Jerônimo provoca ACM após apoio a Flávio e promete votação histórica a Lula na Bahia: “Perdeu pra mim e vai perder novamente”
O governador reeleito da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), reagiu, nesta quarta-feira (7), ao anúncio de apoio de ACM Neto (União Brasil) a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial. Em publicação nas redes sociais, o petista afirmou que a posição do ex-prefeito de Salvador confirma, na avaliação dele, que a neutralidade adotada pelo adversário no primeiro turno fazia parte de uma estratégia eleitoral.
“Como sempre soubemos e dissemos, a neutralidade era oportunismo eleitoral e propaganda enganosa. O candidato dele sempre foi Flávio Bolsonaro. Perdeu pra mim e vai perder novamente, pois a Bahia dará uma votação histórica a Lula”, escreveu o chefe do Executivo baiano.
A manifestação ocorre pouco depois de Neto anunciar, em Brasília, que ele e seu grupo político vão atuar na campanha de Flávio Bolsonaro na Bahia. O União Brasil, juntamente com o PP, já havia formalizado apoio ao candidato do PL para o segundo turno.
Durante a primeira etapa da eleição presidencial, o ex-prefeito de Salvador apoiou Ronaldo Caiado (PSD). Com o goiano fora da disputa, ACM Neto aderiu oficialmente a Flávio e afirmou que pretende mobilizar prefeitos, deputados federais eleitos, candidatos que participaram do primeiro turno e outras lideranças ligadas ao seu grupo político no estado.
A reação de Jerônimo retoma um dos embates que marcaram a campanha pelo Governo da Bahia. Ao longo do primeiro turno, aliados do petista questionaram a posição de ACM Neto na corrida presidencial e buscavam associá-lo ao campo político de Bolsonaro.
O governador reeleito também aproveitou a publicação para relacionar o novo posicionamento do adversário ao resultado das urnas na Bahia. Jerônimo garantiu mais quatro anos à frente do governo estadual ao vencer ACM Neto no primeiro turno.
Ao escrever que o ex-prefeito “perdeu pra mim e vai perder novamente”, o petista projetou uma nova vitória de Lula no eleitorado baiano durante o segundo turno presidencial. A frase também mantém aberto o confronto entre os dois principais grupos que acabaram de disputar o comando do estado.
Com o segundo turno nacional, a rivalidade estadual ganha agora outro palco. ACM Neto pretende colocar prefeitos, parlamentares e aliados de seu grupo na campanha de Flávio, enquanto o governador reeleito deve participar das articulações em favor de Lula na Bahia.

Feriado de 12 de outubro altera funcionamento do comércio e serviços em Feira
O feriado de Nossa Senhora Aparecida, celebrado na segunda-feira (12), vai alterar o funcionamento do comércio, shoppings e serviços em Feira de Santana, com alguns estabelecimentos funcionando em horários especiais, enquanto repartições públicas e agências bancárias permanecerão fechadas.
No Boulevard Shopping, lojas e quiosques funcionam das 14h às 20h. A praça de alimentação abre das 12h às 21h, enquanto os restaurantes funcionam até as 22h. O Sam’s Club e a Farmácia Brito abrem das 8h às 20h. A lotérica, a Clínica Saúde Center e a Clinos não funcionarão.
No Shopping Avenida, lojas e quiosques abrem das 14h às 20h, com a praça de alimentação e o Detroit funcionam das 12h às 20h. O Lumini Park e o Clubinho estarão abertos das 14h às 20h.
Já no Shopping Millenium, a abertura das lojas será facultativa, tendo a praça de alimentação poderá funcionar das 11h às 23h. A Farmácia Caroá abre das 8h às 22h e a lavanderia, das 8h às 23h. A concessionária permanecerá fechada.
No Centro de Feira de Santana, as lojas de artigos infantis poderão funcionar até as 13h. Para os demais estabelecimentos, a abertura será facultativa. Nos bairros, o comércio está autorizado a funcionar normalmente.
No Centro de Abastecimento, a Ceasa poderá funcionar até as 12h. O Feiraguay abre das 8h às 16h. A Prefeitura de Feira de Santana não terá expediente durante o feriado. As agências bancárias também permanecerão fechadas.
Os parques municipais funcionarão normalmente. O Parque da Cidade José Monteiro Sobrinho, no Feira VII, e o Parque Municipal Erivaldo Cerqueira, no bairro Baraúnas, estarão abertos das 8h às 17h.
Fiscalizações encontram mais de 1,4 mil fraudes de energia em Feira; volume seria o suficiente para abastecer a cidade por 45 dias
Mais de 23 mil fraudes de energia elétrica foram identificadas na Bahia entre julho e setembro de 2026. De acordo com a Neoenergia Coelba, as irregularidades foram encontradas durante mais de 28 mil ações de fiscalização realizadas em diferentes municípios do estado.
No período, a distribuidora recuperou 187,5 GWh de energia, volume que, segundo a empresa, seria suficiente para abastecer Feira de Santana por, aproximadamente, 45 dias.
Em Feira, as equipes realizaram 1.767 inspeções e encontraram 1.453 fraudes. A energia recuperada no município chegou a 3,5 GWh, quantidade capaz de atender, por cerca de 30 dias, o consumo de uma cidade do porte de Riachão do Jacuípe.
Agosto concentrou o maior volume de energia recuperada desde junho de 2024, sendo 82,6 GWh recuperados durante mais de 10,2 mil fiscalizações, que resultaram na identificação de 8.616 fraudes em todo o estado.
A Neoenergia Coelba alerta que o furto de energia, além de configurar crime previsto no Código Penal, pode provocar acidentes, comprometer a segurança da população e causar sobrecarga na rede elétrica. Denúncias sobre possíveis irregularidades podem ser feitas de forma anônima por meio do telefone 116.
ACM Neto declara apoio a Flávio e promete mobilizar campanha no estado com prefeitos e deputados: “Precisamos mudar o nosso país”
Depois de ser derrotada nas urnas para o Governo do Estado, ACM Neto (União Brasil) anunciou, nesta quarta-feira (7), em Brasília, apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial. O ex-prefeito de Salvador afirmou que o União Brasil fechou posição em torno da candidatura do senador e disse que seu grupo político atuará diretamente na campanha na Bahia.
Ao lado do presidenciável, Neto explicou que falava também em nome da força política que construiu no estado e citou a Bahia como um dos maiores colégios eleitorais do país. “Todos nós do União Brasil fechamos questão em torno do apoio à candidatura de Flávio à Presidência”, declarou.
A manifestação ocorre um dia depois de a Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, oficializar apoio ao candidato do PL no segundo turno. Com isso, ACM Neto passa a integrar de forma aberta a articulação nacional em torno de Flávio, depois de ter apoiado Ronaldo Caiado (PSD) no primeiro turno.
Caiado terminou a primeira etapa da eleição na quinta colocação, com 2.605.148 votos, equivalentes a 2,18% dos válidos. Já Flávio Bolsonaro liderou a disputa nacional, com 56.104.503 votos, ou 47,03%, enquanto Lula (PT) ficou com 53.879.538, correspondentes a 45,16%.
Na Bahia, ACM Neto afirmou que pretende mobilizar prefeitos, deputados federais eleitos, candidatos que participaram do primeiro turno e outras lideranças do seu grupo político em favor de Flávio. Segundo ele, a articulação começa imediatamente e terá foco na disputa marcada para 25 de outubro.
“Todos nós estaremos motivados, mobilizados e trabalhando a partir de hoje pela campanha de Flávio Bolsonaro para presidente. Precisamos mudar o nosso país”, declarou, ao projetar uma vitória de Flávio no dia 25.
Antologia “Escritas Quilombolas” une 67 autores em obra histórica no Território de Matinha, em Feira de Santana
A literatura baiana ganha uma contribuição histórica e pulsante com o lançamento da Antologia “Escritas Quilombolas: História, Cultura e Saberes Ancestrais”. Fruto da articulação coletiva e da necessidade visceral de registrar vivências, saberes e tradições, a obra reúne textos de 67 autores de diversas faixas etárias, originários e conectados ao cotidiano, às lutas e à sabedoria ancestral da Comunidade Quilombola de Moita da Onça, situada no Território de Matinha, e das demais comunidades quilombolas de Feira de Santana, bem como de quilombos de outras regiões da Bahia e do Brasil.
Organizada pelas lideranças comunitárias Ednalva Santos da Silva e Rita de Lima Ferreira Pedreira, a publicação transcende o formato literário tradicional: constitui-se como um instrumento de reparação histórica, emancipação e resistência contra séculos de apagamento e inferiorização cultural. A obra reúne textos abrangendo desde crianças até griôs, incluindo uma idosa de 103 anos que contribuiu oralmente por não ser alfabetizada.
Inspirada na célebre máxima do pensador quilombola Nego Bispo — “Vamos falar de nós ganhando, porque para falar de nós perdendo, eles já falam” —, a obra coloca o povo quilombola no lugar de sujeito e narrador de sua própria história. Conforme destacam no prefácio as autoras Hely dos Santos Pedreira e Railma Santos Souza, os textos convidam o leitor a imergir em epistemologias plurais, enaltecendo a diversidade e o profundo vínculo com a terra e com os elementos da natureza.
A materialização do projeto conta com a parceria da Rubi Editorial, editora reconhecida pelo compromisso com o legado africano, afro-brasileiro e indígena. Mais do que um lançamento literário, o evento foi concebido como um grande ato de “aquilombamento” — termo que evoca união, acolhimento e fortalecimento comunitário. Em consonância com o princípio da “dororidade” e da construção coletiva, o evento possui caráter beneficente. A organização convida o público presente a colaborar com a doação de 1 kg de alimento não perecível, reafirmando o compromisso social e o cuidado humanitário com o próximo.
De Feira de Santana para o Senado: conheça Gracinha Caiado, eleita em Goiás com mais de 1,4 milhão de votos
Natural de Feira de Santana, Gracinha Caiado conquistou uma cadeira no Senado por Goiás nas eleições de 2026. Aos 67 anos, ela recebeu 1.458.522 votos e foi eleita logo em sua primeira disputa por um cargo eletivo.
Advogada formada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), a esposa de Ronaldo Caiado construiu parte de sua trajetória pública ao lado do marido, que disputou a Presidência da República neste ano. Antes da entrada formal nas urnas, ela já acumulava décadas de atuação nos bastidores da política e em projetos sociais.
Ainda na Bahia, Gracinha teve aproximação com o setor agropecuário por meio da União Democrática Ruralista (UDR), entidade na qual chegou a integrar a direção da representação estadual. Em 1990, casou-se com Ronaldo Caiado. O casal tem duas filhas, Maria e Marcela.
Ao longo da trajetória política do marido, Gracinha acompanhou diferentes fases da carreira de Caiado, que exerceu cinco mandatos consecutivos como deputado federal, passou pelo Senado e governou Goiás por dois mandatos. Durante os anos em que ele esteve no Congresso Nacional, ela também atuou nos escritórios de representação parlamentar mantidos em Goiânia.
A participação de Gracinha ganhou maior visibilidade durante o governo estadual. Ela comandou o Gabinete de Políticas Sociais e esteve ligada à estruturação do Goiás Social, que reúne iniciativas nas áreas de transferência de renda, moradia, educação e incentivo à geração de renda.
Entre os programas vinculados à política social do estado estão Mães de Goiás, Aluguel Social, Bolsa Estudo e Crédito Social. Gracinha também ocupou a presidência de honra da Organização das Voluntárias de Goiás (OVG), entidade voltada a ações de assistência social.
A eleição de 2026 marca uma mudança na trajetória da feirense. Depois de anos atuando na articulação política e em funções ligadas ao governo de Goiás, Gracinha passa a ocupar, pela primeira vez, um mandato conquistado diretamente nas urnas. Com mais de 1,4 milhão de votos, ela chega ao Senado enquanto Ronaldo Caiado, derrotado na disputa presidencial, permanece como uma das principais lideranças nacionais do PSD e já declarou apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno.
De 2022 a 2026: urnas redesenham força de nomes tradicionais de Feira; veja quem cresceu e quem encolheu
As eleições de 2026 redesenharam o tamanho eleitoral de alguns dos nomes mais conhecidos da política de Feira de Santana. Comparando apenas candidatos ligados diretamente ao município e que disputaram o mesmo cargo em 2022 e 2026, os números mostram desde crescimento expressivo até perdas superiores a 80% da votação local.
O caso mais acentuado de queda é o de Carlos Geilson. Na disputa para deputado estadual de 2022, ele recebeu 15.912 votos em Feira. Quatro anos depois, novamente candidato à Assembleia Legislativa, terminou com 1.982 votos no município. A diferença foi de 13.930 votos a menos, uma redução de aproximadamente 87,5%.
Também candidato a deputado federal nas duas eleições, Zé Neto (PT) passou de 62.915 votos em Feira em 2022 para 59.127 em 2026. A queda foi de 3.788 votos, equivalente a cerca de 6%. Mesmo com a redução, continuou sendo o candidato a federal mais votado pelos feirenses.
Já Zé Chico (União Brasil) praticamente manteve o tamanho de sua votação local. Na última eleição, recebeu 34.540 votos em Feira. No pleito deste ano, teve 34.182. Foram apenas 358 votos a menos, uma oscilação de pouco mais de 1%.
Entre os candidatos a deputado estadual, Pastor Tom apresentou movimento contrário. Ele saiu de 10.518 votos em Feira para 17.103. O crescimento foi de 6.585 votos, aproximadamente 62,6%. Apesar da alta, não conseguiu retornar à Assembleia Legislativa.
Ângelo Almeida (PT) foi um dos que se destacou nas urnas, ampliando a sua votação na Princesa do Sertão. Em 2022, então filiado ao PSB, recebeu 8.128 votos em Feira. Este ano, já no PT, alcançou 11.384, um aumento de 3.256 votos, ou cerca de 40%.
Outro nome que cresceu foi Lulinha da Gente (União Brasil). Ele passou de 7.100 votos em 2022 para 8.207 em 2026, acréscimo de 1.107 votos, o que representa em torno de 15,6%.
A comparação mostra trajetórias bastante diferentes entre nomes que disputam há anos o eleitorado feirense. Enquanto Carlos Geilson perdeu a maior parte da votação que tinha quatro anos antes, Pastor Tom e Ângelo Almeida conseguiram ampliar suas bases. Zé Chico permaneceu praticamente estável e Zé Neto teve uma redução mais moderada.
O levantamento do Blog do Velame considera exclusivamente votos recebidos em Feira de Santana, não levando em conta a votação total obtida pelos candidatos em outros municípios da Bahia, nem candidatos sem trajetória política diretamente vinculada à cidade.
Entre os nomes comparados, Pastor Tom foi quem mais cresceu em número absoluto, com 6.585 votos a mais. Em percentual, a alta também foi expressiva, de cerca de 62,6%. Já Carlos Geilson apresentou a maior perda, com 13.930 votos a menos e retração aproximada de 87,5%.
Flávio recebe apoio de Caiado, PP e União Brasil e promete indicar ministros do STF “que não usem a caneta para fazer perseguição política”
Após largar na frente no primeiro turno, o candidato Flávio Bolsonaro (PL) ampliou, nesta terça-feira (6), a rede de apoios para a reta final da eleição presidencial, ao receber a adesão de Ronaldo Caiado (PSD), derrotado no primeiro turno, enquanto a Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, também oficializou apoio à sua candidatura. Nos últimos dias, ele já havia recebido manifestações favoráveis do ex-presidente Michel Temer (MDB).
A decisão de Caiado foi anunciado durante encontro político em Goiânia. O governador reeleito de Goiás, Daniel Vilela (MDB), também aderiu à candidatura do PL. Flávio participou da agenda acompanhado ainda de Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador reeleito de São Paulo e um dos aliados envolvidos nas articulações para ampliar os apoios no segundo turno.
Outra adesão relevante veio da Federação União Progressista. União Brasil e PP decidiram apoiar formalmente Flávio no segundo turno após reunião das bancadas e lideranças das duas legendas. A decisão amplia a coalizão partidária em torno do candidato do PL, que também negocia novas adesões com partidos do centro e da direita.
Durante o evento em Goiás, Flávio voltou a colocar o Supremo Tribunal Federal no centro de seu discurso. O candidato afirmou que, caso seja eleito, pretende indicar ministros com posições contrárias ao aborto e às drogas e que, segundo suas palavras, respeitem as instituições e não utilizem “a caneta para fazer perseguição política”.
O discurso repete uma posição apresentada por Flávio anteriormente na campanha. Em agosto, ele já havia afirmado que buscaria nomes que, na avaliação dele, não utilizassem o cargo para cometer “injustiça” e que estivessem comprometidos com o que classificou como recuperação da segurança jurídica e da credibilidade do Supremo. As declarações fazem parte das críticas do candidato à atuação de ministros da Corte, especialmente Alexandre de Moraes.
Em Goiânia, Flávio também mencionou propostas na área de segurança pública e direito penal, entre elas redução da maioridade penal, aumento de penas para determinados crimes, classificação de organizações criminosas como grupos terroristas e castração química para autores de crimes sexuais. As medidas dependeriam, conforme o caso, de alterações legislativas e aprovação do Congresso.
No segundo turno, Lula mira em rejeição de Flávio e diz que candidato fará “tesouraço” em programas sociais
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começou o segundo turno adotando uma estratégia mais voltada ao confronto direto com Flávio Bolsonaro (PL). Uma das primeiras frentes escolhidas foi associar a proposta de redução de gastos defendida pelo adversário, chamada por ele de “tesouraço”, ao risco de cortes em programas sociais.
Nesta terça-feira (6), a campanha petista divulgou uma peça que recupera medidas adotadas durante o governo de Jair Bolsonaro (PL) e cita reduções de recursos em áreas como Farmácia Popular, Minha Casa, Minha Vida, Mais Médicos, combate ao câncer, cisternas, merenda escolar e prevenção de desastres. A mensagem procura ligar essas decisões à proposta econômica apresentada por Flávio para uma eventual gestão.
No vídeo, a campanha afirma que, quando integrantes da família Bolsonaro falam em cortes, seria necessário observar o histórico do governo anterior. A peça também sustenta que uma vitória de Flávio poderia significar a retomada de políticas associadas à gestão do pai.
A ofensiva faz parte de uma mudança de estratégia para o segundo turno. Integrantes da campanha petista avaliam que, além de defender realizações do governo, será necessário aumentar a resistência eleitoral a Flávio Bolsonaro e estabelecer diferenças mais claras entre as duas candidaturas.
O movimento ocorre em um cenário de rejeição elevada dos dois candidatos. Depois do resultado das urnas, a avaliação dentro da campanha de Lula foi de que a segunda etapa exigiria ajustes na comunicação. Entre os pontos discutidos estão maior participação direta do presidente nas decisões da campanha, presença nos debates, estratégias regionalizadas e ações voltadas aos eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno.
Voto no PL registra aumento em Feira: Flávio supera marca de Bolsonaro em 13,5% e legenda avança nas proporcionais
Considerada uma cidade conservadora politicamente, Feira de Santana voltou a registrar votação considerável para candidatos do PL nas eleições de 2026, não apenas na disputa pela Presidência da República, mas também nas eleições para o Senado, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa. A comparação com 2022 mostra que esse movimento ocorreu mesmo com crescimento relativamente pequeno do eleitorado do município no período.
Em 2022, Feira tinha 424.521 eleitores aptos. Quatro anos depois, esse número chegou a 434.532, um aumento de 10.011 pessoas, equivalente a aproximadamente 2,36%, de acordo com dados do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA). Na eleição presidencial de 2022, Jair Bolsonaro recebeu 107.271 votos no primeiro turno, correspondentes a 31,25% dos votos válidos. Lula (PT) teve 211.813 votos, ou 61,70%. No segundo turno daquele ano, Bolsonaro chegou a 124.354 votos no município, conforme os resultados oficiais da Justiça Eleitoral.
No primeiro turno de 2026, Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 121.727 votos em Feira, equivalente a 35,80% dos votos válidos, enquanto Lula registrou 194.272 votos, ou 57,13%. A comparação entre os dois primeiros turnos mostra uma diferença de 14.456 votos entre a votação de Jair Bolsonaro em 2022 e a de Flávio Bolsonaro em 2026. Em termos percentuais, são cerca de 13,5% a mais em números absolutos. A participação nos votos válidos passou de 31,25% para 35,80%, diferença de 4,55 pontos percentuais.
O crescimento da votação presidencial do PL, portanto, ocorreu em proporção superior ao aumento do próprio eleitorado feirense. Enquanto o número de pessoas aptas a votar cresceu 2,36% em quatro anos, a votação do candidato presidencial da legenda aumentou cerca de 13,5%.
Outra forma de observar os números é comparar a votação com todo o eleitorado apto. Em 2022, os 107.271 votos de Jair Bolsonaro representavam aproximadamente 25,27% dos 424.521 eleitores cadastrados em Feira. Em 2026, os 121.727 votos de Flávio Bolsonaro correspondem a cerca de 28,01% dos 434.532 eleitores aptos.
A presença eleitoral do PL em Feira em 2026 não ficou restrita à disputa presidencial. Para o Senado, João Roma foi o candidato mais votado no município, com 149.681 votos. Como cada eleitor teve direito a duas escolhas para senador neste ano, o número não deve ser comparado diretamente com o percentual de uma eleição presidencial.
Na disputa pela Câmara dos Deputados, três candidatos do PL ficaram entre os dez federais mais votados pelos feirenses. Roberta Roma recebeu 13.104 votos, Capitão Alden teve 10.185 e Doutora Raissa Soares somou 7.559. Juntos, os três alcançaram 30.848 votos em Feira e foram eleitos para a Câmara.
Em 2022, o partido também teve candidatos com votação relevante no município. Capitão Alden recebeu 8.652 votos; Capitão André Porciuncula, 6.854; e Roberta Roma, 5.312. Considerando todos os candidatos da legenda e os votos dados diretamente ao partido, o PL registrou 28.423 votos para deputado federal na Princesa do Sertão naquele pleito.
Na eleição para a Assembleia Legislativa, o PL totalizou 35.653 votos em 2026, considerando votos nominais e de legenda, o equivalente a 11,7% dos votos válidos para deputado estadual no município. Entre os candidatos da sigla, Diego Castro recebeu 12.107 votos na segunda maior cidade do estado e foi eleito deputado estadual. Samuel Júnior teve 4.472 votos e Soldado Prisco, 3.849. Os dois também conquistaram cadeiras na nova composição da AL-BA.
Sem eleger federal, Feira entregou mais de 83 mil votos a candidatos “forasteiros”
Leandro Santana
Feira de Santana terminou as eleições de 2026 sem eleger um deputado federal nascido ou radicado no município, mas entregou mais de 83 mil votos a candidatos “forasteiros” que aparecem entre os nomes de maior votação na cidade. O cenário reacende uma discussão recorrente na política local sobre a capacidade do segundo maior colégio eleitoral da Bahia de transformar seu volume de votos em representação própria em Brasília.
Zé Neto (PT) foi o candidato a deputado federal mais votado em Feira, com 59.127 votos, enquanto Zé Chico (União Brasil) apareceu em segundo, com 34.182. Os dois somaram 93.309 votos dentro da cidade, mas nenhum conseguiu uma das 39 cadeiras da Bahia na Câmara dos Deputados.
Logo depois deles aparecem nomes de diferentes regiões que encontraram em Feira uma importante fonte de votos. Roberta Roma (PL), por exemplo, recebeu 13.104 votos no município. Capitão Alden (PL), também nascido em Salvador, teve outros 10.185. Não para por aí. Sandro Filho (PP) somou 9.777 votos, enquanto Márcio Marinho (Republicanos) chegou a 7.751; Doutora Raissa Soares (PL), 7.559; e Gabriel Nunes (PSD) 6.832.
Pastor Sargento Isidório (Avante) teve 6.146 votos em Feira; Maria Marighella (PT) recebeu 6.143; Arthur Maia (União Brasil), 5.544; Soldado Correa (Republicanos) 5.331; e Adolfo Viana (PSDB), 5.248. Somados, esses candidatos receberam 83.620 votos dentro da Princesa do Sertão, uma quantidade próxima dos 93.309 votos obtidos juntos pelos dois nomes locais de maior votação, Zé Neto e Zé Chico.
O resultado deixa uma situação politicamente incômoda para os dois principais grupos locais. Nem o campo ligado ao PT conseguiu manter Zé Neto em Brasília, nem a força municipal de José Ronaldo foi suficiente para eleger Zé Chico. Enquanto isso, diferentes grupos estaduais encontraram em Feira um território importante para completar suas próprias votações.
Enquanto os dois principais projetos locais ficaram sem mandato, diferentes candidatos com bases eleitorais em Salvador e em outras regiões saíram de Feira com votações relevantes e, em vários casos, conseguiram se eleger. Roberta Roma, Capitão Alden, Sandro Filho, Márcio Marinho, Doutora Raissa Soares, Gabriel Nunes e Adolfo Viana são exemplos de candidatos que tiveram milhares de votos no município e garantiram espaço na nova bancada baiana em Brasília.
Arroba sobe para R$ 370 e atinge novo recorde do ano em Feira de Santana
Confirmando a tendência apontada nas últimas semanas, o preço da arroba do boi gordo voltou a subir em Feira de Santana. A cotação divulgada nesta terça-feira pela Cooperfeira chegou a R$ 370, novo recorde de 2026 no mercado regional.
A valorização dá sequência ao movimento observado desde setembro. Depois de passar um período estabilizada em R$ 340, a arroba avançou para R$ 350, fechou setembro em R$ 360 e agora alcança um novo patamar.
Para Agenor Campos, presidente do Frifeira e diretor da Cooperfeira, a nova alta confirma um movimento que já era esperado pelo mercado. Nas últimas semanas, ele vinha apontando a perspectiva de valorização diante principalmente da redução da oferta de animais terminados com o avanço da entressafra.
Mesmo aos R$ 370, Agenor avalia que ainda existe espaço para novas valorizações até novembro, desde que sejam mantidas as condições observadas nas últimas semanas. Entre os fatores acompanhados estão a disponibilidade de animais para abate, os custos de produção, a demanda dos frigoríficos e o comportamento do mercado externo.
A velocidade da recuperação chama atenção. Setembro começou com a arroba em R$ 340 e terminou em R$ 360. Com a cotação desta semana, o preço acumula alta de R$ 30 por arroba, ou 8,8%, desde o início de setembro.
Agenor já havia trabalhado com a possibilidade de a arroba alcançar R$ 380 até novembro. Com o mercado chegando aos R$ 370 no início de outubro, essa referência ficou mais próxima, embora o comportamento das próximas semanas continue condicionado à oferta e à demanda.
Os valores divulgados pela Cooperfeira são baseados em informações repassadas por compradores que realizam abate no Frifeira e servem como referência para o mercado regional, podendo oscilar conforme a movimentação diária.
Após ser eleito deputado estadual, feirense Thiago Gilleno anuncia ‘Arrastão da Vitória’ com Igor Kannário
Recém-eleito deputado estadual com 114.627 votos em toda a Bahia, o médico feirense Thiago Gilleno (Republicanos) já começou a transformar o resultado das urnas em agenda pública de comemoração. Nesta sexta-feira (9), ele promove em Ponto Novo o chamado “Arrastão da Vitória”, com participação do cantor Igor Kannário e concentração a partir das 19h.
A mobilização será realizada na avenida principal do município e foi divulgada nas redes sociais de Gilleno como uma celebração pela eleição para a Assembleia Legislativa da Bahia. “Ponto Novo e toda a região estão convidados. O Arrastão da Vitória vai tomar conta da avenida”, escreveu nas redes sociais.
Thiago Gilleno foi um dos nomes de maior destaque na disputa pela AL-BA. O ex-prefeito de Ponto Novo terminou a eleição com 114.627 votos e conquistou uma das 63 cadeiras da Assembleia. Em Feira de Santana, sua cidade natal, recebeu 13.269 votos, consolidando também uma base relevante no segundo maior colégio eleitoral da Bahia.
A eleição representa uma mudança de patamar na trajetória de Gilleno. Antes de chegar ao cenário estadual, ele construiu sua carreira política em Ponto Novo, onde foi eleito prefeito em 2020. Em 2026, deixou a administração municipal para disputar pela primeira vez uma vaga na Assembleia Legislativa e terminou entre os candidatos mais votados do estado.
Com o resultado das urnas já consolidado, o “Arrastão da Vitória” também funciona como um primeiro movimento político de Gilleno após a eleição, reforçando sua ligação com Ponto Novo, município onde construiu a principal base de sua trajetória pública.
Abstenção chega a quase 75 mil em Feira; 20,6 mil eleitores votaram branco ou nulo para presidente
Quase 75 mil eleitores de Feira de Santana deixaram de comparecer às urnas no primeiro turno das eleições de 2026. Dados da totalização oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que 74.984 pessoas se abstiveram no município, o equivalente a 17,21% do eleitorado apto.
A segunda maior cidade do estado tinha 435.631 eleitores aptos e registrou 360.647 comparecimentos, uma participação de 82,79%. Os dados são referentes ao primeiro turno, realizado no domingo (4), com 100% das seções totalizadas.
Na disputa pela Presidência da República, além dos eleitores que não compareceram, 13.589 votos foram nulos, correspondendo a 3,77% dos votos registrados, enquanto 7.027 eleitores votaram em branco, o equivalente a 1,95%.
Foram contabilizados 340.031 votos válidos para presidente em Feira. Somados os votos nulos e brancos, 20.616 pessoas compareceram às urnas, mas não deram voto válido a nenhum dos candidatos à Presidência. Quando esse grupo é somado aos 74.984 eleitores ausentes, chega-se a 95.600 eleitores que não registraram voto válido para presidente no primeiro turno, número que equivale a, aproximadamente, 21,95% de todo o eleitorado apto do município.
Pelas regras eleitorais, votos brancos e nulos não entram no cálculo dos votos válidos e não são transferidos para qualquer candidato. A Justiça Eleitoral considera apenas os votos válidos para definir o resultado da disputa. Na votação presidencial, Lula (PT) liderou em Feira de Santana, com 194.272 votos, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 121.727. A diferença entre os dois foi de 72.545 votos.
Os números de Feira no 1º turno:
- Eleitorado apto: 435.631
- Comparecimento: 360.647 – 82,79%
- Abstenções: 74.984 – 17,21%
- Votos válidos para presidente: 340.031 – 94,28% dos votos registrados
- Votos nulos para presidente: 13.589 – 3,77%
- Votos em branco para presidente: 7.027 – 1,95%
Os percentuais de brancos e nulos mudam conforme o cargo escolhido. Na disputa pelo Governo da Bahia, por exemplo, Feira registrou 11.048 votos em branco e 19.894 nulos, números superiores aos observados para presidente.
Diretórios da UEFS convocam estudantes para mobilizações em defesa de Lula: “Soberania, resistência e sobrevivência”
Entidades estudantis da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) começaram a organizar uma agenda de mobilização política para o segundo turno da eleição presidencial, que vão desde roda de conversa, debates sobre a conjuntura nacional, até um ato público em defesa da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A primeira atividade acontece nesta terça-feira (6), às 18h45, no corredor do Módulo 4 da Uefs. Organizada pelo Diretório Acadêmico Maria Felipa de Oliveira, do curso de Direito, a “Roda de Conversa Aberta dos Estudantes de Direito” terá como tema “O futuro do Brasil nas eleições 2026: soberania, resistência e sobrevivência”.
Na convocação, o diretório explica que o encontro pretende discutir o cenário político após o primeiro turno e organizar formas de atuação coletiva entre os estudantes.
“As eleições presidenciais no Brasil caminham para um 2º turno, em um cenário marcado por incertezas e pelo avanço eleitoral de um projeto político que consideramos nocivo ao desenvolvimento nacional, à nossa soberania e às liberdades individuais”, diz o texto divulgado pela entidade.
O grupo também afirma que a proposta é construir uma mobilização mais ampla dentro da universidade. “Será um espaço aberto para debater a conjuntura, construir coletivamente nossas pautas e organizar a mobilização em defesa dos interesses do corpo estudantil e da classe trabalhadora”, acrescenta a convocação.
A atividade também recebeu apoio da Atlética de Direito da Uefs, que reforçou o chamado aos estudantes. Em publicação, a entidade destacou que as decisões tomadas no cenário político ultrapassam o período eleitoral e alcançam diretamente a vida universitária e o exercício da cidadania.
“As decisões e os acontecimentos do cenário político não estão distantes da nossa realidade. Eles atravessam a democracia, os direitos, as liberdades, as políticas públicas, a própria universidade e o exercício da cidadania”, escreveu a Atlética.
Além da roda de conversa, uma nova mobilização já está marcada para a próxima terça-feira (13). O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Uefs convocou um ato “contra o bolsonarismo e em defesa das liberdades democráticas no segundo turno”, com concentração às 16h, em frente ao Colégio Gastão.
Na publicação, o DCE adota posição explícita em favor de Lula e convoca não apenas estudantes da Uefs, mas também universitários de outras instituições de Feira, entidades de base, organizações populares e trabalhadores.
“Declarar posição não é suficiente – é necessário mobilizar-se nas ruas, nas redes sociais e nos nossos locais de atuação”, diz o texto. A entidade afirma ainda que pretende construir uma frente de mobilização pela eleição do petista no segundo turno.
A movimentação mostra que parte da campanha presidencial em Feira começa a ganhar uma organização própria dentro do ambiente universitário. Depois do primeiro turno, entidades estudantis passaram a utilizar os espaços da Uefs tanto para discutir a conjuntura quanto para articular ações públicas voltadas à reta final da eleição.
No primeiro turno, Lula foi o candidato mais votado em Feira de Santana, com cerca de 194 mil votos, contra aproximadamente 121 mil de Flávio Bolsonaro (PL). A estratégia dos movimentos estudantis agora é ampliar a mobilização e levar o debate para além do voto já consolidado.
SMT informa nova interdição temporária na Avenida Artêmia Pires a partir desta terça-feira (6)
A Superintendência Municipal de Trânsito (SMT) informa aos condutores, pedestres e usuários do transporte coletivo urbano sobre uma nova interdição temporária no tráfego de veículos da Avenida Artêmia Pires, a partir desta terça-feira (6).
A alteração ocorrerá no trecho compreendido entre a Rua dos Engenhos e a Rua José Domingos Servo, nas proximidades da UNEX. A medida é necessária para a continuidade das intervenções de melhoria na infraestrutura da região.
Como funcionará o desvio
Motoristas: o tráfego de veículos será direcionado para vias alternativas. Os condutores deverão utilizar as ruas Elizeu Martins e dos Engenhos durante o período da interdição.
Pedestres: o acesso continuará sendo realizado pela própria Avenida Artêmia Pires.
Transporte coletivo: o ponto de parada de ônibus localizado na área foi temporariamente reinstalado nas proximidades do Edifício Link Artêmia.
A SMT informa que a área estará devidamente sinalizada para orientar os condutores e demais usuários da via.
A orientação da autarquia é para que os motoristas redobrem a atenção ao trafegar pela região e, sempre que possível, planejem os itinerários com antecedência, a fim de evitar transtornos durante o período da interdição.
Jerônimo reduz vantagem de ACM Neto em Feira mesmo com Zé Ronaldo mergulhado na campanha; o que explica?
Leandro Santana
ACM Neto (União Brasil) voltou a vencer a eleição para governador em Feira de Santana, mas o resultado de 2026 revelou um movimento político que merece atenção: Jerônimo Rodrigues (PT) conseguiu reduzir significativamente a vantagem do adversário no segundo maior colégio eleitoral da Bahia, mesmo enfrentando uma campanha local muito mais organizada e diretamente comandada pelo prefeito José Ronaldo, seu colega de partido.
Em 2022, no segundo turno, o carlista recebeu 204.662 votos na segunda maior cidade do estado, contra 142.490 do adversário; isto é, uma vantagem de 62.172 votos. Quatro anos depois, já com o petista no governo e disputando a reeleição, Neto voltou a liderar na cidade, mas a distância caiu para pouco mais de 24 mil votos. O candidato do União Brasil terminou com cerca de 175 mil votos, enquanto Jerônimo ultrapassou os 151 mil. Em termos políticos, o governador reeleito não virou em Feira, mas reduziu de forma considerável um dos principais colchões eleitorais de Neto no estado.
O dado ganha ainda mais importância quando se observa a diferença entre as campanhas de 2022 e 2026. Há quatro anos, Ronaldo vivia uma relação muito mais turbulenta com o ex-prefeito de Salvador. Considerado favorito para ocupar a vaga de vice na chapa, viu seu nome ser preterido em favor da desconhecida Ana Coelho. A decisão provocou forte insatisfação, chegou a alimentar rumores de rompimento e reduziu o entusiasmo de parte do grupo local com a campanha. O próprio José Ronaldo admitiu, posteriormente, que foi dormir acreditando que seria anunciado como vice.
Desta vez, o cenário foi completamente diferente. Já de volta à Prefeitura de Feira, Ronaldo entrou de cabeça na campanha. Organizou agendas, recebeu o candidato, articulou reuniões com empresários, lideranças evangélicas e vereadores da base, participou de caminhadas e carreatas e colocou sua estrutura política diretamente a serviço da candidatura. Na reta final, foi ele quem organizou o encerramento da campanha em Feira. A adesão foi tão explícita que, durante uma caminhada pelo centro da cidade, o prefeito chegou a subir no capô de um carro ao lado do candidato e dançar.
Ou seja: se em 2022 havia ruídos, ressentimentos e questionamentos sobre o real envolvimento de José Ronaldo, em 2026 não houve espaço para dúvidas. O prefeito abraçou a campanha. Ainda assim, a vantagem de ACM Neto caiu.
Isso ajuda a explicar por que o desempenho de Jerônimo na Princesa do Sertão merece ser observado para além da derrota numérica. O petista enfrentou a máquina política mais forte da cidade, comandada por um prefeito eleito cinco vezes, com ampla bancada na Câmara, secretários mobilizados e uma estrutura eleitoral que historicamente consegue produzir resultados expressivos. Mesmo assim, conseguiu avançar.
Parte desse crescimento pode ser explicada pelo que Jerônimo construiu durante os quatro anos de governo. A principal diferença em relação a 2022 é que, desta vez, ele não chegou à eleição apenas como um candidato associado ao PT e a Lula. Chegou como governador com um conjunto de obras para apresentar no município.
O Centro de Convenções talvez seja o maior símbolo dessa estratégia. Durante mais de duas décadas, o equipamento permaneceu como um dos grandes “elefantes brancos” da cidade, cercado por paralisações, promessas e disputas sobre a paternidade da obra. A conclusão e entrega pelo governo permitiram transformar um antigo passivo político em uma vitrine de gestão.
A lógica se repetiu em outras áreas. O governo requalificou o Complexo Cultural Carro de Boi, incluindo a tradicional Abóbora, e avançou na recuperação do Centro de Cultura Amélio Amorim. Também entregou escolas de tempo integral, ampliou estruturas do Hospital Geral Clériston Andrade e executou investimentos nas áreas de segurança pública e infraestrutura.
Jerônimo também soube explorar politicamente sua ligação pessoal com Feira. Embora tenha nascido em Aiquara, foi aqui que o governador construiu parte importante de sua vida profissional no município, onde foi professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Ao longo do mandato, passou a se apresentar repetidamente como alguém ligado afetivamente à cidade e, em diferentes agendas, declarou Feira como parte de sua própria história.
A tese do “Jerônimo feirense”, ainda que construída politicamente, acabou encontrando terreno. E não ficou apenas no discurso. O governador fez da presença constante no município uma estratégia. Participou de inaugurações, eventos institucionais, agendas de segurança, educação e saúde e marcou presença em festas tradicionais, incluindo a Micareta em mais de um dia. Em vez de aparecer em Feira apenas durante a campanha, passou a ser visto com frequência no município ao longo do mandato. Esse tipo de presença faz diferença eleitoral.
Na política local, há muito tempo a Princesa do Sertão convive com a percepção de que o governo estadual aparece pouco ou entrega menos do que deveria ao segundo maior município da Bahia. Jerônimo parece ter entendido que precisava enfrentar esse sentimento diretamente. Obras, agendas e repetição de presença ajudaram a reduzir a distância entre o PT estadual e uma cidade historicamente competitiva para o grupo de José Ronaldo.
O resultado de Feira também se conecta a um movimento semelhante ocorrido em Salvador. A estratégia de ACM Neto dependia fortemente de grandes margens nos dois maiores colégios eleitorais do estado. Em Salvador, integrantes do seu grupo chegaram a projetar uma diferença superior a 500 mil votos sobre o petista. Ela não aconteceu. Neto venceu a capital, mas com uma margem muito menor do que a esperada.
Feira seguiu roteiro parecido. ACM Neto venceu, mas não produziu a gordura eleitoral necessária para compensar o domínio de Jerônimo no interior. Essa talvez seja a principal leitura política da eleição de 2026 na Bahia. O interior continuou sendo o grande território de sustentação do PT, mas Jerônimo conseguiu fazer algo que quatro anos antes parecia mais difícil: diminuir as derrotas onde ACM Neto deveria ser muito mais forte. Ele não precisou vencer Feira nem Salvador, precisou apenas evitar ser atropelado e conseguiu.
A eleição deixa uma pergunta importante para o futuro da política feirense: até que ponto o domínio municipal ainda se traduz automaticamente em capacidade de transferir votos para aliados em disputas estaduais? Em 2026, ele mostrou que continua forte. ACM Neto venceu Feira. Mas Jerônimo mostrou algo talvez igualmente importante: a cidade já não parece tão impermeável ao PT estadual quanto foi em outros momentos. E, numa eleição decidida pela soma de centenas de municípios, perder menos em Feira e Salvador pode ter sido tão importante para Jerônimo quanto continuar vencendo no interior.
“E agora, José?”: força municipal não vira cadeira em Brasília e Zé Ronaldo segue sem eleger um federal do seu grupo
Leandro Santana
O sonho de Zé Chico (União Brasil) de chegar a Brasília ficou, mais uma vez, pelo caminho. Com 47.991 votos em toda a Bahia, sendo 34.182 apenas em Feira de Santana, o empresário não conseguiu conquistar uma das 513 cadeiras da Câmara dos Deputados e acumulou a terceira tentativa frustrada de chegar ao Congresso Nacional.
Mais do que uma derrota pessoal, o resultado expõe uma dificuldade histórica do grupo político liderado pelo prefeito José Ronaldo (União Brasil): apesar da força consolidada em Feira de Santana, onde governa pela quinta vez, o grupo ainda não conseguiu construir um nome próprio com densidade estadual suficiente para ocupar uma cadeira de deputado federal.
Desta vez, porém, não faltaram demonstrações públicas de apoio. Zé Chico assumiu em 2025 a presidência municipal do União Brasil em Feira, por articulação diretamente ligada a José Ronaldo, e entrou em 2026 como o candidato preferencial do prefeito para a Câmara.
O líder do executivo feirense gravou vídeos, participou de atos, pediu votos e tratou publicamente a eleição do companheiro como estratégica para ampliar a representação da cidade em Brasília. Em uma das manifestações mais explícitas da campanha, chegou a dizer que Feira “precisava” de Zé Chico na Câmara Federal e que o empresário era “meu deputado federal”.
Houve também tentativa de organizar o grupo em torno da candidatura. Secretários municipais declararam apoio, encontros reuniram lideranças e o discurso de unidade foi repetido durante a campanha. Em julho, por exemplo, o secretário municipal de Agricultura classificou a candidatura de Zé Chico como um projeto do grupo de José Ronaldo, e não apenas uma iniciativa pessoal do empresário.
Ao mesmo tempo, a Prefeitura acelerou um amplo programa de pavimentação pela cidade. Em março, o prefeito anunciou R$ 133 milhões em obras, e nas semanas finais da campanha diversas frentes de asfaltamento avançaram por bairros como Feira X, Aviário, Queimadinha, Cidade Nova e Jardim Cruzeiro. A gestão apresentou as intervenções como cumprimento de uma promessa feita na eleição municipal de 2024. Críticos, porém, passaram a enxergar o volume e o ‘timing’ das obras também sob uma leitura eleitoral. Nem isso foi suficiente.
A votação de Zé Chico ficou novamente concentrada em Feira. Dos 47.991 votos obtidos no estado, mais de 71% vieram do município. Fora dali, ele somou menos de 14 mil votos. O número ajuda a explicar a derrota: para chegar à Câmara, não basta dominar uma base municipal; é preciso construir capilaridade em dezenas de cidades e atravessar regiões politicamente distintas da Bahia. Esse é justamente o ponto em que a candidatura voltou a falhar. Na Princesa do Sertão, o empresário teve votação relevante. No restante do estado, não conseguiu construir uma rede competitiva.
A dificuldade também não é nova. Em 2014, ele recebeu 55.170 votos e não se elegeu. Em 2022, voltou a disputar a Câmara e terminou com 44.773 votos, sendo 34.540 apenas no município. Após aquela eleição, chegou a admitir publicamente a possibilidade de deixar o grupo político, reclamando de falta de apoio de lideranças locais à sua candidatura. Na ocasião, Ronaldo reagiu dizendo ter “consciência tranquila” e sustentou que havia se dedicado à campanha do aliado.
Quatro anos depois, a situação foi diferente. Desta vez, o chefe do Paço Maria Quitéria fez questão de se expor politicamente ao lado do presidente do Fluminense de Feira e, praticamente, assumiu a candidatura como sua. Nos bastidores, a leitura era clara: se o empresário não conseguisse se eleger, ao menos o prefeito poderia argumentar que havia feito a própria parte. Mas o resultado levanta outra questão: até que ponto o próprio grupo ajudou a fragmentar o projeto?
Durante a pré-campanha, vereadores ligados à base governista assumiram compromissos com outros candidatos a deputado federal, inclusive nomes de fora de Feira. Levantamentos locais mostraram que boa parte dos vereadores da base de José Ronaldo já estava fechada com outras candidaturas. Carlos Geilson chegou a questionar publicamente por que tantas lideranças preferiam candidatos de fora da cidade.
Dentro do próprio União Brasil, o problema era visível. Vereadores do partido já haviam acertado apoio a nomes como Gabriel Nunes, Dal Barreto e João Bacelar, o que dificultou a formação de uma chapa local inteiramente concentrada em Zé Chico.
A eleição de 2026 mostra, portanto, uma contradição no grupo ronaldista. O prefeito segue sendo um dos políticos de maior força eleitoral da história de Feira de Santana: foi eleito para o quinto mandato em 2024 e mantém uma base municipal ampla, mas essa força pessoal não tem se convertido automaticamente em capacidade de eleger um deputado federal diretamente identificado com o seu comando político.
E o problema ganha uma dimensão ainda maior neste ano. A segunda maior cidade do estado perdeu também Zé Neto (PT), que não conseguiu renovar o mandato de deputado federal. Apesar de adversário histórico, o petista vinha exercendo papel relevante na destinação de recursos para o município. Dados de emendas recebidas por Feira apontam milhões de reais vinculados a indicações do parlamentar nos últimos anos.
A ausência de um federal diretamente ligado a Feira pode ter consequências práticas. Em Brasília, emendas, articulações ministeriais e interlocução com o Governo Federal dependem muito da presença e da atuação permanente de parlamentares. A Câmara Municipal chegou a destacar, em 2025, que uma articulação política organizada em Brasília ajudou a ampliar significativamente os recursos de emendas destinados ao município, na “Missão-Brasília”.
No fim, sobra a pergunta que dá nome ao próprio dilema: “E agora, José?”. Para Zé Chico, depois de mais uma derrota, e para José Ronaldo, que segue sem conseguir eleger um federal diretamente ligado ao seu grupo, o resultado de 2026 abre mais dúvidas do que respostas. Os próximos movimentos dirão se haverá uma nova tentativa ou se será preciso redesenhar completamente esse projeto político.
Com apoio dos evangélicos, Pastor Tom cresce em votação, mas fica novamente fora da Assembleia
Mesmo ampliando a votação em relação a 2022 e figurando entre os nomes mais votados de Feira de Santana, o ex-deputado estadual Pastor Tom, que concorreu em 2026 como “Tom É Meu Amigo” pelo PDT, não conseguiu retornar à Assembleia Legislativa da Bahia. Ele terminou a disputa com 33.852 votos em todo o estado e ficou na suplência. Em Feira, recebeu 17.103 votos, a terceira maior votação para deputado estadual no município.
O desempenho representa um crescimento importante em relação à eleição anterior. Em 2022, então pelo Solidariedade, recebeu 26.403 votos na Bahia, sendo 10.518 em Feira de Santana. Quatro anos depois, acrescentou mais de 7 mil votos ao resultado estadual e quase 6,6 mil somente em sua principal base eleitoral.
Apesar do avanço, os 33,8 mil votos não foram suficientes para assegurar uma das 63 cadeiras da AL-BA. Tom terminou na 90ª colocação em número absoluto de votos entre os candidatos a deputado estadual e ficou como suplente do PDT.
Ewerton Carneiro da Costa, nome de batismo do político, tem trajetória antiga na política feirense. Policial militar e pastor da Igreja do Evangelho Quadrangular, ele foi vereador de Feira de Santana e chegou à Assembleia Legislativa após a eleição de 2018. Naquele pleito, recebeu 29.335 votos e foi o único deputado estadual eleito pela coligação Rede Patriota da Bahia.
A relação com o segmento evangélico sempre teve peso em sua trajetória. Em 2018, o próprio Tom atribuiu parte da vitória ao apoio da Igreja do Evangelho Quadrangular, denominação da qual é pastor, além de citar a presença de apoiadores ligados à Polícia Militar. Naquela eleição, 10.786 dos votos recebidos vieram de Feira de Santana.
O mandato na Assembleia, porém, não chegou ao fim previsto. Em outubro de 2020, o Tribunal Superior Eleitoral declarou a perda do mandato, e Josafá Marinho de Aguiar foi convocado para ocupar a vaga. Desde então, Tom tentou retornar à AL-BA em 2022 e novamente em 2026, sem sucesso.
A campanha deste ano também contou com uma articulação política direta do vereador licenciado Ismael Bastos (PL). Ele deixou temporariamente o mandato na Câmara Municipal de Feira em junho para se dedicar integralmente à coordenação da pré-campanha de Tom. A licença foi concedida sem remuneração, e Fabiano da Van assumiu a cadeira durante o período.
Após a apuração, Ismael publicou uma mensagem de apoio ao aliado e destacou o crescimento eleitoral de Tom. “Você saiu de 26 mil votos, em 2022, para 34 mil votos. Aumentou sua votação mesmo sem a estrutura de um mandato, mas, infelizmente, não foi o suficiente”, escreveu. Na mensagem, o vereador também afirmou acreditar que “o futuro te reserva coisas maiores”.
Tom, por sua vez, também se manifestou após o resultado. Em publicação nas redes sociais, afirmou que “a luta continua” e agradeceu aos apoiadores que participaram da campanha. “O resultado não apaga a caminhada, o carinho e a força de cada pessoa que acreditou”, escreveu.
‘Lula está preocupado com o poder, eu estou preocupado com o Brasil’, diz Flávio após largar na frente no primeiro turno
A vantagem obtida sobre o candidato Lula (PT) no primeiro turno foi celebrada por Flávio Bolsonaro (PL) como um sinal de mudança no cenário político nacional. Em pronunciamento após a apuração, o senador afirmou que o resultado representa o início do “fim da era do PT”, exaltando o desempenho alcançado nas urnas.
Com 99,99% das urnas apuradas, Flávio terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, cerca de 56,1 milhões de votos. Lula ficou com 45,16%, aproximadamente 53,8 milhões, uma diferença superior a 2,3 milhões de votos entre os dois candidatos.
“Está decretado o fim da era do PT. A mudança no nosso país. Foi por muito pouco. Estou muito feliz de verdade com o resultado. São 56 milhões de brasileiros e brasileiras que deram esse voto de confiança para mudança”, disse.
O candidato do PL aproveitou o pronunciamento para fazer críticas ao governo Lula e associar a gestão petista a problemas econômicos e sociais. “A era do PT só está deixando como legado um recorde de mulheres assassinadas, um recorde de brasileiros endividados, um recorde de altos impostos, um recorde de desesperança, de empresas fechadas”, alfinetou.
Ao projetar o segundo turno, o bolsonarista disse ver possibilidade concreta de vitória, antecipando algumas das bandeiras que pretende explorar nesta nova etapa da campanha. Segundo ele, um eventual governo teria menos ministérios e faria novas indicações ao Supremo Tribunal Federal (STF).
“Há a possibilidade real de daqui a três semanas o Brasil dar a resposta de que quer um governo moderno, com menos ministérios, que vai indicar ao menos quatro ministros do Supremo Tribunal Federal que não vão interferir em eleições. Depois de tudo que o governo fez para tentar vencer as eleições… Lula está preocupado com o poder, eu estou preocupado com o Brasil”, concluiu.
A abstenção no primeiro turno chegou a 33,4 milhões de eleitores, o equivalente a 21,08% do eleitorado. Flávio Bolsonaro e Lula voltam a se enfrentar no segundo turno, marcado para 25 de outubro.