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Feira de Santana / 19 de julho de 2020 - 03h 24m

Subnotificação das arboviroses maquia as estatísticas em Feira de Santana

Subnotificação das arboviroses maquia as estatísticas em Feira de Santana

Dandara Barreto
e-mail: [email protected]

Quase três mil pessoas tiveram alguma arbovirose em Feira de Santana somente esse ano. De janeiro até o dia 17 de julho de 2020, data do último boletim epidemiológico divulgado pela Prefeitura de Feira, 1.495 casos de Dengue e 1.232 de Chikungunya foram confirmados pela Secretaria Municipal de Saúde.
Mais de 8 mil pessoas procuraram a vigilância epidemiológica do município para relatar a suspeita da doença.
De acordo com o boletim, os bairros com maior número de casos de Dengue são; Brasília (418), Tomba (271), Conj. Feira X (194), Campo Limpo (180), Centro (170), Parque Ipe (143), Aviário (122), Mangabeira (114), Papagaio (98) e Jardim Acacia (96). Os distritos com maior números de casos são; Dist. Maria Quitéria (167), Dist. Humildes (65), Dist. Bonfim de Feira (65), e Matinha (32).
O bairro Brasília também lidera em números de casos confirmados de Chikungunya, com 489 casos, em seguida vem; Tomba (187), Campo Limpo (156), Parque Ipê (135), Centro (107), Mangabeira (103), e Santa Monica (103). Os distritos com maior números de casos são; Dist. Maria Quitéria (165), Dist. Bonfim de Feira (127), Dist. Humildes (46) e Jaíba (42) e Dist. Matinha (37).

Subnotificação

Os números são preocupantes, mas nem de longe representam a realidade. Isso porque a subnotificação que sempre foi muito grande, aumentou ainda mais com a pandemia do Novo Coronavírus. Por medo da exposição, muita gente prefere não buscar atendimento médico,  logo, muitos casos não são notificados.
Foi o que aconteceu com a maquiadora Emanuele Porto, moradora do bairro Feira X. Ela e o esposo manifestaram sintomas como febre e dores de cabeça e dores musculares. A princípio, eles buscaram uma unidade de saúde para fazer o teste de Covid 19, mas não conseguiram, pois, de acordo com o profissional que os atendeu, os sintomas não eram compatíveis com a doença. Em seguida, surgiram as manchas pelo corpo e as dores nas articulações se intensificaram. Emanuele diz que acredita que teve chikungunya, já que mesmo após um mês, continua acometida pelas dores.
“Eu não busquei atendimento médico por dois motivos: eu sentia muita indisposição corporal para enfrentar a espera de um atendimento numa unidade de saúde e tive medo de me expor ao risco de ser contaminada com a Covid 19”.
Emanuele cogitou a possibilidade pagar pelo exame na rede particular, mas se surpreendeu com o custo do exame. “O exame para chikungunya é muito caro. Na maioria dos laboratórios, custa mais de R$500,00. Sem requisição, não pude fazer pela rede pública”, explicou.
O médico Allan Corsini, que atende na rede pública aqui em Feira de Santana, informou que as arboviroses são maioria dos atendimentos nas unidades de saúde. Ele disse, que os casos de Covid-19 têm crescido muito, mas Dengue e Chikungunya continuam sendo o motivo da grande procura dos pacientes pelo atendimento médico.
De acordo com ele, a subnotificação ocorre inclusive dentro das próprias unidades de saúde.
“O volume de pacientes diariamente é muito grande. Nós estamos vivendo um momento de surto e as equipes de trabalho não dão conta de fazer a notificação. Na maior parte das unidades, não existe um profissional voltado apenas para isso. Este é um grande problema, porque se o profissional parar para fazer a notificação, atrasa os demais atendimentos e as pessoas não podem voltar para casa sem ser atendidas”, revelou o médico.

Automedicação 

Para Allan, esse ano em particular, o problema se agravou com a pandemia da COVD-19. Devido à orientação médica de o paciente não procurar atendimento a menos que sejam casos de extrema importância, junto com a subnotificação, cresce também a auto medicação e em doenças como a dengue, por exemplo, existe um risco de agravamento no quadro clínico, como hemorragias e por isso, algumas medicações devem ser evitadas. Ele orienta como o paciente deve proceder ao sentir os primeiros sintomas.
“Se um indivíduo sentir os sintomas que levam a suspeita de arboviroses ou de coronavírus, é indicado procurar a unidade básica de saúde para ser medicado, orientado e se necessário, encaminhado para uma unidade de maior complexidade como a Upa ou um hospital. Caso tenha sintomas mais graves, é recomendado procurar diretamente essas unidades”.
Os sintomas graves de dengue são dor abdominal intensa, náuseas e vômitos que não passa, desmaio, queda da pressão, sonolência, queda da pressão. Em caso de coronavírus, o sintoma de alarme mais evidente é a falta de ar.
O médico lembra que tanto as arboviroses quanto o coronavírus, tem os primeiros sintomas muito parecidos e isso dificulta o diagnóstico, por isso, o atendimento médico é imprescindível.
“O profissional vai se ater aos sintomas específicos e levar em consideração o quadro respiratório para identificar a doença e tratá-la adequadamente”, conclui.

Combate ao mosquito

Ciente da situação, a Secretaria Municipal de Saúde/Vigilância Epidemiológica divulgou em boletim que vem adotando medidas de prevenção e controle do Aedes aegypti com objetivo de diminuir os índices de infestação vetorial e quebrar a cadeia de transmissão da doença. O texto traz um alerta para o aumento do número de casos de arboviroses e ratifica que a situação epidemiológica continua a demandar dos profissionais de saúde da rede pública e privada a necessidade de identificação precoce dos possíveis casos suspeitos da doença, de modo a ofertar o cuidado em tempo oportuno, bem como do importante papel e apoio da comunidade no controle do vetor.

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