MST ocupa ruas de Feira de Santana durante marcha estadual em defesa da reforma agrária
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) iniciou, na manhã desta quarta-feira (8), em Feira de Santana, mais uma edição da Marcha Estadual pela Reforma Agrária na Bahia. A mobilização reúne mais de 2 mil trabalhadores e trabalhadoras rurais, entre famílias acampadas e assentadas de diversas regiões do estado, que seguirão em caminhada por mais de 120 quilômetros até Salvador, entre os dias 8 e 17 de abril.
A marcha deste ano ocorre em um contexto marcado pelos 30 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, episódio que permanece como um dos símbolos da violência no campo brasileiro e da luta pela democratização do acesso à terra. Com o lema “30 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás: por memória, justiça e Reforma Agrária Popular”, o ato reforça a pauta histórica do movimento.
Segundo Simone Souza, da coordenação nacional do MST na Bahia, abril é um mês de forte simbolismo para a luta no campo “Abril é um mês de memória e resistência. Marchamos por memória, por justiça e pela Reforma Agrária Popular”, afirmou.
Logo nas primeiras horas do dia, os participantes deram início ao percurso em Feira de Santana, abrindo uma jornada de 10 dias que combina mobilização política, atividades formativas, ações de solidariedade e diálogo com a sociedade ao longo do trajeto até a capital baiana.
De acordo com Evanildo Costa, também da coordenação nacional do movimento no estado, a marcha busca chamar atenção para a situação das famílias que ainda aguardam assentamento. “É fundamental que o governo federal avance com medidas emergenciais e assente as famílias que hoje vivem debaixo da lona”, destacou.
Para Isaias Nascimento, a mobilização também apresenta um projeto de desenvolvimento para o campo “A Reforma Agrária Popular aponta para um novo modelo de desenvolvimento, com democratização da terra, respeito aos povos e produção de alimentos saudáveis”, pontuou.
Além de rememorar o Massacre de Eldorado dos Carajás, a marcha também presta homenagem a lideranças e militantes mortos em conflitos agrários, como Fábio Santos, Márcio Matos e Nega Pataxó, e denuncia a permanência da violência no campo.