Professores dão as costas a vereadores de Feira após pagamento dos precatórios com exclusão dos juros
Ao discursar, na tribuna da Câmara Municipal, na última quarta-feira (22), muitos vereadores fizeram questão de se declararem favoráveis ao pagamento dos precatórios do Fundef com o devido repasse dos juros aos professores. Um dia depois, no entanto, o que a categoria presenciou foi a aprovação do projeto com um desfalque milionário, ao excluir a correção monetária.
Sob a orientação do Executivo e depois de terem reunido a bancada governista a portas fechadas, alguns vereadores confidenciaram ter precisado voltar atrás da própria convicção por receio de retaliações políticas, sobretudo em se tratando de ano eleitoral.
A bancada da oposição, por sua vez, justificou o voto favorável pelo temor de que o Município travasse, por um período ainda maior, o pagamento dos precatórios. Diante do cenário, a solução mais uma vez será nos tribunais.
“O que a Câmara está fazendo hoje é dizer para o prefeito: ‘pague o que os professores têm direito’. Deveria estar dizendo: ‘pague, com juros’ (…) Hoje, com a ajuda dessa Casa, se usurpa R$ 52 milhões, porque nessa primeira parcela, o total devido R$ 52 milhões é de juros e R$ 23 milhões do principal, porque estão pagando lá o principal de 1997 a 2006, é o dobro do que vocês vão receber que vai ficar na Prefeitura”, disparou Professor Ivamberg (PT).
Líder do Governo na Casa, o vereador José Carneiro (União Brasil) afirmou ter recebido a informação do prefeito que, caso a APLB ingresse com ação judicial, obrigatoriamente a Prefeitura terá que recorrer, em primeira instância, no entanto, se houver parecer favorável do Tribunal de Justiça, o Paço Maria Quitéria cumpriria integralmente a decisão.
A fala gerou protestos e vaias por parte dos professores que, a cada discurso de um doso vereadores governistas, viravam às costas em forma de repúdio.