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Política / 29 de abril de 2026 - 03h 11m

Projeto do Executivo causa polêmica, mas vereadores aprovam garantias para investidores da PPP do Hospital Municipal de Feira

Projeto do Executivo causa polêmica, mas vereadores aprovam garantias para investidores da PPP do Hospital Municipal de Feira
Foto: Leandro Santana/Blog do Velame
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A Câmara Municipal de Feira de Santana aprovou, nesta quarta-feira (29), o projeto de lei que autoriza a criação de garantias financeiras para investidores interessados na Parceria Público-Privada (PPP) destinada à construção, operação e manutenção do futuro Hospital Municipal.

A proposta, enviada em regime de urgência pelo prefeito José Ronaldo (União Brasil), provocou um intenso debate entre vereadores da base governista e da oposição antes da votação.

O vereador Pedro Américo (Cidadania), ao utilizar da tribuna, defendeu que a medida é necessária para assegurar segurança jurídica aos investidores que participarão da licitação da PPP, marcada para o dia 15 de maio, em São Paulo, onde a proposta será apresentada na Bolsa de Valores.

Por envolver um alto volume de recursos, com investimento inicial estimado em quase R$ 300 milhões apenas no primeiro ano, o edil explica que o contrato justifica a criação de mecanismos de proteção financeira para empresas interessadas na operação. “A gente sabe que é um investimento muito grande que o setor privado vai fazer. Se houver prejuízo ou qualquer tipo de problema, aquele investidor precisa ter uma garantia”, afirmou.

Durante a discussão, a bancada da oposição ressaltou apoio à construção do hospital, mas não deixou de registrar críticas ao formato jurídico e à tramitação acelerada da matéria.

O vereador Professor Ivamberg (PT), por exemplo, informou que não se opõe à implantação do equipamento, questionando, no entanto, o fato de o projeto ter sido encaminhado em regime de urgência e sem maior debate prévio. Segundo ele, a proposta prevê garantias vinculadas ao Fundo Municipal de Saúde, o que exige avaliação mais aprofundada sobre impactos no financiamento da rede pública.

“Não tenho nada contra a construção do hospital. Acho que tem que construir mesmo em Feira de Santana, até porque muito se discute aqui sobre regulação. O Fundo Municipal de Saúde é onde está depositado todo o dinheiro para ser gasto na saúde em Feira de Santana. Qual é o impacto financeiro disso? Tirando esse valor, como vão ficar os postos de saúde e a atenção básica?”, questionou.

Na mesma linha, Silvio Dias (PT) reforçou que a oposição historicamente cobra a construção de um hospital municipal, mas criticou o que classificou como atropelo ao ordenamento jurídico. “Todos aqui concordam que é importante que se faça um hospital. Nós cobramos isso desde o primeiro dia nesta Casa. Ninguém aqui é contra”, disse.

Ainda na oportunidade, o petista argumentou que sua discordância está concentrada nos aspectos legais da proposta, especialmente no entendimento de que a autorização concedida ao Executivo pode abrir margem para alterações em legislação orçamentária.

“Do ponto de vista legal e técnico, nós não podemos aceitar que se atropele o que temos no ordenamento jurídico. Desde quando o Executivo tem autoridade para alterar uma lei?”, questionou o vereador, ao justificar por que não assinou parecer da Comissão de Constituição e Justiça sobre a matéria.

Outro ponto levantado pela oposição foi a ausência de parecer da Comissão de Saúde. Em resposta, Pedro Américo afirmou que não havia necessidade de análise pela comissão, já que o projeto trata de matéria orçamentária e contratual, e não diretamente de ações assistenciais em saúde.

Pela base governista, o vereador Jurandy Carvalho (PSDB) defendeu a aprovação do texto e pediu que divergências partidárias fossem deixadas de lado. “Estamos falando da construção do nosso Hospital Municipal, de grande importância para Feira de Santana”, declarou.

Já o líder do governo, José Carneiro (União Brasil), reagiu às críticas e acusou setores da oposição de politizar o debate em torno do projeto. Apesar do embate durante a sessão, o projeto foi aprovado por unanimidade e representa mais uma etapa para viabilizar a implantação do primeiro Hospital Municipal de Feira de Santana.


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