Arcebispo de Feira de Santana convoca fiéis às urnas e recorda que a fé cristã exige responsabilidade política
Às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para este domingo (25), o arcebispo metropolitano de Feira de Santana dirigiu uma mensagem aos fiéis e à sociedade brasileira, destacando a importância da participação democrática e da responsabilidade dos cristãos diante dos rumos do país. Dom Zanoni fez um apelo contra a abstenção eleitoral e ressaltou que o exercício do voto deve ser orientado pela consciência, pela defesa da dignidade humana e pelo compromisso com o bem comum.
Na mensagem, o arcebispo recordou que o momento eleitoral exige uma reflexão sobre questões fundamentais para a sociedade brasileira, como a democracia, a soberania nacional, a Constituição Federal e os direitos sociais conquistados ao longo das últimas décadas. Segundo o arcebispo, a fé cristã não pode estar dissociada dos desafios políticos, econômicos e sociais que afetam diretamente a vida da população.
“Às vésperas do segundo turno das eleições, somos chamados a assumir nossa responsabilidade pelo futuro do Brasil. Estão em jogo a democracia, a soberania nacional, a Constituição e os direitos sociais conquistados ao longo de décadas. A fé cristã não nos permite cruzar os braços diante da realidade. Como ensinava São Paulo VI, a política é uma das mais altas formas de caridade, pois suas decisões afetam a vida de milhões de pessoas”, disse.
Ao abordar a relação entre fé e participação política, Dom Zanoni destacou que o compromisso cristão também se manifesta no exercício responsável da cidadania, especialmente nas decisões que repercutem sobre a vida das famílias e das pessoas em situação de maior vulnerabilidade. O arcebispo chamou a atenção para o desencanto de parte da população com a política e advertiu que a insatisfação não deve resultar em indiferença ou afastamento das responsabilidades democráticas.
“Não deixe que a decepção com a política se transforme em omissão! Não votar, votar em branco ou anular o voto também tem consequências: outros decidirão por você. Seu voto não diz respeito apenas à sua vida, mas também ao futuro de sua família, de seus vizinhos e dos mais vulneráveis”, alertou.
Em outro momento, convidou os eleitores a refletirem sobre as necessidades concretas da população antes de fazerem suas escolhas. Entre as preocupações apontadas estão as condições de vida dos aposentados e trabalhadores, o acesso à educação, à saúde pública e aos medicamentos, a proteção das crianças e dos jovens, a atenção às famílias em situação de pobreza, os direitos dos povos indígenas e o cuidado com a Casa Comum. Para Dom Zanoni, essas questões devem integrar a consciência dos cidadãos na construção de uma sociedade mais justa, solidária e comprometida com a dignidade humana.
“Pense nos aposentados, nos trabalhadores, em quem precisa de medicamentos, nas crianças e nos jovens, na educação, na saúde pública, nas famílias pobres, nos povos indígenas e na preservação da nossa Casa Comum. A defesa da vida e da dignidade humana exige compromisso, consciência e participação”, enfatizou.
Sem manifestar apoio a qualquer candidatura, o líder religioso reafirmou a liberdade individual de escolha e a importância do voto secreto, orientando os cidadãos a buscarem informações confiáveis, analisarem as propostas apresentadas pelos candidatos e exercerem seu direito de escolha sem constrangimentos, ameaças ou pressões.
“O voto é livre e secreto. Informe-se, compare propostas, verifique os fatos e escolha conscientemente, sem aceitar ameaças ou pressões. No próximo domingo, não se omita! Vote por você, por sua família, por quem mais precisa e pelo Brasil. O futuro também depende da sua decisão!”, declarou.
Ao encerrar a mensagem, o arcebispo confiou o povo brasileiro à intercessão de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, e recordou o desejo de Jesus de que todos tenham vida em abundância. “Que Nossa Senhora Aparecida nos ajude a vencer a indiferença e a construir uma sociedade em que todos tenham vida em abundância, como desejou Jesus”, concluiu.
Vale recordar que a Doutrina Social da Igreja (DSI) reconhece a participação na vida política como uma dimensão importante da responsabilidade cristã. Ao recordar a relação entre fé, cidadania e compromisso social, a mensagem reforça a importância da consciência individual e da participação democrática na promoção da justiça, da solidariedade e do bem comum.