Após acusação de propina, vereador Galeguinho SPA não aparece na Câmara de Feira
Um dia após fazer uma grave denúncia envolvendo uma suposta cobrança de propina para a liberação de documentos relacionados à construção civil em Feira de Santana, o vereador Flávio Arruda, o Galeguinho SPA (União Brasil), não compareceu à sessão da Câmara Municipal desta quinta-feira (20).
A ausência ocorre justamente no momento em que as declarações do parlamentar provocam repercussão e começam a gerar desdobramentos dentro da Prefeitura. Na quarta-feira (19), Galeguinho utilizou a tribuna da Câmara para afirmar que, na condição de construtor, teria que “molhar a mão” de pessoas para conseguir a realização de fiscalizações necessárias à liberação de documentos. O vereador é sócio de 50% da empresa Sion Construção e Empreendimentos, segundo a declaração de bens entregue a justiça eleitoral em 2024.
Na ocasião, o vereador chegou a falar na existência de um “habite-se no varejo e no atacado” e mencionou valores entre R$ 200 e R$ 400. Apesar da gravidade das declarações, não revelou publicamente os nomes dos supostos envolvidos.
Nesta quinta, quando o assunto voltou a repercutir no meio político, Galeguinho não estava presente no plenário para detalhar as acusações ou responder aos questionamentos provocados por sua fala. A denúncia motivou uma reação da Prefeitura de Feira de Santana. A Procuradoria-Geral do Município notificou o gabinete do vereador e a Câmara solicitando que ele informe os nomes das pessoas supostamente envolvidas, para que os fatos possam ser apurados.
O prefeito José Ronaldo também se pronunciou e confirmou ter determinado a abertura de uma apuração. Segundo ele, Galeguinho será uma das primeiras pessoas chamadas a prestar esclarecimentos. “A primeira pessoa que vai ser convidada é o vereador, porque ele dá os nomes das pessoas que ele está acusando. Para que essas pessoas tenham o direito de se defender”, declarou.
José Ronaldo classificou como “irresponsabilidade” fazer uma acusação dessa natureza sem identificar os supostos envolvidos e afirmou que eventuais irregularidades comprovadas serão punidas.
Ao mesmo tempo, o prefeito reconheceu a legitimidade de denúncias contra a administração pública, mas argumentou que a falta de informações mais específicas acaba colocando todos os servidores do setor sob suspeita.