Condenado por divulgar imagens íntimas falsas de mulheres, volta à prisão suspeito de crimes sexuais contra crianças em Feira
Um homem de 34 anos, já condenado pela Justiça por crimes relacionados à divulgação de imagens íntimas falsas de mulheres, voltou a ser preso preventivamente na quarta-feira (7), em Feira de Santana. Desta vez, ele é investigado por armazenar e compartilhar material de exploração sexual de crianças e adolescentes, além de suspeitas de estupro de vulnerável. A prisão ocorreu durante a segunda fase da Operação Face Oculta, conduzida pela Polícia Civil da Bahia.
A investigação teve início após denúncias de violência contra mulheres. Em um dos casos, o homem teria manipulado fotografias para criar montagens pornográficas com o rosto de uma mulher, divulgando o material como se fosse verdadeiro. As imagens foram encaminhadas não apenas a pessoas desconhecidas, mas também a familiares e conhecidos da vítima, numa tentativa de expô-la e humilhá-la.
Uma das vítimas teria relatado que a única motivação possível teria sido um desentendimento com o homem pelas redes sociais, por divergências políticas em determinado período eleitoral.
Uma ex-companheira do investigado também procurou a polícia e registrou ocorrência por crimes semelhantes. Os episódios resultaram em uma condenação judicial, conforme informações repassadas por fonte da Polícia Civil.
Durante a primeira fase da Operação Face Oculta, realizada em março deste ano, foram cumpridos mandados de busca e apreensão na residência do suspeito, onde também foram encontrados livros com conteúdos nazistas.
Na ocasião, o homem foi preso preventivamente e permaneceu custodiado até julho, quando teve a prisão revogada e foi colocado em liberdade. Foi a partir da análise dos dispositivos eletrônicos apreendidos durante a investigação dos crimes contra mulheres que a polícia descobriu indícios de crimes ainda mais graves.
Segundo a Polícia Civil, a perícia identificou pelo menos 55 registros de imagens e vídeos de exploração sexual envolvendo crianças e adolescentes, além de históricos de pesquisas e evidências de compartilhamento reiterado desse conteúdo por meio de aplicativos de mensagens.
As investigações também apontaram indícios de que o suspeito não apenas armazenava e compartilhava os arquivos, mas solicitava a produção de material de exploração sexual infantojuvenil.
Outro aspecto considerado grave pelos investigadores é a forma como o homem buscava se aproximar de possíveis vítimas. Conforme a Polícia Civil, ele procurava estabelecer contato com mulheres que tinham filhas menores de idade, chegando a manter relacionamentos com algumas delas.
A suspeita é de que essas aproximações fossem utilizadas para obter acesso às crianças e conseguir imagens e vídeos de conteúdo sexual.
De acordo com a delegada Lorena Almeida, responsável pelas investigações, também está sendo apurada a possibilidade de o homem ter mantido relações sexuais com pelo menos uma das crianças. Caso confirmada a suspeita nas circunstâncias previstas pela legislação, a conduta poderá configurar estupro de vulnerável.
Esses fatos serão investigados em procedimento próprio. Diante dos elementos encontrados nos equipamentos eletrônicos e dos indícios de autoria, a Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) de Feira de Santana representou pela prisão preventiva do investigado.
O pedido recebeu manifestação favorável do Ministério Público e foi autorizado pela Vara Criminal e Crimes contra a Criança e o Adolescente da Comarca de Feira de Santana. O mandado foi cumprido na manhã de quarta-feira (7), durante uma ação conjunta da Deam com o Grupo de Apoio Tático e Técnico à Investigação (Gatti/Sertão).
O homem permanece custodiado, à disposição da Justiça. A Operação Face Oculta teve início com a apuração de crimes de violência digital contra mulheres. A apreensão e a análise dos equipamentos eletrônicos permitiram identificar indícios de outros crimes de natureza sexual, ampliando a investigação para possíveis vítimas crianças e adolescentes.