Sob ânimos exaltados, líder do Governo sobe o tom: ‘Eu acho que não devo morrer político, porque ser político é uma vergonha’
A sessão desta quarta-feira (22), na Câmara Municipal de Feira de Santana, foi marcada por clima tenso e ânimos exaltados durante o debate sobre o pagamento dos precatórios do Fundef. O embate envolveu vereadores da base governista e da oposição, com troca de críticas diretas, farpas e até acusações de oportunismo.
Líder do governo na Casa, o vereador José Carneiro (União Brasil) reagiu às falas da oposição, especialmente às críticas feitas por Silvio Dias (PT), subindo o tom ao questionar a postura da bancada oposicionista no debate.
“A gente vem vendo algumas pessoas se expressarem na defesa desses precatórios porque não têm memória. Esqueceram que, no passado, quando nós lutamos e apresentamos ação judicial para pautar o projeto, muitos se calaram e se juntaram à gestão passada. Não levantaram uma voz em defesa da antecipação dos precatórios”, alegou.
O vereador acusou a oposição de tentar se apropriar politicamente do tema e classificou a postura como incoerente diante de posicionamentos anteriores. “Hoje a oposição quer sair na frente, quer ser o pai da criança. A coisa é tão vergonhosa que agora aparecem como defensores, mas não tiveram coragem antes. Isso é usar um tema sério para fazer política”, disse.
Durante o discurso, José Carneiro também ampliou as críticas ao citar o governo estadual e apontar o que considerou como omissão dos opositores em outras esferas. “O governo do Estado também não pagou os juros. Rui Costa e Jerônimo Rodrigues também não pagaram. E onde estavam esses que hoje cobram? Não tiveram coragem de levantar a voz lá. Eu estou político e acho que não tenho como morrer político, porque ser político é uma vergonha nesse país. É vergonhoso. Hoje é pau, amanhã é pedra. Vamos parar com isso e ter vergonha na cara, assumir quem somos”, disparou.
Apesar do tom crítico, o vereador afirmou que, pessoalmente, considera que os professores têm direito aos juros dos precatórios, mas ponderou que a questão envolve diferentes entendimentos jurídicos.
“Eu acho, particularmente, que os professores têm direito aos juros, sim. Mas isso não depende só da minha opinião. Existem decisões no Brasil onde esses valores foram retirados. Agora, se o município seguir esse caminho ou outro, é uma decisão de gestão”, concluiu.
O debate sobre os precatórios do Fundef tem intensificado o confronto entre base e oposição na Câmara, em meio às discussões sobre a destinação dos recursos e os direitos dos profissionais da educação.