Zé Cocá ganha força para ser vice de ACM Neto após Zé Ronaldo voltar a sugerir permanência na Prefeitura de Feira
Com a aproximação das eleições de 2026 e o avanço das articulações políticas na Bahia, a oposição ao governo estadual começa a desenhar a possível composição da chapa que disputará o Palácio de Ondina. Liderado pelo ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil), o grupo ainda tem indefinida uma das posições da chapa majoritária: o cargo de vice.
Até o momento, os únicos nomes tratados como praticamente certos na composição é o do ex-ministro da Cidadania e ex-deputado federal João Roma (PL), atual presidente estadual do partido, que deve disputar uma das duas vagas ao Senado, e do senador Angelo Coronel (sem partido) que vai concorrer à reeleição no campo oposicionista.
Com isso, segue em aberta a vaga para a vice de Neto. Nos bastidores, diferentes nomes foram citados nos últimos meses como possíveis opções para compor a chapa com ACM Neto. Entre eles estão o prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo (União Brasil), a prefeita de Vitória da Conquista, Sheila Lemos (União Brasil), e o prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP).
Nas últimas semanas, porém, o nome de Zé Cocá passou a ganhar mais força entre interlocutores do grupo oposicionista. A avaliação interna considera estratégica a presença de lideranças com forte influência no interior do estado para fortalecer a chapa em 2026. Aliados de ACM Neto apontam que a ausência de um nome com base regional consolidada foi um dos fatores avaliados após a derrota nas eleições de 2022, quando o ex-prefeito de Salvador foi superado pelo atual governador Jerônimo Rodrigues (PT).
O avanço do nome de Zé Cocá ocorre também em meio a sinais de que o prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo, pretende permanecer à frente da prefeitura até o fim do mandato, reduzindo a possibilidade de renúncia para disputar o cargo de vice-governador.
Questionado sobre o tema, Zé Ronaldo afirmou que pretende cumprir o compromisso assumido com a população durante a campanha eleitoral. “Eu ainda tenho uns 30 dias para pensar, ou um pouquinho mais, sobre essa questão de candidatura ou não candidatura. A tendência muito forte é respeitar a minha própria palavra. Eu dei a minha palavra que, se fosse prefeito de Feira, não renunciaria o mandato e ficaria no mandato”, declarou.
O prefeito acrescentou que as discussões políticas costumam se intensificar com a proximidade dos prazos de filiação partidária, mas afirmou que ainda não há definições. “Quando se aproxima a questão de filiações partidárias, esses prazos, essas conversas aumentam muito mais, evoluem muito mais. Mas não tem nada disso, não. É mais o tititi dentro do mundo político que a gente vive”, afirmou.
Zé Ronaldo também disse que tem mantido diálogo com lideranças políticas, mas evitou antecipar qualquer posicionamento sobre a formação da chapa. “Estou conversando, tenho conversado realmente muito, pessoalmente ou por telefone. Ideias estão sendo trocadas, conversas estão sendo realizadas, mas eu aprendi muito que, para a gente ter sucesso em alguma coisa na política, se conversar demais termina queimando a língua”, disse.
Diante desse cenário, aliados de ACM Neto passaram a considerar o prefeito de Jequié, Zé Cocá, como uma alternativa competitiva para a vice-governadoria. Reeleito em 2024 com mais de 90% dos votos, Cocá consolidou forte base política no município e influência na região do Médio Rio de Contas.
Segundo interlocutores do grupo oposicionista, o diálogo com o prefeito de Jequié tem avançado, embora ainda não exista definição oficial sobre a composição da chapa. Nos bastidores, Cocá também condiciona qualquer eventual decisão eleitoral à formalização de compromissos relacionados a obras estruturantes para Jequié e municípios da região do Médio Rio de Contas. Entre as prioridades apontadas está a construção de um aeroporto regional, considerado estratégico para o desenvolvimento da região.