“Se a gente parar, Feira para”: entregadores denunciam insegurança e descaso das plataformas durante audiência na Câmara
A audiência pública realizada na manhã desta quinta-feira (4), na Câmara Municipal de Feira de Santana, expôs a fragilidade das condições de trabalho enfrentadas pelos entregadores por aplicativo. Conduzida pelo vereador Pedro Américo (Cidadania), a sessão reuniu trabalhadores, especialistas e representantes de órgãos municipais para discutir segurança viária, proteção social e a relação com as plataformas digitais.
O motoentregador Celso Santos da Silva apresentou um dos relatos mais contundentes. Ele afirmou que as empresas deixam a categoria “literalmente abandonada” e que, diante de um acidente, os profissionais ficam sem qualquer tipo de assistência caso não estejam contribuindo como Microempreendedor Individual. Celso citou o caso de um colega que perdeu o olho esquerdo após um acidente e não recebeu nenhum suporte. Segundo ele, “o iFood não prestou nenhuma solidariedade, nenhum apoio financeiro”, e o trabalhador precisou recorrer à Justiça para tentar obter algum tipo de reparação.
Celso destacou o papel essencial da categoria no funcionamento da cidade e afirmou que uma paralisação teria efeito imediato sobre diversos serviços. Em suas palavras, “se a gente parar, Feira para. O remédio não vai chegar, o lanche não vai chegar. Se a gente parar, a pizzaria vai parar, a farmácia vai parar, o diabético não vai receber o seu remédio”. Ele acrescentou que, se motoristas e entregadores de aplicativos interrompessem suas atividades, o sistema de transporte local também seria impactado, já que “os ônibus não dão conta da demanda de Feira de Santana toda”.
O entregador também criticou a atuação da Superintendência Municipal de Trânsito. Para ele, uma fiscalização mais equilibrada poderia reduzir conflitos e melhorar a circulação nas vias. “Se os agentes da SMT rodassem mais por Feira de Santana, não focando em ficar no shopping, aplicando multa na moto do trabalhador que está lá estacionada há dois minutos, acho que o problema do trânsito não seria resolvido por completo, mas diminuiria.”
A audiência reuniu depoimentos que reforçaram a necessidade de regulamentação mais clara, mecanismos de proteção e ações que garantam segurança mínima aos profissionais que dependem da atividade para sustentar suas famílias. O encontro deve subsidiar futuras discussões da Câmara sobre propostas voltadas à segurança, direitos e condições de trabalho dos entregadores por aplicativo em Feira de Santana.