‘Demagogia’: Vereador faz coro por proposta do PL de escala 4×3 e provoca reações na Câmara de Feira
A proposta defendida pelo Partido Liberal (PL) de ampliar o debate sobre a redução da jornada de trabalho para um modelo de quatro dias de trabalho e três de folga repercutiu na Câmara Municipal de Feira de Santana, provocando reações entre vereadores da base governista.
A discussão ocorre em meio ao debate nacional sobre o fim da escala 6×1. Enquanto setores ligados ao Partido dos Trabalhadores (PT) defendem a adoção da escala 5×2, parlamentares do Partido Liberal passaram a defender publicamente uma proposta ainda mais ampla, a escala 4×3.
A estratégia foi capitaneada pelo deputado federal Sóstenes Cavalcante, sob o argumento de pressionar o PT no debate sobre direitos trabalhistas. Na Câmara de Feira, o vereador Ismael Bastos (PL) fez coro pela estratégia política.
“Estou sugerindo um benefício maior para o trabalhador. Quatro dias trabalhar e três dias de folga. Essa é a PEC que o PL vai apresentar uma emenda à PEC na escala de trabalho. Eu quero ver qual será o posicionamento do PT. Porque o trabalhador vai ser melhor para o trabalhador trabalhar quatro dias e folgar três dias”, declarou.
Segundo o edil, a proposta colocaria partidos de esquerda em uma situação desconfortável. “Eu quero ver qual será o discurso da esquerda. Eu quero ver os petistas, que têm o nome do partido, Partido dos Trabalhadores. Eu quero ver eles votando contra os trabalhadores. E qual será a desculpa?”, disse.
A proposta recebeu críticas de vereadores da base governista. O líder do governo na Câmara, José Carneiro (União Brasil), classificou o debate como uma disputa política marcada pela demagogia, sugerindo que a medida pode prejudicar empresários.
“É uma disputa política, é regada a demagogia. Empresário brasileiro nenhum vai conseguir sobreviver tendo três dias de descanso para o seu funcionário. Já tem uma carga tributária fora do comum, que sobrevivem quase morrendo. Com essa proposta indecente, vereador, sincera e honestamente, vocês, os senhores do PL e do PT, querem matar os empresários do Brasil”, rebateu.
O vereador Galeguinho (União Brasil), por sua vez, alegou que o setor produtivo seria diretamente afetado pelas mudanças na jornada de trabalho. “O governo não trabalha, o governo não produz. Então quem produz é o empresariado. Então assim, é muito simples você chegar ali, fazer um decreto, mudar a lei. Acho que o correto mesmo, do jeito que está essa confusão, é fazer logo 30 por 30, ninguém trabalha mais, vamos ver no que vai dar”, ironizou.