O município de Feira de Santana ocupa a terceira posição entre as cidades brasileiras com o maior número de produtores rurais. O dado faz parte de um levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na última quinta-feira (23), com base nas informações do Censo Agropecuário de 2017.
São 9.191 produtores rurais, ficando entre os maiores polos do setor no país. Além da expressiva quantidade de trabalhadores, a cidade também se destaca pela participação feminina no comando das propriedades rurais.
O levantamento mostra que 55,6% dos estabelecimentos agropecuários do município são administrados por mulheres, o maior percentual da Bahia. No estado, apenas Santo Estêvão (55,5%), Antônio Cardoso (51,0%) e Pedrão (50,9%) também registram maioria feminina na gestão das propriedades.
No cenário estadual, a Bahia lidera o ranking nacional em número de estabelecimentos rurais, concentrando 762.848 produtores, o equivalente a 15% de todas as propriedades agropecuárias do Brasil.
Além de Feira de Santana, outras três cidades baianas aparecem entre os dez municípios com maior número de produtores rurais do país: Casa Nova ocupa a sexta posição, com 7.509 produtores; Juazeiro aparece em nono lugar, com 7.288; e Macaúbas fecha o ranking na décima colocação, com 7.189.
Os dados também evidenciam a importância do setor para a economia baiana. Em 2017, o estado possuía a maior população ocupada na agropecuária do país, reunindo cerca de 2,1 milhões de trabalhadores, o equivalente a 13,9% da força de trabalho rural brasileira.
Embora os homens ainda representem a maioria na liderança das propriedades rurais baianas, com 74,4%, o estado registra a segunda menor proporção masculina do país, atrás apenas de Pernambuco. A média nacional é de 81%.
O perfil dos produtores também revela desafios para o setor. A pesquisa aponta um envelhecimento da população rural, com 45% dos produtores na faixa etária entre 45 e 65 anos. Os agricultores com até 45 anos representavam apenas 29,5% do total.
Outro dado que chama atenção é o nível de escolaridade. O levantamento identificou que 32,1% dos produtores rurais baianos eram analfabetos, percentual quase três vezes superior à taxa de analfabetismo registrada na população do estado no mesmo período. Além disso, 22,4% nunca frequentaram uma escola e apenas 2,9% concluíram o ensino superior.
O IBGE informou que pretende realizar uma nova edição do Censo Agropecuário em 2027, com o objetivo de atualizar o retrato da produção rural e do perfil dos trabalhadores do campo no Brasil.