Lula amplia votação em Feira, chega a 64,5% e derrota Flávio Bolsonaro por mais de 100 mil votos, mesmo com apoio de Zé Ronaldo
O resultado chama atenção especialmente pela participação direta de José Ronaldo na campanha presidencial. Aliado histórico de ACM Neto, o prefeito declarou apoio a Flávio Bolsonaro ainda antes do início oficial da disputa eleitoral e intensificou sua atuação após a definição do segundo turno. A mobilização incluiu reuniões políticas, articulação de lideranças e a inauguração do Comitê Princesa do Sertão – 22, instalado na Avenida Getúlio Vargas, no mesmo imóvel utilizado pela campanha de ACM Neto ao Governo da Bahia.
A estratégia buscava ampliar a presença do candidato do PL no maior colégio eleitoral do interior baiano, aproveitando a estrutura política do União Brasil e a influência do prefeito, reeleito em 2024. Na reta final, a cidade também recebeu ACM Neto, João Roma e outras lideranças bolsonaristas em uma mobilização na Avenida Getúlio Vargas, com o objetivo de fortalecer a candidatura de Flávio Bolsonaro.
Apesar da movimentação, os números mostram que Lula conseguiu ampliar consideravelmente sua votação. No primeiro turno, o presidente havia recebido 194.272 votos em Feira de Santana, correspondentes a 57,13% dos votos válidos. Três semanas depois, acrescentou 39.916 votos, alcançando 64,15% e registrando um crescimento de 7,02 pontos percentuais.
Flávio Bolsonaro também cresceu, mas em proporção significativamente menor. O candidato do PL passou de 121.727 votos no primeiro turno para 130.891 no segundo, um acréscimo de 9.164 votos. Considerando a participação no total de votos válidos, o desempenho permaneceu praticamente estável, passando de 35,80% para 35,85%.
A comparação revela que, enquanto Lula ampliou sua vantagem em mais de 30 mil votos entre os dois turnos, a campanha bolsonarista não conseguiu transformar a mobilização das principais lideranças oposicionistas em um crescimento proporcional expressivo nas urnas.
O cenário é particularmente significativo porque Feira de Santana representa uma das principais bases eleitorais de José Ronaldo e ACM Neto. Na disputa pelo Governo da Bahia, realizada no primeiro turno, Neto havia vencido no município com 53,33% dos votos válidos, enquanto Jerônimo Rodrigues (PT) recebeu 45,93%. O desempenho estadual do União Brasil, entretanto, não se repetiu na eleição presidencial.
A diferença entre as duas votações evidencia que o apoio das lideranças locais não significou uma transferência automática de votos para Flávio Bolsonaro. Parte do eleitorado que escolheu o calista para governador manteve preferência por Lula na disputa presidencial, um comportamento que demonstra a complexidade das alianças políticas e dos diferentes perfis de votação em Feira de Santana.
Para José Ronaldo, o resultado representa um contraste entre sua força eleitoral no município e o desempenho do candidato presidencial que apoiou. Embora tenha vencido a eleição municipal de 2024 e mantenha uma estrutura política consolidada na cidade, o prefeito viu Lula conquistar quase dois terços dos votos válidos dos feirenses.
No campo político, o resultado também ganha relevância diante das articulações para a sucessão municipal de 2028. O grupo liderado por José Ronaldo buscará preservar sua influência na Prefeitura, enquanto o PT e seus aliados trabalham para reorganizar a oposição local. A votação expressiva de Lula representa um indicador da presença eleitoral do campo petista.
Com 100% das 1.218 seções eleitorais totalizadas, Feira de Santana registrou 379.156 eleitores votantes no segundo turno, com abstenção de 12,97%. O comparecimento foi superior ao registrado na primeira etapa da eleição, quando 360.647 eleitores compareceram às urnas.
Ao final da disputa, os números deixam uma constatação política: a força eleitoral de José Ronaldo e ACM Neto em Feira de Santana não foi suficiente para modificar o resultado presidencial no município. Lula não apenas manteve a liderança conquistada no primeiro turno, como ampliou sua votação e encerrou a eleição com mais de 100 mil votos de vantagem sobre o candidato apoiado pelas duas principais lideranças do União Brasil na cidade. Essa diferença passa a integrar as análises sobre o comportamento do eleitorado feirense e as estratégias dos grupos políticos locais para as eleições de 2028.