Otto Alencar admite contatos telefônicos com Vorcaro por “Emenda Master”, mas afirma ter negado apoio
O senador Otto Alencar (PSD) em conversa com o BNews, neste sábado (19), revelou que o advogado Ciro Soares ligou para ele duas ou três vezes e passou a ligação para que ele falasse com o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O banqueiro quis saber se o congressista poderia lhe dar um apoio com a chamada “Emenda Master”. A emenda foi uma proposta de alteração legislativa apresentada em 2024 pelo senador Ciro Nogueira (PP) à PEC 65/2023 que previa elevar o teto de garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante.
“Falei com ele [Vorcaro] duas ou três vezes”, revelou. Nas ligações, no entanto, Otto afirmou ter dito ao ex-dono do Master que não era possível apoiá-lo ou ajudá-lo. “[A emenda] não foi a frente, não tinha condição de fazer isso”, disse. Otto é presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado. Ele disse que não levou à frente a emenda.
“Ciro [Soares] é meu amigo, ele tentou ajudar, também advogava para Daniel Vorcaro”, revelou. Apesar do banqueiro chamá-lo de conselheiro mas conversas extraídas pela PF entre Ciro Soares e Vorcaro, Otto disse que nunca deu conselho ao dono do banco Master, nem nunca encontrou presencialmente com ele e só conversou com o banqueiro por telefone nessas duas ou três ocasiões sempre por meio de uma ligação do defensor. Ciro também é advogado do PSD na Bahia. “Nunca dei conselho ao Daniel Vorcaro, ele exagerou na conversa estava querendo aprovar essa emenda. Nunca conversei nesse sentido”, declarou. Soares e Otto não são alvos de inquéritos relacionados ao caso Master. O advogado disse ao jornal O Globo que não “houve almoço ou encontros” entre o banqueiro e o senador organizados por ele.
O jornal O Globo revelou mensagens extraídas pela Polícia Federal (PF) no celular de Daniel Vorcaro em que o ex-banqueiro tratava o senador Otto Alencar como seu “conselheiro”. Conforme a publicação, o dono do Banco Master recebia, por meio do advogado Ciro Soares, recados frequentes atribuídos ao parlamentar. As conversas mostram tentativas de marcar reuniões presenciais entre o dono do Master e o congressista. Um relatório da PF aponta que Ciro Soares atuava para Vorcaro como intermediário entre o banqueiro e o parlamentar. Segundo as investigações, o advogado costumava avisar Vorcaro quando estava reunido com Otto, enviava fotos ao lado do parlamentar e ligava para o banqueiro para transmitir “recados” do senador. (Informações do Bnews)