Trem Feira-Salvador pode ter definição ainda este ano, afirma empresa responsável por projeto
O projeto do trem elétrico entre Feira de Santana e Salvador segue em fase de articulação com os governos estadual e federal e pode ter novos desdobramentos ainda este ano. A informação foi apresentada por representantes da TIC Bahia, empresa que possui autorização para construir e explorar a ferrovia entre as duas cidades.
A proposta prevê uma linha férrea de aproximadamente 98 quilômetros, com operação de trens elétricos e velocidade superior a 150 km/h, o que reduziria o deslocamento entre Salvador e Feira para cerca de 35 minutos. Além do transporte de passageiros, o projeto também inclui logística para veículos, combustíveis, granel sólido e líquido, com a proposta de criar um novo corredor ferroviário para mobilidade e escoamento de cargas.
Em entrevista ao portal bahia.ba, o engenheiro Danilo Ferreira, sócio da TIC Bahia e ex-diretor de Políticas e Mobilidade da Sedur, detalhou que as negociações seguem avançando junto aos entes públicos para garantir autorização de início das obras. “A gente vem num diálogo muito profundo, muito profícuo”, afirmou ao comentar as tratativas com o Governo do Estado e o Governo Federal.
Os responsáveis pelo projeto defendem que a iniciativa não pretende competir com outros investimentos ferroviários em andamento, mas ampliar a infraestrutura logística da Bahia e integrar novos modais de transporte ao estado. Segundo Osvaldo Ottan, também sócio da TIC Bahia, o objetivo é transformar o sistema de mobilidade regional e oferecer maior previsibilidade ao transporte.
“Nós vamos mudar todo esse conceito de transporte na Bahia, principalmente entre Feira e Salvador […] esse serviço que nós estamos oferecendo vai trazer mais tranquilidade e confiabilidade, confiabilidade, previsibilidade”, declarou o investidor.
Os empresários também destacaram a possibilidade de adoção de trens elétricos do modelo EMU, fabricados pela chinesa CRRC, mesma tecnologia prevista para o projeto TIC Trens, entre São Paulo e Campinas. A definição, no entanto, ainda dependerá de concorrência internacional, devido ao alto investimento necessário.
Orçado em R$ 6,8 bilhões, o projeto possui autorização de construção e exploração da estrada de ferro por 99 anos. Caso obtenha aval definitivo para execução, a TIC Bahia terá prazo de até oito anos para entrega da ferrovia. Demonstrando otimismo com o andamento das negociações, Ottan reforçou a dimensão estratégica da proposta para a região.
“Nós temos certeza que esse projeto ele é muito grande, não está restrito só ao embrião Feira-Salvador. Ele é uma coisa que vai crescer muito e vai trazer uma dimensão social e econômica para o Norte e Nordeste fantástica. Por isso é que nós estamos aí esperançosos e acreditando que a gente vai conseguir avançar muito”, completou.