Professores articulam paralisação e podem deflagrar greve em Feira; vereadores cobram valorização da categoria e solução do impasse
A possibilidade de paralisação e até mesmo greve na rede municipal de ensino de Feira de Santana ganhou força após a divulgação de uma agenda de mobilização pela APLB Sindicato. A programação prevê paralisação das atividades na quarta-feira (18), além de audiência e assembleia que pode deliberar sobre o estado de greve da categoria.
De acordo com o calendário, os professores devem se concentrar às 9h, na sede da APLB. Na segunda-feira (23), está prevista uma audiência com comissão, às 16h, no CEAF. Já na terça-feira (24), uma assembleia geral será realizada às 14h, quando a categoria deve decidir os próximos passos, incluindo a possibilidade de deflagração de greve.
Na Câmara Municipal, o tema repercutiu entre vereadores, que cobraram medidas para evitar a paralisação e apontaram problemas históricos na valorização da carreira docente. O vereador Silvio Dias (PT) foi um dos que criticou a política salarial do Município, afirmando que há perdas acumuladas para os professores.
“Ao longo dos anos, nós estamos denunciando que Feira de Santana vem causando um prejuízo imenso aos salários dos professores. Existe uma lei federal que estabelece o piso salarial e, quando ele é reajustado, deveria impactar todos os níveis. O que acontece aqui é o achatamento da carreira”, disse ao Blog do Velame.
Segundo o edil, profissionais com diferentes níveis de formação já recebem valores semelhantes. “Hoje, níveis como A, B, C e D já estão praticamente com o mesmo salário. Daqui a pouco, o primeiro e o último nível estarão iguais. Para quem está no topo, a perda já chega a quase 92%”, destacou.
Na mesma linha, o vereador Professor Ivamberg (PT) apontou ao blog falta de valorização da formação continuada dos docentes e demonstrou preocupação com o cenário. “É decepcionante e triste ver mais uma vez os professores sendo prejudicados em Feira de Santana. O que está acontecendo é um achatamento entre as classes, e os professores não estão progredindo como deveriam”, afirmou.
Ivamberg questionou a ausência de reconhecimento para quem busca qualificação. “O professor que faz mestrado, doutorado, especialização não tem direito a receber gratificação em cima da sua titulação? Não tem. Isso desestimula e compromete toda a carreira”, disse.
O vereador Eli Ribeiro (Republicanos), por sua vez, destacou os efeitos da paralisação para os estudantes e defendeu diálogo. “A gente recebe com tristeza, porque quem perde com isso são os alunos. A APLB está no seu direito de fazer greve, mas isso atrasa os alunos. Vamos acompanhar para ver como essa situação será resolvida”, afirmou.
Na oportunidade, o parlamentar recordou que esse é um problema recorrente. “Isso já é antigo, sempre volta à mesma questão. O importante agora é buscar uma solução para evitar prejuízos maiores”, completou.
A mobilização ocorre em meio à insatisfação da categoria com questões salariais, progressão na carreira e valorização profissional. A definição sobre uma eventual greve deve ocorrer na assembleia marcada para o dia 24.