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Eleições 2026 / 28 de outubro de 2026 - 05h 41m

Nos EUA, Flávio Bolsonaro se autoproclama presidente eleito do Brasil, se compara a Rui Barbosa e promete liderar oposição a Lula

Nos EUA, Flávio Bolsonaro se autoproclama presidente eleito do Brasil, se compara a Rui Barbosa e promete liderar oposição a Lula
Foto: Reprodução
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Derrotado nas eleições presidenciais do último domingo (25), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se autoproclamou presidente eleito do Brasil nesta quarta-feira (28), após deixar o país e desembarcar nos Estados Unidos com a família. Em uma declaração divulgada pelo jornalista Paulo Figueiredo, aliado da família Bolsonaro, o bolsonarista contestou o resultado das urnas, alegou fraude eleitoral sem apresentar provas e anunciou que pretende liderar a oposição ao governo do presidente reeleito Lula (PT) diretamente do território norte-americano.

Um dos detalhes que chamam atenção no documento é a utilização de uma versão antiga do brasão da República, com a inscrição “Estados Unidos do Brazil”, grafada com a letra Z. O símbolo remete à antiga denominação oficial do país, substituída posteriormente por República Federativa do Brasil. No texto, Flávio se dirige ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”.

“Quero dizer, não só para os meus 60 milhões de eleitores, mas para o povo brasileiro, que eu sou o presidente eleito e os criminosos que roubaram a eleição do Brasil são parte de uma organização criminosa que implementou uma tirania”, declarou.

A manifestação ocorre três dias após a vitória de Lula no segundo turno das eleições presidenciais. Apesar das acusações feitas pelo senador, ele não apresentou provas de fraude eleitoral que sustentem sua contestação ao resultado reconhecido pela Justiça Eleitoral.

Na declaração, Flávio também questionou decisões judiciais relacionadas ao processo eleitoral e mencionou a ampliação do horário de votação no último domingo, determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), após problemas no funcionamento do transporte público em capitais brasileiras. O senador utilizou o episódio para reforçar suas acusações contra o processo eleitoral, sem demonstrar como a medida teria comprometido a votação.

O documento também traz agradecimentos nominais ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao presidente da Argentina, Javier Milei. O candidato derrotado agradeceu o acolhimento e o apoio recebido, sugerindo que contou com o suporte dos dois governos estrangeiros para deixar o Brasil e permanecer em território norte-americano. A declaração, entretanto, não apresenta detalhes sobre uma eventual participação dos governos na viagem.

Apesar das circunstâncias de sua saída, Flávio negou que tenha fugido do Brasil. Segundo ele, a decisão foi motivada pela necessidade de continuar sua atuação política sem correr o risco de prisão ou censura.

“Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece, pois calado, preso e censurado, como meu pai está, eu não poderia ser essa liderança e seríamos entregues ao teatro institucional de uma oposição castrada e controlada pela Suprema Corte repleta de serviçais do regime”, alegou.

Em outro trecho, o senador dirigiu uma mensagem a integrantes do Congresso Nacional e governadores aliados. Flávio citou especialmente o senador Rogério Marinho (PL-RN) e afirmou que pretende assumir a liderança da oposição mesmo estando fora do país.

“Aos senadores, deputados e governadores que ajudei a eleger, e em especial ao meu candidato à presidência do Senado, Rogério Marinho: sei que hoje vocês não têm a liberdade necessária para o pleno exercício da atividade política. Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr”, declarou.

Para justificar a permanência nos Estados Unidos, Flávio também recorreu a comparações com personalidades históricas que enfrentaram governos ou desenvolveram atividades políticas no exílio. Entre os nomes citados estão Rui Barbosa, Charles de Gaulle, José Martí, Juan Guaidó, Edmundo González e María Corina Machado.

“Todos eles foram tratados como criminosos pelos regimes que enfrentavam. A história os chamou de outra coisa. Este é apenas o começo da nossa luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela liberdade no Brasil”, completou o senador.

Apesar da autoproclamação, a declaração não possui efeito jurídico ou institucional. Segundo o resultado oficial divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula foi reeleito com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro recebeu 59.826.041 votos, ou 48,21%. A manifestação unilateral do senador não altera o resultado das urnas nem lhe confere autoridade presidencial.


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