Coronel rompe com Governo, deixa PSD e confirma candidatura ao Senado pela oposição: ‘Não nasci pra ser capacho’
O senador Angelo Coronel anunciou, neste sábado (31), que está deixando o PSD para disputar a reeleição ao Senado Federal na fileira da oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT). A decisão escancara a crise na base governista e altera o cenário para as eleições de 2026.
A saída do partido ocorre após meses de conflitos internos e a disputa pela formação da chapa governista, na qual Coronel foi preterido em favor da chamada chapa “puro-sangue”. Ele explicou que se sentiu desvalorizado e sem espaço para disputar a reeleição na base governista, tornando sua permanência inviável.
“Eu saí do grupo porque não me deram a vaga que eu tenho direito. Fui defenestrado, e não tenho sangue de barata para aceitar ser limado. Se o próprio governo não me quis, por que eu vou querer votos? Essa decisão não é apenas sobre política, é sobre respeito e reconhecimento ao meu trabalho. Não posso me submeter a um grupo que não me valoriza, por mais que eu tenha contribuído para a política do Estado nos últimos anos”, disse.
O senador sinalizou que a maior probabilidade é se filiar ao União Brasil, partido de oposição ao governo federal e estadual, que tem como pré-candidato ao governo o ex-prefeito de Salvador ACM Neto, aguardando uma conversa com o ex-prefeito até domingo (1). Antes de definir a filiação, aliados também serão consultados. As conversas acontecem, ainda, com PSDB, Democracia Cristã (DC) e PRD.
Em entrevista ao programa Frequência News, da Boa FM 96,1, Coronel detalhou ainda a forma como foi tratado pelo PSD. Segundo ele, o presidente estadual do partido, senador Otto Alencar, considerava sua permanência “insustentável” e pressionou para que ele deixasse a legenda.
O contexto político remonta à eleição de 2018, quando Coronel e Jaques Wagner foram eleitos senadores em aliança com o PT e o PSD, formada em torno do então governador Rui Costa. Naquele ano, ele integrou o bloco governista que agora o exclui da disputa por uma vaga ao Senado, marcando o fim de sua participação no grupo político do governo baiano e a entrada definitiva na oposição ao PT.
Além de criticar a articulação interna do PSD, o parlamentar comentou a influência de lideranças nacionais na movimentação do partido na Bahia, explicando que, desde a chegada de Ronaldo Caiado ao PSD, passou a ser acusado de tentar articular mudanças nos bastidores, incluindo contatos com Kassab, o que teria gerado ainda mais tensão com Otto Alencar.