#FOGUETINHODODIA – Ódio desafinado
Durante o Carnaval de Salvador, o cantor feirense Thiago Aquino protagonizou uma cena que deveria ser vista com naturalidade — mas, no Brasil de hoje, virou campo de batalha ideológica. Ao passar com seu trio, Aquino interagiu com o presidente Lula, que estava em um camarote, chamou-o para “tomar uma” e fez questão de reconhecer a importância de um programa social que possibilitou a formação de um músico de sua equipe como violinista. Pronto. Bastou isso para a internet explodir. A reação diz mais sobre quem critica do que sobre o gesto em si. Você pode não gostar de Lula. Pode discordar do governo. Pode ter votado contra. Tudo legítimo. O que não faz sentido é ser incapaz de reconhecer quando uma política pública deu resultado concreto na vida de alguém — no caso, um jovem do interior que ganhou profissão e oportunidade. Aquino não fez discurso partidário. Fez um agradecimento. Reconheceu algo que funcionou na sua realidade. Isso deveria ser visto como maturidade, não como traição ideológica. O problema é que parte da sociedade já não consegue mais separar política de humanidade. Tudo vira torcida organizada. E quando até um elogio a uma política que formou um músico vira motivo de ataque, talvez o que esteja desafinado não seja o violino — mas o debate público.