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Eleições 2026 / 14 de outubro de 2026 - 12h 49m

Lula envia carta a evangélicos, cita proteção às crianças, segurança e defesa da família: “Peçam discernimento a Deus”

Lula envia carta a evangélicos, cita proteção às crianças, segurança e defesa da família: “Peçam discernimento a Deus”
Foto: Reprodução
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) divulgou, nesta quarta-feira (14), uma carta direcionada às famílias evangélicas em mais um movimento de aproximação com esse segmento do eleitorado. No texto, o petista aborda fé, família, segurança pública, jornada de trabalho, apostas on-line e políticas sociais, além de pedir “discernimento” aos eleitores na escolha do segundo turno.

A iniciativa ocorre em um momento em que Lula enfrenta dificuldade entre os evangélicos. Na primeira pesquisa Datafolha do segundo turno, Flávio Bolsonaro (PL) aparecia com 69% das intenções de voto entre evangélicos, contra 25% do presidente. No conjunto do eleitorado, o candidato do PL tinha 49% e Lula, 45%.

Na carta, o petista procura relacionar propostas de governo a temas presentes no cotidiano das famílias religiosas. O presidente cita o combate às bets e defende uma jornada que permita dois dias de descanso semanal, argumentando que mais tempo livre pode fortalecer a convivência familiar e também a participação nas igrejas.

O chefe do Executivo também menciona políticas de proteção às mulheres, enfrentamento à violência e ao crime organizado, cuidado com crianças e adolescentes, melhoria da saúde pública, aumento da renda e preservação ambiental. Ao longo do texto, utiliza referências religiosas e afirma respeitar a fé cristã e as diferentes profissões de fé.

Em um dos trechos, Lula afirma que as famílias seriam a base do país que pretende construir e associa suas propostas à defesa da vida familiar. A mensagem também procura responder a críticas recorrentes feitas ao PT no meio religioso, especialmente em temas ligados a valores e costumes.

No encerramento, o presidente faz um apelo diretamente relacionado ao segundo turno e pede que os evangélicos recorram à oração antes de definir o voto. “Sei que, nas famílias evangélicas, tudo se decide em oração. Por isso, conclamo vocês a pedirem discernimento a Deus para fazer a escolha nesta eleição. Vá às urnas com a consciência livre e com a aliança renovada com o nosso amado Brasil”, diz um trecho da carta.

A divulgação foi feita pela Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito e repete uma estratégia já utilizada em campanhas anteriores. Em 2022, Lula também publicou uma carta dirigida ao segmento religioso, e o PT voltou a fazer movimentos semelhantes ao longo de 2026.

Confira a carta na íntegra:

“Carta de Luiz Inácio Lula da Silva às Famílias Evangélicas Brasileiras

Queridas famílias evangélicas do Brasil,

Resolvi escrever a vocês com o coração aberto, cheio de verdade, pois os cristãos com quem tenho dialogado estão me ensinando que a Bíblia nos orienta a “seguir a verdade em amor.” Não sou evangélico, mas tenho total respeito por quem é, assim como tenho por todas as religiões e profissões de fé. Temos uma coisa em comum: o compromisso de cuidar das famílias brasileiras, pois somente lares fortes podem produzir uma nação forte!

Aprendi dentro de casa o valor do trabalho, resistindo bravamente com minha mãe, Dona Lindu, para criar uma família com sete irmãos. Com essa base familiar sólida, aprendi a amar e a lutar para transformar a realidade. É nesse chão que a minha história se encontra com a história de vida e de fé da sua família. Entrei para a política com esse compromisso em meu coração: ajudar a mudar as condições de vida das famílias pobres e batalhadoras.

Numa longa e difícil jornada, me tornei Presidente do Brasil por três vezes. Agora, disputo o quarto mandato. Cheguei até aqui com a proteção divina, orientado por um propósito e missão. Tenho absoluta certeza de que, se não fosse a boa mão de Deus, eu nem teria saído vivo das várias batalhas que enfrentei. Guiado por Ele estou aqui, mais uma vez, fazendo a defesa das famílias brasileiras com ações concretas, como tenho feito ao longo de toda a minha jornada política, e não com discursos vazios, como muitos outros fazem. As famílias são a base do Brasil que queremos.

Dentre as várias ações do meu governo que abençoam suas famílias, relembro a vocês, por exemplo, o combate às apostas online, as Bets, que estão destruindo tantos lares, e meu empenho para que todos tenham dois dias de descanso semanal, pois a vida não se resume ao trabalho. As pessoas precisam de mais tempo para descansar, ter lazer e estar em casa com os seus, fortalecendo os vínculos familiares. Para o povo evangélico, isso garante, inclusive, mais tempo para estar na igreja em comunhão com os irmãos e em adoração.

Sigo também empenhado em proteger as mulheres, combater todos os tipos de violência e o crime organizado com inteligência: prender os bandidos, proteger as nossas crianças e adolescentes e poupar as vidas inocentes.

Jamais poderão nos acusar de estarmos comprometidos com políticas que destroem vidas, que fecham templos ou que não demonstrem respeito, como Jesus nos ensinou, que devemos amar a todas as pessoas. Precisamos avançar mais, precisamos amar mais! Até aqui, ajudei a arrumar a nossa casa, o Brasil. Mas sei que ainda há muito a ser feito. Estou escutando o clamor legítimo e urgente de vocês por mudanças, por segurança, por futuro e prosperidade.
Estou comprometido com a melhoria da saúde pública, para que sua família fique bem cuidada; com o aumento real da renda, com poder de compra; e com a preservação da natureza criada por Deus. O Brasil é nosso! Eu vou escutar e atender aos anseios de vocês.

Sei que, nas famílias evangélicas, tudo se decide em oração. Por isso, conclamo vocês a pedirem discernimento a Deus para fazer a escolha nesta eleição. Vá às urnas com a consciência livre e com a aliança renovada com o nosso amado Brasil.

Com gratidão por sua atenção e generosa leitura, conto com suas orações e sigo olhando firmemente para a esperança da vitória e de um Brasil mais justo, respeitoso e com oportunidades para todos.”


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