia plantas, sabia se virar no mato, sabia direção. Ela, hoje, é tudo que a gente precisa saber”, disse.
FALTA DE APOIO EM FEIRA
No início da sua jornada, cantando os Hinos vestida de Maria Quitéria, Celiah sofreu alguns ataques de pessoas da cidade, criticando a sua escolha. Então, ela passou a visitar outros municípios contando a história da heroína baiana. A cantora de Feira assumiu a imagem de Maria Quitéria no desfile do 2 de julho, em Salvador. Só que para ser confirmada, a feirense precisou ser sabatinada por alguns estudiosos. “Um deles falou pra mim, que eu, de fato, conhecia a história de Maria Quitéria e que eu amava o meu chão, você respeita muito a sua cidade”, revelou a cantora.
A RELAÇÃO COM MARIA QUITÉRIA
Celliah Zaiin já recebeu mais de 20 titulações de Academias do país. Ela recebe convites de diversos estados para cantar os Hinos e contar a história de Maria Quitéria. Na próxima semana, estará na quarta cidade mais antiga do Brasil, São Cristóvão, em Sergipe, para interpretar o Hino Nacional no I Simpósio de Confrarias e Academias de Letras. Em novembro, viaja para palestrar na Câmara de São Paulo. Inclusive, Celiah foi citada no livro ‘JN no ar’, pelo jornalista Ernesto Paglia, há alguns anos, como “a arara do sertão”. “É uma maneira de agradecer àquela geração [de Maria Quitéria] por ter feito o que eles fizeram por causa da gente”, finalizou Celiah Zaiin.
PERSONAGENS DE FEIRA: Conheça a história do filme feirense que teve mais de 100 mil cópias distribuídas
Texto: João Guilherme Dias
Vida Louca – a vingança do motoboy. Se você é de Feira de Santana, é muito difícil que não tenha assistido ou ouvido falar nesse filme genuinamente feirense. Dez anos depois da estreia desse clássico de Feira, o Blog do Velame conversou com Alvenir Mamona, um dos diretores da obra que foi vista em países como Bolívia e Itália.
“Muitos não acreditavam, muitos me chamavam de doido”. Com essas palavras Alvenir Mamona resumiu a sua relação com o cinema. Ele tinha 50 anos quando deu vida a Pablo nas telonas, um homem pacato que teve a rotina completamente modificada depois de reagir a um assalto enquanto trabalhava como mototaxista nas ruas de Feira.
O primeiro filme da trilogia foi lançado em dezembro de 2011, e contou com a participação especial de ilustres moradores de Feira, como Zé Coió e Dionorina. Três anos depois, em 2014, o segundo filme da “franquia” foi divulgado. E, para alegria dos feirenses,em breve, o ‘Vida Louca 3’ deve estrear. Além de Mamona, o cineasta Chico Oliveira também faz a direção do longa.
O personagem principal dos filmes é um mototaxista, ou como os feirenses chamam, motoboy. “O motoboy ‘tá’ sempre levando uma pessoa, então ele se envolve em várias situações”, explicou Mamona, ressaltando que o objetivo do ‘Vida Louca’ é gerar discussões sobre o uso de drogas.
O filme fez tanto sucesso, que logo depois de seu lançamento, era possível encontrá-lo com facilidade em qualquer lugar do Centro de Feira. Segundo o diretor, cerca de 100 mil cópias do primeiro filme foram distribuídas.
Acontece que, diferente do que muita gente acha, as atuações cinematográficas de Alvenir, não começaram com ‘Vida Louca’. Há 14 anos, ele foi convidado para protagonizar um filme chamado ‘Doce Fel’, contudo, alguns problemas fizeram com o que o longa jamais fosse lançado.
PRODUÇÃO INDEPENDENTE
É sabido o quão desafiador é colocar no mercado uma produção cinematográfica. E Alvenir com os seus parceiros conseguiu estrear, até agora, dois filmes. “Mesmo sem recurso, sem condição financeira, sem ser um empresário, podemos sim, buscar e realizar projetos. O primeiro filme que ‘teve’ mais de 100 mil cópias em Feira, foi o nosso. E isso foi com muita luta”, contou.
Alvenir até tentou entrar na política, mas não teve êxito. Agora, ele disse que quer se dedicar somente à arte, não quer mais saber de política. “Vou me dedicar aos meus projetos, aos meus filmes. ‘Tô’ com três histórias [de novos filmes] aí. Vamos fazer oficinas de teatro, treinando novos atores”, finalizou.
COMO ASSISTIR?
Se você ainda não viu nenhum dos dois ‘Vida Louca’, ambos estão disponíveis no YouTube. Alvenir Mamona prometeu ainda criar um canal para disponibilizar entrevistas, cenas exclusivas e novos conteúdos
PERSONAGENS DE FEIRA: O escritor feirense que descobriu o talento no WhatsApp
Por Rafael Velame
As crônicas dele deveriam ser leitura obrigatória para quem quer entender Feira de Santana de verdade. Alan de Sá, feirense formado em jornalismo, é uma promessa da literatura. Criado no Parque Lagoa Subaé, bairro pobre onde a realidade bateu na porta logo cedo, viu conhecidos morrendo por causa do tráfico. Uma realidade que moldou a sua visão de mundo. Talvez por isso, seus textos sejam marcados por excessos – de palavrão, de sarcasmo e de duras verdades. Do primeiro livro lido, somente aos 15 anos, até se descobrir escritor, por conta de um grupo de WhatsApp, aos 18, Alan sabe que seu destino poderia ter sido diferente. Viveu as dificuldades de ajudar a mãe que foi ambulante na Salles Barbosa e lá passou a conhecer pessoas, perceber trejeitos e ver como era o que ele chama de “feirense médio”. Vivências que virariam crônicas publicadas e muito compartilhadas no Facebook. Atualmente Alan trabalha em uma grande agência de publicidade em São Paulo e, apesar das dificuldades, já publicou “Marani”, seu primeiro romance e a obra de suspense e terror “Lago Aruá“. Paralelamente ele defende o movimento literário Sertão Punk, que você vai conhecer melhor na entrevista abaixo onde assuntos como racismo no meio literário e afrofuturismo também são abordados.
Quando surgiu o desejo de ser escritor? Como você se descobriu escritor?
Foi um processo meio estranho e demorado. Eu comecei lendo tarde, li meu primeiro livro na vida aos 15 anos, ainda no ECASSA. Me apaixonei pela leitura nessa época, mas a escrita em si veio anos depois, já com 19 pra 20 anos. Nessa época eu já tinha terminado o ensino médio e não estava arrumando emprego, então passava muito tempo em casa. Acabei entrando em um grupo de Whatsapp junto com uma galera de vários estados do Brasil e todo mundo curtia as mesmas coisas que eu: filmes, séries, animes, livros, etc. Resolvemos fazer uma brincadeira de criar personagens pra cada um do grupo. A galera curtiu e decidimos criar uma história com todos. Eu era um dos responsáveis por juntar todas as histórias em uma só. Acho que foi mais ou menos por aí.
Onde foi criado em Feira, como foi a infância?
Eu nasci em Feira de Santana, mas passei uma parte da minha infância em São Paulo, até os oito anos. Meus pais já tinham uma vida estabelecida na cidade. Minha mãe era costureira e meu pai, pintor. Eles usavam as economias, dinheiro de FGTS, férias, essas coisas, pra construir a casa em Feira. Quando voltamos, em 2003, já tava tudo mais ou menos pronto. Daí em diante vivi a maior parte da minha vida no Parque Lagoa Subaé.
A gente sempre foi pobre. Um pouco menos do que a grande maioria das pessoas pobres do Brasil, porque tínhamos nossa própria casa, minha mãe trabalhava com carteira assinada, meu pai tinha o emprego dele, mas nada nunca foi realmente fácil. Já passamos por vários apertos na vida, mas sempre estávamos ali um pelo outro, todo mundo se ajudava como podia e até hoje é assim. Por um tempo, o Parque Lagoa foi um bairro mais perigoso do que é hoje. Vi muitos pivetes morrerem cedo demais por causa de droga, facção, crime. Gente de 12, 15 anos, que nem tiveram tempo de mudar de caminho e ter alguma oportunidade, como eu tive. Isso moldou muito da minha visão de mundo, porque o pensamento coletivo ficou ainda mais forte na minha mente.
Eu sempre curti desenhar e isso era um passatempo massa pra mim. Depois de um tempo trabalhando como costureira, minha mãe comprou uma barraca na Salles Barbosa em 2007, que existia até o dito cujo do prefeito resolveu derrubar pra favorecer empresário mineiro e acabar com o sustento e a história de milhares de pessoas na cidade. Lá foi que comecei a aprender os caminhos do centro, conhecer pessoas, perceber trejeitos das pessoas e ver como era o “feirense médio”. Sempre que ficava com a coroa, e quando a gente conseguia vender alguma coisa, pegava uma parte da grana e juntava pra comprar materiais de desenho na Maskat e na banquinha de jornal em frente a Prefeitura. Isso me fez querer trabalhar com design por muitos anos. Acabei fazendo Jornalismo na FAT. Coisas da vida, né. Mas não me arrependo de maneira alguma.
Fiz o final do fundamental 1 no Luciano Ribeiro Santos, uma escola municipal lá no Parque Lagoa mesmo. Depois, fui pro ECASSA, onde fiquei até o fim do ensino médio. Quando entrei, Artemízia ainda era a diretora, botava medo até na galera do terceirão. Foi lá também que fiz meus melhores amigos, que estão comigo há anos e já são parte da família, verdadeiros irmãos que ganhei com a vida, mesmo tendo, também, meus irmãos de família. Bati muito de frente com Lúcia Branco, diretora da escola, por conta de várias e várias situações de descaso da gestão da escola com o próprio patrimônio e a educação. Já fiz abaixo assinado pra tirar ela de lá, brigamos muito e, até a última vez que fui lá (em 2018, não lembro), ela sequer olhava na minha cara direito. Ainda bem.
Por que foi pra São Paulo?
Eu trabalhava com publicidade numa agência de Feira, tinha acabado de terminar a faculdade. Não tinha muitas pretensões de sair, porque, bem ou mal, eu gosto de Feira. Mas aí uma vizinha viu uma publicação de um processo seletivo pra jovens criativos de uma agência de São Paulo, a Wieden+Kennedy. Até então, não conhecia nada da agência, mas depois descobri que se tratava de uma das maiores e mais relevantes do mundo, responsável por várias campanhas icônicas pra Nike. Resolvi tentar. Depois de um mês de processo seletivo, fui um dos selecionados pro programa. Além de mim, mais duas pessoas da Bahia entraram: Caíque, fotógrafo de Madre de Deus; e Larissa, estudante de jornalismo da UFBA, mas que é natural de Uruçuca. No total foram seis: tinham mais duas pessoas de Brasília (Lara, publicitária; Luiz, fotógrafo e diretor de arte) e Taís, ilustradora de São Luiz, no Maranhão.
A gente passou nove meses trabalhando na Wieden+Kennedy, aprendendo sobre publicidade e fazendo projetos internos, enquanto morávamos num hostel. Foi um período bem intenso, com vários altos e baixos pelo caminho. Foi durante esse período que vi o quanto o mercado aqui era mais organizado que Feira, além das oportunidades de crescimento serem maiores. Resolvi ficar pra ter uma grana a mais e poder ajudar meus pais. Hoje, trabalho em outra agência, FCB Brasil, que também é uma empresa global e bem grande na área. No fim das contas, deu tudo certo.
O que é o Sertãopunk?
O sertãopunk é uma ideia. É mais fácil começar por aí. Uma ideia de como o Nordeste pode ser no futuro a partir de um ponto de vista nordestino. O sertãopunk começou depois de mim e mais dois amigos, Alec Silva e Gabriele Diniz, que também são escritores negros e nordestinos, levantarmos alguns questionamentos sobre como o a cultura da região era representada nas produções de ficção, fossem elas livros, filmes, séries, artes visuais, etc. Porque sempre o nordestino como, ou cangaceiro, ou matuto? Por que a estética da seca sempre atrelada ao Nordeste? Foi a partir de questionamentos assim que a gente começou a pensar no sertãopunk.
A gente tem uma região rica em biodiversidade, produção de energia limpa, com polos de tecnologia e geração de renda bem estabelecidos, a única baía inteiramente navegável do mundo (a Baía de Todos os Santos), alguns dos maiores portos do Brasil, fora toda a diversidade cultural, mais de 1900 territórios quilombolas, centenas de tribos indígenas e presença constante nas maiores e mais relevantes revoltas populares da história do Brasil. O Nordeste não é só o carnaval de Salvador, seca e Lampião.
Foi pra isso que pensamos o sertãopunk, pra ser uma ideia pra todo mundo que quer se expressar contra esses estereótipos e xenofobia construídos historicamente. Através de qualquer tipo de arte: música, grafite, literatura, o que for. A partir daí, dar uma nova cara pras possibilidades de Nordeste no futuro.
Quais livros já publicou?
Publiquei Marani, meu primeiro e único romance, até então, em 2017. Em 2019 lancei O Lago Aruá via financiamento coletivo pelo Catarse, mas esse é menor, entre um conto e uma novela. Entre esses dois eu participei de alguns projetos coletivos com autores de vários estados do Brasil, além de colocar coisas avulsas na Amazon, no total. No total, são umas 10, 12 publicações. Meu último lançamento foi Abrakadabra, em 2020, direto na Amazon e já dentro da estética do sertãopunk. Além, é claro, da coletânea Sertãopunk: histórias de um Nordeste do amanhã, que traz o manifesto do movimento, além de artigos sobre pontos relevantes sobre o que a gente pensou e dois contos, um meu (Schinzophrenia) e o outro de Gabriele Diniz (Os olhos dos cajueiros), co-criadora do sertãopunk.
É difícil chegar até uma editora e publicar seu primeiro livro?
Existem diversos formatos de editoras por aí. Muitas usam um sistema de “pague pra publicar”, em que o autor paga por todo o processo editorial mais uma quantidade de livros, os caras fazem um trabalho meia-boca e depois somem, colocam o livro no site deles, nunca trabalham publicitariamente a obra, te fazem assinar um contrato criminoso e tu nunca vê a cor do dinheiro pelo teu trampo.
E tem as editoras tradicionais. Essas, sim, são difíceis de acessar, porque elas possuem um processo editorial mais sério e não costumam apostar em autores iniciantes de cara, justamente por ser dela todos os custos de produção e divulgação da obra, além de bancarem um adiantamento dos direitos autorais pro autor. Pra chegar nessas, das duas uma: ou tu é branco (se for do Sul ou de São Paulo, melhor ainda); ou é muito, muito bom.
Como foi o processo de criação do Lago Aruá?
O Lago veio depois de uma viagem que fiz com minha ex-namorada. Ela é de Salvador e a gente nunca tinha feito uma viagem junto. Uns amigos dela resolveram passar um final de semana numa casa na Lagoa do Aruá, na Reserva de Sapiranga, em Mata de São João. Resolvi ir com eles. Durante uns dois dias, algumas coisas meio bizarras aconteceram. Vi alí uma oportunidade de fazer uma história de terror a partir de um ponto de vista mais cru, que era o meu. Daí nasceu O Lago Aruá.
Você se define um escritor de que tipo?
Eu gosto de escrever tipos diferentes de literatura. Tem minhas crônicas, que geralmente tem um formato mais engraçado e que eu falo mais da cidade e das pessoas. E meus contos, que quase sempre são de terror e suspense.
Pro primeiro tipo de texto, eu sempre tento pensar “o que as pessoas fazem que ninguém percebe, mas que pode ser bom o suficiente pra virar um texto?” antes de escrever. Feira tem gente de todo tipo e isso é ótimo. Quanto mais diferente são as pessoas, mais fácil é de dar uma exagerada nas coisas e criar uma veia bem-humorada. Eu já fiz crônicas sobre o BRT, o velho do licuri e por aí vai.
Com os contos eu já tenho outra pegada. Acho que a literatura de terror tem um poder de sintetizar coisas muito relevantes e gerar um outro tipo de impacto sobre as pessoas. Por exemplo: O Lago Aruá fala de uma viagem de fim de semana, mas também fala sobre preconceito religioso, racismo, relacionamentos conturbados, descaso com o meio ambiente e por aí vai. Abrakadabra é sobre uma experiência em realidade virtual, mas também fala sobre as dores que corpos negros carregam, a criação do estereótipo de incapacidade sobre pessoas com deficiências e outras coisas. Então eu tento pegar todas as porcarias que rodeiam a gente e mostrar isso de uma forma que vai impactar a galera, nem que seja pelo susto ou pelo medo.
Feira de Santana te inspira de alguma forma em suas obras? Seja positiva ou negativa….
Sim, com certeza. Pra ambas. Eu gosto de Feira de Santana, por ser uma cidade com gente de todo o canto, em que a cultura popular tem uma força enorme na fundação do tipo feirense e por aí vai. O que eu não gosto é de quem gere a cidade, desses coronéis de meia-tigela que tratam Feira como se fossem a casa deles. Você sabe de quem eu tô falando. A experiência negativa vem daí: da violência que desgraça a cidade, a falta de estrutura social, saúde e educação públicas de qualidade, entre outros vários problemas. Isso também me inspira porque não posso deixar os problemas da cidade alheios ao que eu faço.
Quando a gente, que produz algum tipo de arte, seja literatura, música, artes visuais, o que for, não aponta as doenças sociais, estamos negando que elas existem. Não tem essa de “arte sem politicagem”, a arte é política e o ser humano é um ser político. Política não é só partidária. Se não contextualizamos as coisas e mostramos os erros da sociedade, somos coniventes. Isso legitima que isso continue acontecendo.
Existe racismo na literatura brasileira? Você já sentiu isso na pele?
O racismo brasileiro é estrutural. Ele sempre vai estar presente em qualquer lugar porque a nossa sociedade foi fundamentada assim, com racismo. O meio literário não é diferente. No meu caso, principalmente depois que começamos a trabalhar no sertãopunk, houveram situações que não só minhas falas, quanto as de Alec e Gabriele, que são também negros, foram desvalorizadas e apagadas por pessoas brancas. De forma intencional.
Uma das bases pro sertãopunk é o afrofuturismo, justamente porque a gente entende o peso que a cultura africana teve na história do Nordeste, não só por sermos negros, também. O fato de três negros e nordestinos questionarem várias atitudes do próprio mercado editorial, como nós fizemos – mercado esse que é inundado de pessoas brancas, bem de vida e, na grande maioria, do Sul e do Sudeste – gerou um incômodo no mercado e algumas inimizades que nos perseguem até hoje.
Mas é aquela coisa, né: se gente ruim não gosta do que eu falo ou faço, eu fico feliz.
É mais difícil ser reconhecido como escritor de sucesso sendo nordestino, de Feira de Santana?
É difícil ser escritor num todo, porque o mercado é uma bagunça daquelas. Quando a gente vai colocando as camadas minoritárias e sociais no jogo, vai ficando pior. Ser escritor, do interior do nordeste, pobre e negro é complicado. Mas se for uma mina nas mesmas condições, é ainda mais. Se for indígena, quilombola, ribeirinho, também. Por aí vai. Pra quem tá de fora pode até pensar que é “lacração” desnecessária ou exagero. Obviamente que existem, sim, grandes escritores nordestinos, negros e mulheres, também. Mas nessas horas, a gente tem que pensar no todo: qual a cor das pessoas que comandam as editoras, que editam as histórias, que trabalham com a divulgação delas e que fazem resenhas, reviews e por aí vai? Como funciona esses processos até chegar em uma editora ou no mercado?
Quando tu tá no jogo, vê que muita gente (muita gente mesmo) entra no mercado sem qualquer mérito. Escrevendo mal, com posicionamentos questionáveis, mas que tá ali porque é amigo de não sei quem, parente de fulano, estudou na mesma faculdade que sicrano, etc. A a paleta de cores dessa brincadeira aí é branca. Hoje, não sinto tanto isso porque já tô mais estabelecido (e, curiosamente, a maior parte dos meus leitores são de fora do Nordeste). Mas, pra quem tá começando, é, sim, complicado.
Acho que Feira de Santana tem um potencial de contação de histórias enorme. A gente tem história e tradição na literatura de cordel. Uma das primeiras coisas que li, antes do meu primeiro livro, foi um cordel, sobre Lucas da Feira, escrito por Franklin Machado, que tá em minha casa em Feira até hoje. O que falta é a própria cidade começar a olhar com mais atenção pra quem produz cultura em casa.
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PERSONAGENS DE FEIRA: Conheça a história do maior incentivador da astronomia em Feira
PERSONAGENS DE FEIRA: Conheça a história de Virna Jandiroba
Por João Guilherme Dias
Tenho certeza que você já ouviu esse nome: Virna Jandiroba. Pois é, a história dela que a gente vai conhecer nessa semana na série de reportagens do Blog do Velame sobre personagens de Feira de Santana. Virna nasceu em Serrinha, mas, disse que é uma feirense do coração, que nasceu em 1988.
A sua infância foi tranquila, marcada por timidez, Virna contou que na escola até chegaram a pensar que ela tinha dificuldade para falar, mas, a explicação era outra, “eu vivia no meu mundo”. Contudo, ao chegar na adolescência isso mudou um pouco, a lutadora brinca que, “aprontei um bocadinho”.
Virna explica que foi criada dentro das artes marciais, a primeira experiência foi aos 12 anos, no Kung Fu, mas, ela não demorou muito por lá, a turma era toda formada por meninos e o machismo, fez com que a jovem atleta saísse do Kung Fu. Foi para o Judô, também não ficou muito tempo, logo foi convencida por um professor de Jiu Jitsu que ela tinha jeito pra coisa. Aceitou, o professor foi certeiro, a adolescente exclamou que o novo desafio, “foi amor à primeira vista”.
Já na fase adulta, mais uma migração, a serrinhense foi pra o MMA, com só dois meses já estava competindo. A partir daí, as dificuldades que a maioria das mulheres, nordestinas e atletas, enfrentam: desvalorização. Virna não encontrava adversárias no Norte e Nordeste, e a grana era pouca para competir no eixo Sul-Sudeste.
Entre os anos de 2014 e 2015, Jandiroba se mudou definitivamente para Feira de Santana – antes ela ia e voltava todos os dias de Serrinha, para treinar e para fazer a graduação na UEFS – a mudança era pra aumentar ainda mais a sua performance profissional.
Em março de 2018, lutando nos Estados Unidos, a serrinhense venceu o cinturão peso-palha do Invicta FC, “a passagem pelo Invicta foi determinante para o meu amadurecimento”. Mal sabia Virna que pouco mais que um ano depois de ganhar o cinturão, ela iria estrear no Ultimate Fight Championship.

Foto: Reprodução
Falando em UFC, o convite veio só com 20 dias de antecedência para a luta, Virna não titubeou e aceitou o desafio. Infelizmente, a estreia veio com derrota, “fiz uma boa luta, mas, foi definida no detalhe”, conta a lutadora. No final daquele ano, mais um combate no UFC, esse, Virna venceu.
Já durante a pandemia do novo coronavírus, mais uma luta, desta vez, a feirense do coração estava realizando um sonho: lutar em Las Vegas, nos Estados Unidos. Mas, não foi só isso, Virna deu show e finalizou com tranquilidade a americana, Felice Herrig, e mais, ganhou o bônus como a performance da noite.
E ainda tem mais, Jandiroba entrou para o ranking do UFC, ela disse que “entrei pro jogo, nos mostramos para o mundo”. Só que Virna quer mais, muito mais, “nunca escondi a minha ambição de estar entre as melhores e disputar o cinturão”, afirmou.
Você deve ter reparado que não citei uma vez sequer o famoso apelido de Virna, ‘carcará’, pois é, a história desse apelido merecia um parágrafo específico. Ela explica que pensou muito em qual apelido utilizar, “eu queria algo que representasse o sertão”, um amigo sugeriu: ‘carcará’. Caiu como uma luva, “a ave tem características muito fortes, imponente, usa a adversidade para o desenvolvimento”, disse Virna ‘Carcará’ Jandiroba.
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A Virna dos octógonos, a gente já conhece, mas e a Virna fora deles? “Gosto de estar com os meus amigos, de ler, assistir filmes, eu gosto de fazer coisas que me desafiem, tô sempre buscando coisas novas, agora mesmo, estou aprendendo a tocar teclado”. Nessa pandemia, a ‘carcará’ disse que está sentindo falta de jogar boliche com os amigos.
Ao ser questionada sobre o que mudaria em Feira, Virna respondeu que não só aqui, mas, em todo o Brasil, “o incentivo ao esporte, sobretudo, na base, as pessoas têm direito de praticar o esporte”, finalizou. Valeu, Virna! Como você disse em Las Vegas, “deixem o carcará voar!”.
PERSONAGENS DE FEIRA: Conheça a história do maior incentivador da astronomia em Feira
Por João Guilherme Dias
e-mail: jguilherme.dias1@gmail.com
Você sabe como o Observatório Antares foi criado? Sabia que o seu idealizador também ajudou a fundar o Museu Parque do Saber? E que essa mesma pessoa já foi à NASA e até à Antártida? E que ele é um feirense? Pois é, a história que a gente vai conhecer nessa semana na série de reportagens do Blog do Velame sobre personagens de Feira de Santana, é de Augusto Cezar Pinheiro Orrico, nascido em 1952. Falando em história, esse feirense tem é história pra contar.
A sua infância e adolescência foi tranquila, estudou no Colégio Santanópolis, se formou em Matemática na Universidade Estadual de Feira de Santana, mas queria mesmo era estudar Física, para depois, conseguir eliminar algumas disciplinas no tão sonhado curso de Astronomia. “Mas, a UEFS ainda não ofertava esse curso. Física só veio aparecer uns 20 anos após matemática, então, foi o curso mais ligado a minha área”, conta.
Mesmo com as dificuldades naturais de quem vive em uma cidade do interior, o sonho de Cezar de trabalhar com Astronomia jamais foi deixado de lado. O sonho começou a virar realidade quando ele criou uma Fundação para arrecadar recursos para a construção do Observatório Astronômico Antares. Deu tudo certo e em setembro de 1971, o equipamento foi inaugurado. O feirense explica que contou com doações de muitas pessoas – durante a entrevista Cezar não se arriscou a citar nominalmente cada colaborador, pra não esquecer de ninguém, mas ressaltou que “as pessoas deram muito de si”.

Observatório Astronômico Antares (Foto: Arquivo Pessoal)
A jornada para a construção do Observatório Antares não foi nada fácil, Orrico e outros entusiastas bateram em diversas portas de empresários de Feira de Santana pra tentar algum apoio na construção. “Nós passamos 22, 23 anos pra chegar ao ponto que ele chegou, foi um processo muito lento”. Em março de 1992, o Observatório foi doado para a Universidade Estadual de Feira de Santana. Esse era o desejo de Cezar, construir o equipamento e cedê-lo à UEFS. “O interesse era observar as estrelas muito mais próximas, através do telescópio e compreender o universo”, revela.
Entretanto, Orrico ainda não estava satisfeito. Ele foi além e idealizou o Museu Parque do Saber. Construído pela Prefeitura de Feira de Santana e inaugurado em 2008, o equipamento conta com um dos planetários mais avançados do mundo e o primeiro a ser instalado na América do Sul.
Para um apaixonado por astronomia, a NASA é o paraíso. E ele já perdeu as contas de quantas vezes esteve por lá. “Quatro ou cinco vezes”, diz. Na primeira vez, foi convidado por um funcionário brasileiro para visitar o local. A visita rendeu tanto, que o feirense chegou a ver Neil Armstrong – o primeiro homem a pisar na Lua. “Não cheguei a cumprimentá-lo porque estava com capacete e em treinamento, mas o vi sim, conheci muitos astronautas e funcionários de alto escalão”, revela Cezar.

(Foto: Arquivo Pessoal)
O feirense já morou nos Estados Unidos, passou pela Europa, foi na China e até em Dubai. “Andei meio mundo para me inteirar, descobrir como tudo funcionava”.
Por duas vezes, o feirense foi à Antártida, em uma dessas viagens ao continente gelado, foi convidado por um cosmonauta russo para visitar as instalações do país. “Eu aceitei, e fui, na primeira vez pela Marinha e na segunda com a FAB”.

O feirense na Antártida (Foto: Arquivo Pessoal)
Orrico além de diretor do Observatório, fundou a antiga rádio Antares FM, foi presidente da Fundação Egberto Costa e trabalhou na Superintendência de Estudos Econômicos. Ao ser questionado sobre o seu sentimento ao ver o que o Observatório Antares representa hoje para a astronomia baiana, Cezar se emocionou. “A minha passagem pela terra não foi inútil, eu plantei uma semente”. Obrigado pelo seu entusiamo com a Astronomia, Cezar. Feira agradece!
PERSONAGENS DE FEIRA: O feirense da seleção brasileira que virou a voz do Joia da Princesa
Por João Guilherme Dias
e-mail: jguilherme.dias1@gmail.com
O nome dele é Kleber Costa Vitória, mas, ele é bem mais conhecido como Klebão. Nascido no ano de 1961, esse feirense tem muita história pra contar. Viajou o mundo jogando basquete, virou a voz do estádio Joia da Princesa, deu aula de recreação, foi treinador e DJ. Nesta semana, na série de reportagens do Blog do Velame sobre personagens de Feira de Santana vamos conhecer mais sobre a história desse craque da vida.
A sua infância foi tranquila, sempre muito ligado em esportes. Aos 13 anos ostentava seus 1m81cm de altura pelas ruas de Feira quando chamou a atenção de um treinador de basquete. “Menino, você quer jogar basquete?”. Assim começou sua história jogando pelo Feira Tênis Clube.
https://www.facebook.com/djklebao.vitoria/videos/959748877457386/?sfnsn=wiwspwa&extid=vONbHxQIWLqoZRsf&d=w&vh=i
Um ano depois, e já com mais de dois metros de altura, o promissor jogador feirense estava em São Paulo, jogando na equipe do Corinthians. Ao longo da carreira, Klebão jogou em clubes da Bahia, São Paulo e Pará. Além disso, disputou partidas em países como, Estados Unidos, Argentina, Kuwait, Equador e orgulhou Feira ao ser convocado para as seleções brasileira juvenil, adulta e master. Foi vice-campeão mundial juvenil representando o Brasil.

Mundial Master, Orlando/EUA (Arquivo Pessoal)
Depois de longos anos fora de sua cidade natal, Klebão voltou para Feira. Parou com o basquete profissional, mas não abandonou os estádios. Quem frequenta o Joia da Princesa certamente já teve ter escutado o famoso bordão, ‘segura galera’. Klebão é o novo da voz do serviço de auto-falante do estádio. “A Voz da Princesa foi fundada pelo meu pai, Antônio Alves Vitória. Com o falecimento dele assumi o lugar, o ‘segura galera’ é para entre uma publicidade e outra chamar atenção do torcedor. Costumo falar também ‘segura que quero ver’ e ‘tem gol’, tudo isso surgiu naturalmente”, conta.
Há alguns anos, o eclético Klebão virou o cobiçado DJ Klebão. “Sempre joguei basquete, depois comecei a fazer eventos completos não só com DJ, mas também fazendo a festa completa”, revela. Sobre o período de paralisação nas suas atividades profissionais por conta da pandemia, o DJ afirma que tem tentado se reinventar e ressalta que o segmento deve ser um dos últimos a retornar.

(Arquivo Pessoal/Facebook)
Klebão é um personagem de Feira. Atleta, artista, apaixonado pela Princesa do Sertão. Conheceu o mundo, mas Feira é o seu lugar. “Sentia muita saudade nos anos que passei fora da cidade. O que mais gosto em Feira é o centro, porque se encontra tudo por lá”. O que mudaria em Feira? “A valorização do esporte em todas as categorias com competições promovidas pelos poderes públicos”. Obrigado, Klebão.
PERSONAGENS DE FEIRA: A digital influencer que tem conquistado os jovens feirenses
Por João Guilherme Dias
e-mail: jguilherme.dias1@gmail.com
Para ela, lembrar do passado – que nem é tão distante assim – é ver que tudo valeu a pena. Ela? Júlia Mel Sena Lopes de Santana ou simplesmente Júlia Mel, uma digital influencer feirense de 18 anos, que já conta com quase 13 mil seguidores no Instagram.
Julia estreia uma série de reportagens do Blog do Velame com o tema “personagens de Feira”, onde a cada semana, um convidado será entrevistado esclarecendo dúvidas, dando dicas, contribuindo com o seu conhecimento acerca dos temas propostos.
Os influenciadores são um fenômeno na internet porque tem capacidade de lançar tendências, mudar opiniões e comportamentos. A influenciadora feirense faz parte de um grupo chamado de microinfluenciadores, que são os influenciadores digitais que têm entre 10 mil e 100 mil seguidores em seus canais ou redes sociais.
A feirense começou nas redes sociais bem cedo, aos 13 anos já tinha um blog com algumas amigas, era só uma brincadeira, mas hoje, as redes sociais de Júlia viraram coisa séria, e Instagram ela já conta com muitos fãs. No perfil, Júlia produz conteúdo sobre moda, maquiagem, beleza e dá dicas de séries e filmes. Ela conta que tenta diversificar ao máximo as coisas que diariamente posta. “Eu tento manter uma plataforma bem diversa pra agradar vários públicos e de diferentes idades”.
Estudante de direito da UEFS, ela ainda não vive exclusivamente do que posta. “Eu moro com meus pais ainda, porém as minhas despesas pessoais sou eu que arco. Estou deixando as coisas acontecerem. Vou para faculdade de direito, estou aguardando a Uefs voltar, pretendo no futuro conciliar as duas áreas”, contou.
Julia acredita que o caminho para se tornar uma influencer com sucesso financeiro é lento. “E é aquela coisa não é da noite por dia que você vai conseguir uma renda “perfeita”, é uma caminhada bem lenta pra isso”. Para ela, os amigos e seguidores são parte importante desse processo. “É uma rede de apoio muito significante, eles são simplesmente incríveis”, explica a ruiva.
Durante a entrevista, Júlia se mostrou muito agradecida a quem separa um tempo pra consumir o conteúdo que ela produz. “A maioria do meu público está entre os jovens, eles são bem fiéis, uma galera que dá muita opinião, eu faço conteúdo pensado no que eles querem ver, não tenho o que reclamar dos meus seguidores”, comemora.
Reinventar. Com essa palavra, é possível descrever o perfil de Júlia Mel no Instagram durante a pandemia do novo coronavírus, a feirense conta que com mais tempo livre, ela conseguiu colocar em prática algumas mudanças que ela pretendia realizar em suas redes sociais. Júlia ressalta que tem estudado bastante para apresentar um conteúdo de qualidade, passou a produzir vídeos e, claro, deu aquela organizada no feed.
https://www.instagram.com/p/CC1ziijhVlV/?utm_source=ig_web_copy_link
Como o seu público é na maioria jovem, a digital influencer destaca que tem ciência da responsabilidade nos conteúdos compartilhados. “Sei que eu tenho um papel social com 5, 10 ou 100 mil seguidores, eu sei da minha responsabilidade, por isso, tento produzir conteúdo que as pessoas possam levar para a vida toda”, disse.
Sobre o cenário para as “influencers de Feira”, Julia acredita que muitas não são valorizadas como deveriam. “É um cenário bacana, tem muita gente boa que cria conteúdo, mas, eu acho que as pessoas daqui mesmo não dão tanta relevância, sabe? Tem muitas pessoas produzindo conteúdos muito, muito bons. Feira tem muita gente boa, só falta as pessoas conhecerem, buscarem mais, valorizarem mais”.
Apesar de gostar do que faz, ela reconhece desafios. “Por trás dos rostos bonitos e felizes nos stories tem um bastidor bem cansativo, não é só colocar e tirar roupa, tem que ser criativo pra ter ideias diferentes, roteirizar, gravar, editar, na hora de postar tem a preocupação com a estética… são muitas coisas que depois do resultado passa batidos”, revela.
O que Julia mais gosta de em Feira? “Acho que a melhor coisa de Feira é o aconchego, de se juntar com os amigos na casa de um deles, tomar um açaí na São Domingos, sair à noite pra jantar. Feira tem aquele aconchego de interior, mas com um boa infraestrutura. Pra feira ser perfeita só faltou uma praia, seria meu sonho”.
Se você ainda não seguiu, pode acompanhá-la através do seu perfil no Instagram, @julia.mel
Programa Diversão em Cena apresenta musical “Maria vai com as Outras” em Feira de Santana neste sábado (15)
Se todo mundo vai para um lado, por que não experimentar o outro? Embalado por clássicos da MPB, o musical infantil “Maria vai com as Outras” convida o público a acompanhar a divertida jornada de uma cabrinha que decide deixar de seguir o rebanho para trilhar seu próprio caminho. Com duração de 50 minutos e classificação indicativa livre, a apresentação gratuita e acessível em libras será neste sábado (15), às 16h, na Praça da Kalilândia, no centro de Feira de Santana. O espetáculo integra a 16ª temporada do programa Diversão em Cena, promovido pela Fundação ArcelorMittal em parceria com a Belgo Arames.
Após ser ridicularizada pelas companheiras por sempre fazer exatamente o mesmo, a simpática cabra Mária recebe um sábio conselho de sua tia e decide se aventurar por novos caminhos. Ela vive, então, uma jornada repleta de descobertas e personagens muito engraçados que a ajudam a pensar de forma independente sobre suas escolhas.
A montagem propõe uma encenação poética e vibrante que tem como grande destaque a música cantada totalmente ao vivo. O enredo é embalado por clássicos da MPB, reunindo composições de nomes consagrados como Novos Baianos, Carlinhos Brown, Tom Zé, Raul Seixas, Rita Lee e Carlos Lyra. O texto inédito é do premiado dramaturgo baiano Gil Vicente Tavares, com direção artística de Marcelo Praddo.
Vencedora do edital de Salvador, a peça “Maria vai com as Outras” é um sucesso consolidado de público: no primeiro semestre de 2026, realizou duas temporadas de grande sucesso na capital baiana, somando 15 sessões completamente lotadas.
Este espetáculo é realizado com apoio da Lei Rouanet – Lei Federal de Incentivo à Cultura. Tem patrocínio da Fundação ArcelorMittal e da Belgo Arames e apoio da Prefeitura de Feira de Santana, por meio da Secretaria de Cultura. Realização: Mira Produções e Ministério da Cultura.
Mostraê
A partir das 14h30 o público também contará com a presença do Mostraê, coletivo de mulheres empreendedoras dedicado à valorização do trabalho criativo, artesanal e gastronômico. O grupo reúne expositoras que apresentam e comercializam uma variedade de produtos, como acessórios, brinquedos, souvenires, adereços e itens de alimentação artesanal, incluindo biscoitos, chocolates e cookies. A iniciativa busca fortalecer o empreendedorismo feminino, estimular a economia criativa e promover espaços de circulação e visibilidade para pequenos negócios locais.
Diversão em Cena
A Fundação ArcelorMittal criou o programa Diversão em Cena em 2010, em parceria com a Belgo Arames, com a proposta de democratizar o acesso à cultura. Desde então, mais de 1,3 milhão de pessoas já assistiram a cerca de 3 mil apresentações em 60 localidades.
Em 2026, serão 166 espetáculos gratuitos ou a preços populares, em 28 municípios de cinco estados: Bahia, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Toda a programação é viabilizada por meio de recursos das Leis de Incentivo e em parceria com produtores culturais.
“Em um país tão diverso como o Brasil, acreditamos ser essencial valorizar espetáculos que aproximem as pessoas das expressões artísticas e promovam o diálogo entre diferentes tradições. Buscamos garantir que a pluralidade cultural que nos define, une e transforma continue viva, acessível e valorizada por todos”, afirma a diretora-executiva da Fundação ArcelorMittal, Camila Valverde.
“Iniciativas como o Diversão em Cena ajudam a fortalecer vínculos, despertar a imaginação e criar experiências significativas para crianças e famílias. Acreditamos no poder transformador da arte como ferramenta de desenvolvimento social e de aproximação entre as pessoas”, conclui Clarisse Drummond, diretora de Gente, Cultura e Engajamento da Belgo Arames.
Além dos nomes tradicionais, Feira de Santana terá candidatos pouco conhecidos tentando conquistar uma vaga de deputado
A corrida eleitoral de 2026 também reserva espaço para candidaturas pouco conhecidas do grande público. Além dos políticos tradicionais e das lideranças já consolidadas, Feira de Santana terá representantes que apostam em nichos específicos, causas sociais e até em personagens criados nas redes sociais para buscar uma vaga na Câmara dos Deputados ou na Assembleia Legislativa da Bahia.
Entre os candidatos a deputado federal está Ylan Pablo, filiado ao Missão. Gamer e criador de conteúdo, ele utiliza a identidade de “Tempestade”, personagem que adotou como marca pessoal nas redes sociais e em sua campanha eleitoral.
Outro nome na disputa pela Câmara Federal é Ivan de Vavá (PDT), que concentra sua campanha na defesa da saúde da mulher. O candidato afirma que pretende atuar pela ampliação do acesso a exames, prevenção e atendimento especializado para o público feminino.
Também candidato a deputado federal, Baixinho dos Panos, do MDB, tenta ampliar sua atuação política após disputar uma vaga na Câmara Municipal de Feira de Santana nas eleições de 2020, quando concorreu ao cargo de vereador. Na eleição municipal, obteve 46 votos.
Na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa aparece MC Juninho, do PSDB. Cantor, ele se apresenta ao eleitorado como “Depy do Povo”, utilizando a música e as redes sociais como principais ferramentas de comunicação com seus apoiadores.
Outra candidata é Patrícia, do Patinhas de Rua, filiada ao União Brasil. Conhecida pelo trabalho voluntário em defesa dos animais em Feira de Santana, ela pretende transformar a causa animal em sua principal bandeira política, defendendo políticas públicas voltadas ao bem-estar animal e ao combate aos maus-tratos.
Já Beldes Ramos, ex-vereador de Feira de Santana pelo PT, retorna à disputa eleitoral, desta vez como candidato a deputado federal pelo Progressistas. Com experiência no Legislativo municipal, busca voltar à vida pública ocupando uma cadeira na Câmara dos Deputados.
Completa a lista Pastor Josué Brandão, candidato a deputado federal pelo PSDB. Conhecido em Feira de Santana por sua atuação religiosa e por episódios que repercutiram na cidade envolvendo questões familiares, ele agora tenta conquistar espaço na política em nível federal.
Feira Tem Teatro inicia nova temporada com musical ‘Ópera de Quarto’ nesta sexta e sábado
Com atrações musicais antes das apresentações, projeto celebra oito anos de trajetória e abre inscrições para participação de escolas
Reconhecido como um dos mais importantes projetos de formação de público e circulação das artes cênicas em Feira de Santana, o Feira Tem Teatro inicia a nova temporada com o espetáculo ‘Ópera de Quarto’, musical que será apresentado nos dias 14 e 15 de agosto, às 20h, no Teatro do CUCA. Os ingressos podem ser adquiridos antecipadamente pela plataforma Sympla com valor promocional (clique aqui e acesse).
https://www.sympla.com.br/evento/opera-de-quarto/3517071
O espetáculo transporta o público para o submundo urbano brasileiro da década de 1970 para discutir relações de poder, exploração e as diversas formas de violência de gênero e dialoga diretamente com o Agosto Lilás, campanha que ao longo do mês estimula ações de conscientização pelo enfrentamento da violência contra a mulher. Inspirado na obra de Plínio Marcos, especialmente no clássico Navalha na Carne, o texto foi construído a partir de relatos reais de mulheres que sofreram violência física, psicológica, moral e patrimonial.
“Diante de tantas notícias de violência de gênero, decidi falar sobre o assunto porque sempre acredito no teatro como um espaço de reflexão e de transformação. É o lugar onde o público se reconhece nas ações e textos dos personagens. Um assunto delicado que foi escrito por mim com um tom lírico, com músicas, mas mostrando a dor das diversas violências pelas quais sofrem as mulheres”, afirma o autor e diretor do espetáculo Geovane Mascarenhas.
O elenco do espetáculo Ópera de Quarto é formado por Jacy Queiroz, Dezzo e Bruno Santana. A trilha sonora original reúne boleros, tangos e sambas-canção, com direção musical e arranjos de Deco Simões.
Nova temporada com Palco Aberto e participação de escolas
Sob o tema “No palco a gente se vê. No teatro a gente se encontra”, a nova temporada do projeto reúne nove espetáculos produzidos por grupos feirenses e companhias convidadas, fortalecendo a cena teatral local e ampliando o acesso da população às artes cênicas, por meio de uma programação teatral permanente na cidade até junho de 2027.
A programação reúne os espetáculos Ópera de Quarto, Sexo com Abóboras, Saltos e Coturnos, Amor de Clarice Lispector, A Cartomante, Quitéria, Matraga, Nelson em Jogo e Amor em Luiz, reunindo montagens dos grupos realizadores e companhias convidadas.
Além da programação teatral, o projeto volta a realizar o Palco Aberto, em que artistas de diferentes linguagens como música, dança, literatura, poesia e artes visuais são convidados para recepcionar o público com apresentações realizadas nos 30 minutos que antecedem cada sessão, transformando a ida ao teatro em uma experiência cultural ampliada. Nos dias 14 e 15 de agosto a artista convidada é a cantora feirense Jess Alves.
Como parte de sua política de formação de público, o Feira Tem Teatro também disponibilizará apresentações gratuitas para estudantes da rede pública de ensino. As escolas interessadas poderão se inscrever para participar da programação, com direito ao transporte completo dos alunos até o Teatro do CUCA e retorno à unidade escolar, garantindo conforto e segurança durante todo o percurso.
Cada instituição selecionada contará com até 50 vagas, incluindo os professores acompanhantes. As sessões acontecem sempre às sextas-feiras e aos sábados, no período noturno, sendo importante que as escolas observem previamente a classificação indicativa de cada espetáculo para assegurar a adequação ao público participante. As inscrições podem ser realizadas por meio do formulário eletrônico (clique aqui e acesse).
Agosto terá música, dança, cinema e cultura popular no Centro de Convenções de Feira; veja a agenda
O Centro de Convenções e o Teatro Carlos Pitta, em Feira de Santana, divulgaram a programação cultural para o mês de agosto. A agenda reúne apresentações musicais, espetáculos de dança, exibição de filmes, rodas de samba e atividades voltadas à valorização da cultura popular. A programação conta com eventos gratuitos e pagos.
Localizado no bairro São João, o equipamento receberá artistas locais e convidados ao longo de todo o mês. Confira a programação:
1º de agosto, às 19h
Matheus e Cescé – O Canto dos Amorins
O espetáculo reúne Matheus Amorim e Cescé Amorim em uma apresentação dedicada à cultura sertaneja, com repertório formado por músicas autorais e clássicos da música regional. A apresentação será realizada no Teatro Carlos Pitta, com entrada gratuita.
2 de agosto, às 15h
Unidos pelo Samba
A roda de samba contará com apresentações de Maryzélia e do músico carioca Mingo Silva. O evento também terá feira de artesanato e gastronomia, atrações infantis, oficinas, pintura ao vivo e homenagens a personagens do folclore feirense. A programação acontece no estacionamento do Centro de Convenções. Os ingressos custam R$ 20.
11 de agosto, às 14h
Batuques no Centro
A programação inclui a exibição dos documentários Batuques da Fêra e Bié dos 8 Baixos, seguida de uma roda de conversa com diretores e representantes da cultura popular. A atividade será realizada no Teatro Carlos Pitta, com entrada gratuita.
12 de agosto, às 19h
Quarta que Dança – In_Nova
O Balé Jovem de Salvador apresenta o espetáculo In_Nova, inspirado no surrealismo e integrante do circuito estadual Quarta que Dança. A entrada é gratuita.
13 de agosto, às 19h
Exibição do filme “O Agente Secreto”
O longa-metragem dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura será exibido no Teatro Carlos Pitta. Ambientado no Brasil de 1977, o filme acompanha a história de um homem perseguido pelo próprio passado. A sessão é gratuita e tem classificação indicativa de 16 anos.
14 de agosto, às 20h
Dionorina in Concert
O músico feirense Dionorina celebra 73 anos de vida e carreira em um espetáculo que reúne MPB, reggae e música de concerto. Os ingressos estão disponíveis na plataforma Sympla.
15 de agosto, às 19h
Cantoria Brasileira
Paulinho Jequié comemora 45 anos de carreira ao lado dos convidados Cescé Amorim e Roberval Barreto, em um show dedicado à música brasileira de raiz. Os ingressos podem ser adquiridos pela Sympla.
16 de agosto, às 19h
Abraço Coletivo – Kuelho
Inspirado no álbum homônimo, o espetáculo apresenta músicas inéditas, sucessos da carreira do artista e participações especiais. Os ingressos estão disponíveis pela Sympla.
19 de agosto, às 19h
Quarta que Dança – Debaixo D’Água
Voltado ao público infantil, o espetáculo do Coletivo Trippé aborda a preservação da água de forma lúdica, utilizando objetos do cotidiano em cena. A apresentação será realizada no Teatro Carlos Pitta, com entrada gratuita.
Dublador da série La Casa de Papel é confirmado no Comic Summit 2026, em Feira de Santana
O Comic Summit, considerado um dos maiores eventos de cultura geek do interior da Bahia, confirmou a primeira atração da edição de 2026: o dublador, ator e humorista Ênio Vivona. O evento será realizado no dia 20 de setembro, das 8h às 18h, no Centro de Cultura Amélio Amorim, em Feira de Santana.
Conhecido por sua atuação na dublagem brasileira, Ênio Vivona é responsável pela voz de personagens marcantes da cultura pop. Entre seus trabalhos de destaque está a dublagem de Rick Sanchez, protagonista da animação “Rick and Morty”. O ator também emprestou sua voz ao personagem Arturo Román, da série espanhola “La Casa de Papel”.
Além da dublagem, Ênio também atua como humorista e imitador. Ele integrou o grupo Café com Bobagem e participou do programa “A Praça é Nossa”, do SBT. Atualmente, também é um dos apresentadores do podcast “Fala Fala Dub Dub”, dedicado ao universo da dublagem.
Os ingressos para o Comic Summit 2026 estão disponíveis pela plataforma Sympla. A programação reúne fãs, artistas, cosplayers, expositores e empresas ligadas aos games, quadrinhos, cinema, séries e demais áreas da cultura pop. Novas atrações devem ser anunciadas pela organização nas próximas semanas.
Diversão em Cena abre temporada 2026 em Feira de Santana com espetáculo circense gratuito na Kalilândia
“Chapeuzinho Vermelho do Sertão” será destaque no projeto Domingo Tem Teatro em Feira de Santana
O projeto Domingo Tem Teatro realiza, no dia 17 de maio, uma edição especial com a apresentação do espetáculo “Chapeuzinho Vermelho do Sertão”, em Feira de Santana. A montagem será exibida em apresentação única, na Estação Teatro do CUCA, trazendo uma releitura nordestina de um dos contos mais conhecidos da literatura infantil.
A proposta do espetáculo é transportar a clássica história de Chapeuzinho Vermelho para o universo cultural do Nordeste, com elementos regionais, musicalidade típica e novos personagens. A adaptação promete envolver públicos de todas as idades, combinando humor, emoção e referências culturais locais.
Além da peça teatral, o evento oferece uma programação voltada ao lazer infantil e familiar. As atividades começam às 9h, com espaço dedicado a brincadeiras, incluindo cama elástica, piscina de bolinhas, área para pintura e opções de lanche.
A apresentação do espetáculo está prevista para as 10h30. De acordo com a organização, a proposta do Domingo Tem Teatro é ampliar o acesso à cultura e proporcionar momentos de convivência e entretenimento para famílias, especialmente no período da manhã de domingo.
O evento integra uma série de apresentações que vêm percorrendo a cidade com diferentes montagens teatrais, buscando alcançar novos públicos e incentivar o contato das crianças com as artes cênicas. Os ingressos custam R$ 40,00 (Inteira) e R$ 20,00 (Meia).
Feiras livres de Feira de Santana recebem festival de literatura oral com artistas locais
As feiras livres de Feira de Santana, espaços marcados pela diversidade e pelo encontro cotidiano, vão se transformar em palco para a palavra falada. Nos dias 9, 17 e 24 de maio, o projeto “Vozes da Feira – Festival de Literatura Oral” leva apresentações artísticas e ações formativas, respectivamente, ao Centro de Abastecimento, à Feira da Estação Nova e à Feira do Tomba, aproximando a cultura do público em um ambiente acessível e familiar.
A proposta do festival é levar a arte para onde as pessoas já estão. Em vez de restringir a produção cultural a espaços tradicionais, como teatros e centros culturais, o projeto aposta na ocupação das feiras livres, que são territórios vivos de convivência, troca e oralidade.
Ao longo de três finais de semana, o público poderá acompanhar 15 apresentações de literatura oral, com linguagens que vão da contação de histórias ao repente, passando pela poesia falada, batalha de rimas e cantigas de roda. Todas as atrações são protagonizadas por artistas locais, como Coletivo da Baixada, Luma Luz e Domingos Santeiro, Pipas Literarts, Daniela Landim, reforçando a valorização da produção cultural feirense.
Mais do que um evento artístico, o Vozes da Feira busca criar conexões. Entre uma compra e outra, crianças, adultos e idosos terão a oportunidade de vivenciar experiências culturais, muitas vezes pela primeira vez. A ideia é despertar o interesse pela leitura e mostrar que a poesia pode estar presente no cotidiano, ao alcance de todos.
“O Vozes da Feira nasce desse desejo de democratizar o acesso à cultura e reconhecer a feira como um espaço legítimo de expressão. A gente acredita que a arte precisa circular, dialogar com as pessoas e fazer parte da vida delas”, destaca Gustavo Erick de Andrade, produtor cultural da Argonautas Cultura e Educação e idealizador do projeto.
Além das apresentações presenciais, o festival também investe na formação do público. Serão realizadas duas oficinas online e gratuitas: uma de contação de histórias e outra de criação de narrativas digitais. As atividades funcionam como porta de entrada para quem deseja explorar essas linguagens e participar do concurso cultural promovido pelo projeto.
Com o tema “Minha história com a feira”, o concurso convida os participantes a produzirem vídeos de até cinco minutos, no formato de conteúdo literário digital. As produções podem trazer relatos pessoais, memórias, personagens ou até resenhas de obras relacionadas ao universo das feiras livres. Aqui precisamos dizer como inscrever os vídeos
Os vídeos selecionados serão divulgados nas plataformas digitais do festival, contribuindo para a construção de uma memória audiovisual coletiva da cidade. Os três melhores trabalhos serão premiados com R$ 1.000, R$ 700 e R$ 500, além de certificados e menções honrosas.
Com expectativa de alcançar cerca de 1.500 pessoas nas ações presenciais e até 20 mil nas plataformas digitais, o Vozes da Feira reafirma o papel da cultura como instrumento de inclusão, pertencimento e resistência.
Apoio
O projeto foi contemplado nos Editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura na Bahia, realizados com recursos do Governo Federal repassados pelo Ministério da Cultura, e executados pelo Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado
Feira de Santana recebe programação educativa sobre a Independência da Bahia, em parceria com o Governo do Estado
Representantes da Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Lazer e do Governo do Estado estiveram reunidos, na manhã desta sexta-feira (6), em Feira de Santana, para discutir a realização de atividades do projeto Rota da Independência no município. O encontro aconteceu na Biblioteca Municipal Arnold Ferreira da Silva e contou com a participação de gestores culturais e representantes das redes municipal e estadual de educação.
A iniciativa é promovida pela Fundação Pedro Calmon, vinculada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, e tem como objetivo preservar e difundir a memória do processo de Independência do Brasil na Bahia, destacando também a participação de municípios do interior nesse contexto histórico.
De acordo com o diretor do Centro de Memória da Bahia, Walter Silva, a reunião permitiu avançar na organização das atividades previstas para acontecer na cidade. Segundo ele, o projeto busca valorizar o legado histórico da Independência e ampliar o conhecimento sobre os acontecimentos que marcaram o período.
“Feira de Santana tem participação significativa nesse processo, seja por personagens históricos, seja pela sua localização estratégica durante a guerra de independência”, destacou.
A programação no município está prevista para a terça-feira (27) de maio e será voltada principalmente para estudantes das redes municipal e estadual de ensino. Entre as atividades previstas estão a apresentação de um game educativo sobre episódios da Independência na Bahia, uma aula pública com professor especialista sobre o tema e a presença da Bibex, Biblioteca de Extensão da Fundação Pedro Calmon. O equipamento funciona em um micro-ônibus adaptado que percorre municípios levando livros e ações de incentivo à leitura.
O projeto Rota da Independência vem sendo ampliado nos últimos anos e busca alcançar cada vez mais municípios baianos. A proposta é mostrar que os acontecimentos ligados à Independência do Brasil na Bahia não se limitaram ao Recôncavo, mas também envolveram outras regiões do estado. A articulação envolve o Núcleo Territorial de Educação (NTE) e a Secretaria Municipal de Educação, garantindo a participação de alunos de diferentes níveis de ensino.
Com a chegada das atividades a Feira de Santana, a expectativa é fortalecer o diálogo entre cultura, educação e memória histórica, aproximando os estudantes de um dos capítulos mais marcantes da história baiana.
Cuca exibe sessões gratuitas com clássicos do cinema em Feira de Santana; confira a programação
O Centro Universitário de Cultura e Arte da Universidade Estadual de Feira de Santana promove, a partir da sexta-feira (23), sessões gratuitas com clássicos do cinema mundial em Feira de Santana. As exibições acontecem sempre às sextas-feiras, às 15h30, no Teatro Universitário do Cuca, localizado na Rua Conselheiro Franco, no centro da cidade.
A iniciativa integra a programação do Cine Cuca de Verão 2026 e reúne cinco filmes que abordam temas como imperialismo, exploração, ganância, companheirismo, cooperação e resistência, retratados em diferentes contextos históricos e regiões do mundo. Todas as sessões têm entrada gratuita.
A abertura da mostra ocorre na sexta-feira (23), com a exibição do suspense franco-italiano “O Salário do Medo” (1953), dirigido por Henri-Georges Clouzot. O filme acompanha quatro homens europeus isolados em uma cidade da América do Sul que aceitam transportar nitroglicerina para uma empresa petrolífera dos Estados Unidos, em uma missão marcada por tensão e risco extremo.
Na sexta-feira (30), o público poderá assistir ao faroeste “O Tesouro de Sierra Madre” (1948), de John Huston. O longa retrata a busca de três norte-americanos por ouro nas montanhas do México e expõe como a ganância e a desconfiança colocam em xeque a amizade entre os personagens.
A programação segue na sexta-feira (6), com o clássico brasileiro “Rio, 40 Graus” (1955), dirigido por Nelson Pereira dos Santos. A obra acompanha o cotidiano de cinco meninos de uma favela carioca em seu percurso pela cidade, revelando desigualdades sociais que permanecem atuais.
No dia sexta-feira (20), será exibido “La Pointe Courte” (1955), filme de estreia da diretora francesa Agnès Varda. A produção aborda conflitos íntimos e coletivos em uma vila de pescadores e é considerada um marco inicial da Nouvelle Vague francesa.
Encerrando a temporada, na sexta-feira (27), o Cine Cuca apresenta o neorrealista italiano “Arroz Amargo” (1949), dirigido por Giuseppe De Santis. O filme denuncia as condições precárias de trabalho das mulheres nos arrozais do Vale do Pó, ao narrar a história de uma fugitiva que se refugia entre trabalhadoras sazonais.
Segundo a organização do Cine Cuca, o projeto tem como objetivo provocar reflexões sobre as dinâmicas do trabalho a partir de diferentes perspectivas cinematográficas. A entrada é gratuita em todas as sessões.
Natal Encantado chega ao fim após dias de programação cultural e grande participação do público em Feira de Santana
O Natal Encantado 2025 chegou ao fim no domingo (20), em Feira de Santana, após vários dias de programação cultural no centro da cidade. O evento reuniu milhares de pessoas ao longo das atividades, que ocuparam o estacionamento da Prefeitura Municipal e outros espaços públicos com atrações voltadas para crianças, famílias e o público em geral.
Realizado durante nove dias, o evento natalino contou com apresentações musicais, espetáculos teatrais, dança, intervenções artísticas e ações desenvolvidas com a participação de escolas municipais e grupos culturais locais. A presença do público marcou todas as noites da programação.
O encerramento foi marcado por um grande show na Praça Padre Ovídio, onde o cantor Diogo Nogueira levou o samba ao público e transformou o espaço em um clima de celebração. A apresentação reuniu pessoas de diferentes idades, que acompanharam o repertório cantando e dançando até o fim.
Além da atração musical, o último dia manteve o perfil familiar que caracterizou todo o evento, com grande circulação de crianças, presença de personagens infantis e espaços dedicados ao público infantil. A movimentação confirmou a adesão popular ao Natal Encantado ao longo de sua realização.
Ao longo da programação, a organização destacou a circulação diária de público e a ausência de ocorrências, reforçando o caráter do evento como uma ação cultural voltada ao lazer, à convivência e à ocupação dos espaços públicos durante o período natalino. Com o encerramento no domingo, o Natal Encantado 2025 se despede consolidado como uma das principais ações culturais do calendário de fim de ano em Feira de Santana.
Força do vaqueiro nordestino inspira exposição fotográfica em Feira de Santana
Com o objetivo de valorizar a identidade sertaneja e preservar as tradições do homem do campo, foi aberta na última quarta-feira (5) a exposição fotográfica “Cenas Urbanas – 1ª Edição Portal do Sertão”, com o tema “A Cultura do Vaqueiro no Portal do Sertão”. O projeto, que conta com o apoio da Prefeitura de Feira de Santana, apresenta um olhar sensível sobre o vaqueiro nordestino e sua profunda ligação com o sertão, ressaltando aspectos históricos, sociais e culturais dessa figura emblemática.
A mostra reúne obras dos fotógrafos Gutemberg Suzarte, Antônio Neto e Carlos Gomes, que registraram em imagens marcantes o cotidiano, a força e a fé do vaqueiro em suas múltiplas expressões. Idealizada pela Saveiro Produções, a iniciativa tem apoio institucional da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e apoio financeiro do Programa Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Ministério da Cultura do Governo Federal.
A exposição pôde ser visitada até as 18h da quarta-feira (5) na Praça de Alimentação Gilson Pereira, na avenida Getúlio Vargas, no Centro da cidade. De 13 a 30 de novembro, a mostra ficará em cartaz no Museu Casa do Sertão, na UEFS.
Para o fotógrafo Gutemberg Suzarte, um dos expositores, o projeto é uma forma de manter viva a memória do vaqueiro nordestino. Ele explicou que a proposta nasceu do desejo de mostrar uma cultura que, segundo ele, andava um pouco esquecida. As imagens retratam o cotidiano, a força e a união entre o homem e o animal, ressaltando o vaqueiro como uma figura essencial da história e da identidade sertaneja.
Entre os personagens retratados está o vaqueiro José Ribeiro dos Santos, de 87 anos, morador do distrito de Jaguara, que há mais de sete décadas dedica sua vida ao trabalho com o gado. Ele contou que se tornou vaqueiro ainda na infância e que essa tradição vem sendo mantida no campo. Para ele, a exposição mostra o valor do ofício e a vitalidade dessa cultura.
Peça “Bichos do Brasil” chega a Feira de Santana neste sábado no teatro da Seduc
No próximo sábado, 25 de outubro, às 16h, Feira de Santana recebe o espetáculo “Bichos do Brasil”, no teatro da Secretaria Municipal de Educação (Rua Barão de Cotegipe, s/n, ao lado do Centro Integrado de Educação Inclusiva Colbert Martins da Silva/antigo Feira Tênis Clube). A apresentação gratuita, idealizada pela companhia teatral Pia Fraus, de São Paulo (SP), faz parte do programa Diversão em Cena, iniciativa patrocinada pela Fundação ArcelorMittal e pela Belgo Arames.
“Bichos do Brasil” celebra a diversidade da fauna brasileira com recursos visuais e sonoros. Combinando bonecos, música e coreografia, a peça recria o ambiente da mata sem recorrer à “humanização” dos personagens. As fábulas tradicionais, nas quais os animais representam virtudes e vícios do homem, cedem espaço à valorização das influências que essas narrativas exercem sobre a cultura popular. O enredo, então, conduz o espectador a uma experiência poética e sensorial, e não a um a um desfecho moral. O espetáculo tem duração de 50 minutos e classificação livre.
Com quase quatro décadas de trajetória, o grupo Pia Fraus se consolidou no cenário nacional com um repertório muito particular, buscando o aprofundamento, a pesquisa e a integração dos recursos do teatro de animação aos de outras linguagens. A companhia desenvolve uma lingua gem teatral que aprimora e integra as características dos componentes da peça: teatro, dança, teatro de bonecos, circo e artes plásticas.
O programa Diversão em Cena foi criado há 15 anos pela Fundação ArcelorMittal, em parceria com a Belgo Arames, com o objetivo de democratizar o acesso à cultura por meio da oferta de espetáculos gratuitos ou a preços populares. Ao todo, mais de 1 milhão de pessoas já assistiram às apresentações em cidades dos seguintes estados: Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina.
“Garantir o acesso democrático à cultura é assegurar um direito fundamental e promover um desenvolvimento social mais justo, fortalecendo pessoas e comunidades por meio da arte e do conhecimento”, destaca Camila Valverde, diretora-executiva da Fundação ArcelorMittal.
“Programas como o Diversão em Cena são catalisadores de mudanças. O acesso à cultura é fundamental para a formação de cidadãos mais conscientes e engajados, e as sessões criam oportunidades para o diálogo e troca de experiências, o que gera um impacto social duradouro”, conclui Clarisse Drummond, diretora de Gente, Cultura e Engajamento da Belgo Arames.
Esta apresentação é viabilizada com recursos da Lei Federal de Incentivo à Cultura, com patrocínio da Fundação ArcelorMittal, por meio da ArcelorMittal e da Belgo Arames. A realização é da Lima Produções Culturais e do Ministério da Cultura, Governo Federal, com apoio da Prefeitura de Feira de Santana.

Sobre a Fundação ArcelorMittal
Há mais de três décadas, a Fundação ArcelorMittal é a organização dedicada a direcionar os investimentos sociais do Grupo ArcelorMittal — maior produtora de aço do país e líder no mercado global. Com o propósito de criar oportunidades, a Fundação ArcelorMittal busca promover o impacto social positivo, por meio da educação, do esporte e da cultura. Anualmente, cerca de 450 mil pessoas são alcançadas pelas iniciativas promovidas em cidades de todo o país. Saiba mais em famb.org.br.
Sobre a Belgo Arames
Com 50 anos de história, a Belgo Arames é líder brasileira na transformação de arames de aço desde sua criação, fruto da parceria estratégica no Brasil entre a ArcelorMittal e a Bekaert. A empresa atua nos segmentos de Agronegócios, Cercamentos, Construção Civil, Automotivo, Solda, Aplicações Especiais e Indústria Petrolífera, oferecendo um mix de produtos e serviços que atendem com expertise e tecnologia de ponta, confiabilidade e qualidade aos mais diversos perfis de clientes. Com oito unidades pelo país, sua sede é em Contagem (MG).
Ficha técnica
Coreografia: Pia Fraus Teatro | Trilha sonora: Gustavo Bernardo e Marco Boaventura | Operação de Som: Aldo Andreetta | Administração: Jackson Íris | Produção Executiva: Vanessa Silva | Criação de bonecos, cenário e figurino: Beto Lima | Concepção de luz: Beto Andretta e Hugo Possolo | Produção: Pia Fraus
Apoio: Prefeitura de Feira de Santana