Dos muitos secretários municipais de Feira, uma tem conseguido se destacar — e, infelizmente, não é pelo trabalho. A ex-vereadora Neinha Bastos, hoje à frente da Secretaria da Mulher, tornou-se alvo de críticas até dentro do próprio governo. E não por intriga ou disputa política, mas por pura falta de preparo para uma pasta que exige técnica, profundidade e responsabilidade. Enquanto o momento pede políticas públicas sérias para enfrentar violência doméstica, desigualdade, saúde feminina e autonomia econômica, Neinha insiste em transformar a secretaria num púlpito improvisado. Em vez de programas estruturados, entrega discursos moralizantes. Em vez de planejamento, tenta resolver tudo com “alegria e oração”. Só que pauta de mulher não se trata com versículos — se enfrenta com gestão, dados e coragem. Como se não bastasse, ainda há relatos de uso da já limitada estrutura da pasta, incluindo veículo oficial, em favor da campanha do deputado Alan Sanches. A ética passa longe; o constrangimento, nem tanto. No fim das contas, uma secretaria que deveria ser referência virou coadjuvante — e, pior, coadjuvante de um projeto pessoal. Feira merece mais. As mulheres, muito mais do que isso.
POR RAFAEL VELAME /
12 de janeiro de 2026 - 08h 00m