Bancários paralisam atividades por 24 horas e agências de Feira de Santana não abrem na quinta
As agências bancárias de Feira de Santana anunciaram a suspensão do atendimento presencial na quinta-feira (20), em uma paralisação de 24 horas aprovada por 96,5% dos trabalhadores que participaram da assembleia da categoria. O movimento integra a Campanha Nacional dos Bancários 2026 e ocorre em meio ao impasse nas negociações com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), que ainda não apresentou proposta de reajuste salarial nem uma resposta global às reivindicações. Durante o dia, apenas os serviços de autoatendimento estarão disponíveis ao público.
Na base do Sindicato dos Bancários de Feira de Santana, a paralisação foi aprovada por ampla maioria. Em assembleia realizada na segunda-feira (17), 96,50% dos participantes votaram a favor do movimento, 1,05% se posicionaram contra e 2,45% se abstiveram.
A mobilização ganhou força após a rodada de negociação realizada nesta terça-feira (18). A expectativa da categoria era de avanço nas discussões, mas a Fenaban não apresentou proposta de reajuste salarial nem uma proposta global para as reivindicações dos trabalhadores. Os bancos informaram que uma nova proposta deverá ser apresentada somente na próxima segunda-feira (24).
Durante a rodada, a Fenaban retirou propostas que haviam sido colocadas anteriormente na mesa, como o reajuste salarial dividido por faixas, a diferenciação dos valores dos vales alimentação e refeição entre cidades e o congelamento do piso de ingresso para novos bancários. Apesar da retirada desses pontos, nenhuma nova proposta concreta foi apresentada.
Os representantes dos bancos também condicionaram a continuidade das negociações à suspensão da paralisação marcada para esta quinta-feira. O Comando Nacional dos Bancários rejeitou a condição e decidiu manter o movimento, argumentando que a paralisação é justamente uma resposta à demora na apresentação de propostas que atendam às reivindicações da categoria.
Outro ponto de impasse é a ultratividade da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), que garante a manutenção dos direitos previstos no acordo enquanto uma nova convenção não é firmada. O Comando Nacional voltou a cobrar essa garantia, mas a Fenaban não aceitou a reivindicação.
A paralisação já vinha sendo articulada pela Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe (Feebbase) e pelos sindicatos filiados. Antes das assembleias, uma plenária unificada atualizou os trabalhadores sobre a Campanha Nacional e sobre as negociações específicas envolvendo Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco do Nordeste e Santander, além das discussões acompanhadas pelas comissões de empregados do Bradesco e do Itaú.
Para a presidenta da Feebbase e integrante do Comando Nacional dos Bancários, Andréia Sabino, a falta de avanços reforça a necessidade de ampliar a mobilização. A orientação da entidade é de que a paralisação demonstre a unidade da categoria e pressione os bancos pela apresentação de uma proposta que preserve direitos e garanta valorização aos trabalhadores.
Em Feira de Santana, o resultado da assembleia mostra uma forte adesão ao movimento nacional. Com isso, nesta quinta-feira (20), as agências não terão atendimento presencial, enquanto os terminais de autoatendimento seguem funcionando normalmente.